Windows Phone 7 boas e más notícias

Após olhar o Visual Studio 10 for Windows Phone, de longe o melhor IDE do mundo no momento, batendo fácil o XCode 3.2.x e o futuro XCode4, confesso que fiquei entusiasmado com as perspectivas do Windows Phone 7 e até escrevi aqui que ele seria um dos três que iriam sobreviver.

Ontem fiquei sabendo de um dado que compartilho com os leitores do Mobile Analyst, ou cara da menina de lupa, que é o fato do Windows Phone 7 não ter previsto suporte a HTML5 e o suporte ao Flash só estar pronto em Mar/2011.

Com o lançamento para os fabricantes feito no dia 01 de Setembro e previsto para vendas na penúltima semana de Novembro o Windows Phone 7 começa decepcionando. Suportar HTML5 seria um passo civilizado da Microsoft para um padrão que se ainda não existe de direito já existe de fato.

A boa notícia é que a Microsoft afirma que o browser pode ser atualizado independente do firmware e que é possível que haja suporte a HTML5 num futuro não tão distante sem depender de update de operadoras ou fabricantes. Os órfãos do Milestone Latino Americanos que estão comendo o pão que o diabo amassou das mãos da Motorola vão apreciar esta feature do Windows 7.

Outra boa notícia é que não serão aceitas na Windows Phone Marketplace, apps que contenham conteúdo pornográfico, ou qualquer coisa que seja considerada nudez, num movimento até mais forte que o da Apple. Assim sendo, a zona (literalmente) fica restrita ao Android Marketplace.

O suporte nativo ao Office é no entanto o grande atrativo da plataforma e deve ser o puxador de vendas.


Computadores que ligam sozinhos e outras assombrações

Após uma das muitas palestras que dei sobre internet e educação dos filhos, um pai veio fazer uma pergunta:

– Gostei da sua palestra, mas acho que tem um hacker invadindo o computador do meu filho. O que devo fazer?
– Por que você suspeita disto? Perguntei eu.
– Porque apareceram muitos filmes pornográficos lá, e, como ele não vê estas coisas, eu tenho certeza que foi um hacker.
– Ah, certo….

Diria o Jô Soares, tem pai que é cego. Lembrei desta estória enquanto lia a matéria que do jornal Estado de São Paulo de hoje. O texto é interessante do ponto de vista de tecnologia e por isso eu vou comentar:

Adeildda Leão dos Santos, servidora do Serpro sob suspeita de participação no vazamento de dados do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outros políticos tucanos, disse que seu computador na agência da Receita em Mauá “era acessado também por outros funcionários”. Em nota oficial, onde apresenta sua versão em 27 linhas, Adeildda relata que a senha da máquina ficava anotada em sua agenda que deixava sobre a mesa ou na gaveta com o cartão da certificação digital.

Oh my God! Deixava a senha da máquina na agenda sobre a mesa junto com o cartão da certificação digital. E eu pergunto, para que senha então? Só a título de curiosidade, um e-CPF custa pelo menos 110 pratas por ano. Multiplique isto pelo número de funcionários da receita e terá uma idéia do desperdício. Podiam ter uma senha só para todos os funcionários logo, ou então tira a senha logo. Mas o pior ainda está por vir.

“Não via problema em outras pessoas usarem o computador pois confiava e não consigo enxergar maldade em meus colegas”, assinala. “Muitas vezes chegava para trabalhar e via que meu computador estava ligado, muito embora tenha desligado no dia anterior antes de sair. Quando questionava, meus colegas me diziam que o computador ligava sozinho.”

If there’s something strange
in your neighborhood
Who ya gonna call?
GHOSTBUSTERS

Isto é um caso para o Ghostbusters com certeza. Apesar de existir Wake-on-lan e coisas do gênero, eu acho que o problema ou é de burrice ou de mentira. Se um funcionário seu contasse esta história, você faria o que?

É fato que a receita federal investiu milhões em segurança e, por razões obvias, deve ser um dos sistemas mais seguros do país. Parece que estamos diante de pessoas com uma extrema habilidade para arrumar desculpas como o rapaz da reportagem do portal Globo de hoje.

Então lembre-se: na hora de investir em segurança para sua empresa chame antes o Ghostbusters para uma verredura, e mande pendurar pelo…, bom pelo pé para ficar PG-13, o funcionário que compartilha senhas.

Porque os desenvolvedores Android estão perdendo dinheiro

Faço aqui uma tradução e adaptação do texto:

http://royal.pingdom.com/2010/08/16/why-android-developers-are-losing-money/

Google tem feito grandes progressos com o Android, e muitos desenvolvedores se animaram com o crescimento da plataforma móvel. No entanto, nem tudo é cor de rosa.

Uma grande preocupação entre os desenvolvedores é que os níveis de pirataria são muito elevados na plataforma.

Google não é, obviamente, alheio a isso e, recentemente, anunciou planos para combater a pirataria com DRM, que os desenvolvedores de aplicativos podem incluir em suas aplicações. Mas há um problema que é, sem dúvida, muito mais problemático para os desenvolvedores Android: receber bufunfa pelos seus aplicativos. E  isto não está recebendo tanta atenção quanto achamos que deveria.

Google está falando sobre combate à pirataria, mas, talvez ,a primeira coisa em que deve se concentrar realmente, é fazer o possível para que os usuários comprem apps. Todos os usuários. Soa um pouco lógico, não é? Então do que estamos falando? O problema reside no Android Market.

Você só pode pagar por aplicativos em 13 dos 46 países, mais ou menos, onde os telefones Android estão disponíveis. Para aqueles de vocês que gostam de estatísticas, 13 em 46 é menos de 30%. Compare isso com a App Store da Apple, que suporta aplicativos pagos em 90 países . Esta é uma enorme vantagem que desenvolvedores de iPhone têm atualmente a mais que os desenvolvedores Android.

Isto é, em nossa opinião, uma das principais razões pelas quais a pirataria é desenfreada na plataforma Android. Se uma grande parcela de usuários do Android do mundo não pode, mesmo que queira, pagar por aplicativos, é compreensível que alguns deles apelem para a pirataria?

Em outras palavras, a pirataria não é a raiz do problema, a incapacidade de pagar é.

Esta é, naturalmente, uma péssima notícia para os desenvolvedores Android porque:

  • Há menos aplicações sendo vendidas (óbvio, não?).
  • Também habitua aos clientes a não pagar por aplicações.

Vamos expandir esse segundo ponto, porque é importante.

Nós todos gostamos de coisas grátis, certo? Mas a realidade é que isso pode ser uma má notícia para os desenvolvedores, se essa mentalidade vai longe demais.

Se o Google não fizer rapidamente o necessário para que os usuários, na maior parte dos países, possa pagar por aplicativos, a empresa vai criar um problema a longo prazo. As pessoas desses países simplesmente se acostumarão com a pirataria em seus celulares. Eles vão se acostumar com o fato de todos os aplicativos do Android serem “grátis”.

Então, o que acontece quando esses usuários finalmente tiverem acesso adequado a aplicações pagas? Alguns deles, claro, vão pagar, até porque é mais conveniente; mas há o risco de que uma parcela significativa de usuários não goste da idéia: de repente, pagar por algo que até então não tinha tido nenhum custo. O Google vai efetivamente criar “piratas” em pessoas que poderiam não ter ido por esse caminho.

Dizer que isso prejudicará gravemente aos desenvolvedores do Android de ganhar a vida é um eufemismo.

Como dizia minha avó: cachorro que come ovelha só matando… (esta frase é minha)

Senhas compartilhadas e segurança. Quem devia dar o exemplo …

Chego sempre atrasado
mas eu não corro perigo
Quem devia dar o exemplo
Chega atrasado comigo
( E diz )

Soy latino americano
E nunca me engano
E nunca me engano – Zé Rodrix, Soy latino americano

A Receita Federal é um curioso organismo. Trata com implacável rigor o contribuinte, tido por definição como um sonegador em potencial a quem incumbe provar, obedecendo a exigências não raro bizantinas, que está com a sua vida fiscal em ordem. Ao mesmo tempo, para se autoconceder um atestado de inocência política, não se vexa de alegar que o vazamento das declarações de renda de pessoas ligadas ao candidato presidencial do PSDB, José Serra, se explicaria pelos indícios de existência de “um balcão de compra e venda de dados sigilosos”, na delegacia do Fisco em Mauá, na Grande São Paulo, com vítimas a granel. – Editorial do Estado de São Paulo de 01/09/2010

Só de saber que as senhas na Receita Federal são compartilhadas entre os usuários, porque conforme disse uma funcionária, estão com muito trabalho …. (Pausa para gargalhadas politicamente incorretas)

……

(voltando, enxugue os olhos que ficaram marejados de tanto rir)

Qualquer um que trabalha com tecnologia sabe que compartilhar senhas é extremamente perigoso principalmente quando se tratam de dados muito sensíveis. Você deixaria sua senha de banco anotada na frente do computador? Você deixaria a senha do seu orkut anotada na primeira página da agenda sob o título “senha do meu orkut“. Agora imagine compartilhar com dez pessoas a sua senha para acesso ao sistema da receita federal. Assustador? Pois é.

Mas se fosse só burrice a solução era fácil, bastava demitir o incompetente, ops, esqueci que não dá para demitir assim tão fácil um funcionário público. O problema é que ….. o problema é que eu vou parar por aqui porque prometi ao chefe deste blog que só ia tratar do compartilhamento de senhas e não falaria do (paaaaaaaaaaara, bom vocês já sabem ….)

Por favor, comentários apenas acima da linha da cintura.

Job trends em mobilidade

Achei interessante o resultado de tendências de emprego encontrada no site www.indeed.com. Abaixo, uma amostra com a lista das principais tecnologias/plataformas atuais. É claro que a palavra chave usada pode não representar bem o que se deseja, por exemplo, Android pode englobar muito mais do que “empregos de desenvolvimento para trabalhar com Android”, o que talvez justifique a subida exponencial recente. No entanto, é um resultado, no mínimo, curioso e pode servir para entender melhor o mercado e projetar algumas mudanças de direção.

Só vão sobreviver 3!

Este é meu primeiro post no Zeletron e procurarei escrever de vez em quando aqui analisando a indústria de celulares.

O título indica que só sobreviverão 3 sistemas operacionais, esta é a minha opinião. Pode ser que venha um troll e diga: Acabou de chegar no Blog e já está falando assim. Questão justa. É minha opinião e vou tentar explica-la neste post e nos seguintes.

1) Só sobreviverão 3 – É uma afirmativa que se baseia na questão desenvolvedores. Cada plataforma hoje tem um sistema de desenvolvimento, vendas e monetização distinto. Um código escrito para o iOS tem que ser muito mexido para rodar num Android. Há diferentes níveis de suporte a HTML5 nas diversas plataformas. Isto leva a creer que as fábricas de software vão escolher uma plataforma ou duas e sem software não há OS no mundo que sobreviva. Se olharmos para o mercado de videogames algo semelhante aconteceu com Microsoft, Nintendo e Sony.

2) Só sobreviverão iOS, Windows 7 e BlackBerry – As razões para esta afirmação são mais uma intuição, no entanto fazendo esforço é possível explicar algumas razões. O iOS está consolidado, tem uma loja com 250K apps, muitas de qualidade e mais de 5 bilhões de downloads. O BlackBerry é lider absoluto no mercado corporativo e parece muito pouco ameaçado neste setor, além disso o Blackberry OS6 com suporte a HTML5 vai vedar uma das atuais fragilidades da plataforma. E o Windows Mobile 7 é da Microsoft que tem na minha opinião a melhor IDE existente no mercado, que responde pelo nome de Visual Studio, e está com apetite para mobilizar os milhões de desenvolvedores de plataforma Microsoft ao redor do mundo.

3) Android, Symbian e outros vão morrer – O Android tomou dois golpes mortais recentemente, um deles diz respeito ao processo da Oracle e o outro a heterogeneidade das versões de Android. Some-se a isto o fato da Motorola ter anunciado que não irá oferecer upgrade para Android 2.1 e 2.2 nos aparelhos vendidos na América Latina e você tem um belo problema. Com uma loja (a Android Marketplace) lotada de aplicativos pornográficos e com uma plataforma que não vem remunerando bem desenvolvedores fora dos EUA e mais meia dúzia de países, o Android deve começar a definhar em breve. Eu vejo o Android se juntando ao defunto Wave e ao moribundo Buzz.

Opa, você não falou do Symbian. Pois é. Este só falta enterrar. Uma interface bem antiquada, um modelo de negócios da Ovi Store muito pouco atraente e um tiro atrás do outro que a gigante finlandesa vai dando no pé (N97, N900, fechamento de blogs, etc.) e com isso o que outrora foi um grande sistema operacional virou um espectro.

Puxa, mas eu não gostei da sua opinião e penso diferente. Beleza, a área dos comentários serve para isto.

Boa semana a todos e até a próxima.

UPDATE: Olha minha profecia se concretizando aí pessoal: http://www.zeletron.com.br/2011/02/a-nova-estrategia-da-nokia.html

Há 15 anos a Microsoft fazia história

Dia de São Bartolomeu, a noite das garrafadas na história, em 1995 foi o dia em que a Microsoft mordeu a jugular dos computadores pessoais e não soltou mais.

Naquele dia 24 de Agosto foi lançado o Windows 95, talvez o mais revolucionário lançamento da Microsoft em termos de mudanças. Ali o OS/2 foi ferido de morte (menos para meu amigo Rafael que acompanhou o sistema da IBM até a morte, do sistema). Ali a poderosa IBM foi dobrada.

Para todos que aguardamos os 20 disquetes de instalação: parabéns pelo aniversario de hoje.

se bobear tem mais gente usando Windows 95 que Linux como desktop.

matéria no JN

Porque desenvolver para o IPhone

Algumas pessoas perguntam:
– Porque você desenvolve para o IPhone e não para o Android?

Por duas razões:

1) O Android Marketplace, além de ser uma baderna, não aceita aplicativos pagos de desenvolvedores brasileiros. Tudo bem que não é culpa do Google sozinho, mas sim dos últimos oito anos de desgoverno IMHO.

2) O que mostra o vídeo abaixo:



Java: porque não usar!

A recente notícia de que a Oracle pretende processar o Google por quebra de patente pelo uso do Java nos aparelhos Android acendeu um alerta vermelho na comunidade de desenvolvedores.

No meu blog eu costumo descer a lenha no Java; na minha visão é uma linguagem que tem muito mais desvantagens que vantagens. Lerda na maior parte dos casos (a menos daqueles feitos para ficar com 98% da performance do C/C++ e que o cabra levou dez anos para otimizar), com tendência a portabilidade mas é um inferno para instalar em todas as plataformas, teoricamente aberta até certo ponto, etc.

Java foi o grande hype de linguagens no final dos anos 90 e início de 2000, muitos javaboys defendiam como se estivessem pregando o Evangelho as virtudes da linguagem, diziam que não tinha ponteiros, que era a linguaguem onde você escreve uma vez e roda em todos os sistemas operacionais, etc.

Aí daquele que ousasse dizer algo em contrário. Aí daquele que se sentisse confortável com ponteiros (coitado do Mel). Aí daquele que para fazer seu código compilar em várias plataformas usava C/C++ com alguns #ifdef. Aí daqueles que não criassem classes até para fazer um programa hello world.

E o Java foi dominando o mercado das linguagens, chegou a ter 28% do total de usuários segundo o indíce TIOBE.

Eu pessoalmente sempre detestei Java, talvez por preconceito, mas posso dizer que nunca escrevi uma linha de código em Java e nunca fiz questão de aprender.

Estabelecidas estas bases vamos agora ver o caso da Oracle+Sun x Google. Segundo o site ArsTecnica a Oracle diz que o Google violou de modo intencional as patentes que a Sun possuia e agora a Oracle possui.

A licença do Java é complexa e basicamente é um GPL com algumas exceções: a parte J2ME não é GPL e portanto todos os aparelhos móveis que usam J2ME tem que pagar royalties à Oracle. O Google evitou isto escrevendo uma máquina virtual Java desde o início e desta forma ele não estaria usando código GPL com a cláusula de pagamento de royalties em aparelhos mobile.

Escrever uma máquina virtual Java é algo perfeitamente lícito, existem outras máquinas virtuais como por exemplo o IBM J9 (que aliás parece ser melhor que a VM da Oracle), no entanto a Oracle/Sun proíbe qualquer máquina virtual que não cumpra todas as especificações do Java.

Até aí pode fazer sentido. Mas o galho é que ela proíbe também as que ampliam as especificações do Java e aí parece que pegou o Google.

Alguns podem argumentar: ela só está defendendo o direito dela. É verdade. Mas quando você se comporta com uma linguagem de programação supostamente aberta com cláusulas esquizofrênicas como estas, você está mandando um recado claro a comunidade de desenvolvedores para não por todos os seus ovos nesta cesta.

Resumo da ópera:

Falando em português utilizado no Maracanã: o pau vai comer. Vai ser briga de cachorro grande e em briga de cachorro grande melhor não se meter.

Minha dica para você: se não aprendeu Java não aprenda. Use C/C++, aprenda uma linguagem interpretada legal como Python, aprenda Lua (Lua foi desenvolvida no TeCGraf da PUC-Rio, onde trabalhei alguns saudosos anos) . Pode ficar tranquilo que se vive muito bem sem Java.

Off-topic: O Java está em franca queda no índice TIOBE e está sendo ultrapassado pelo lendário e ancião C.

Outro texto muito bom sobre o assunto em português foi publicado no MeioBit.

Java Sucks: http://www.java-sucks.com/

Como não escrever sobre ciência

Eu gosto muito do estilo de texto do Cardoso que escreve no MeioBit. Acho que talvez seja um dos blogueiros mais talentosos do país. (Nos tribunais os advogados tecem louvoures antes de descer a lenha: –Data máxima vênia: o que Vossa Excelência diz é uma estupidez, portanto quando alguém começa um post da forma como fiz sai de baixo que lá vem paulada.)

Algumas vezes o Cardoso tem procurado escrever sobre ciência, é um tema que pelo que entendo lhe é muito caro, mas alguns textos prestam mais desserviço a ciência que o objetivo que pretendiam aduzir.

Antes que comece a tecer meus argumentos os leitores deste blog, infinitamente menos que os leitores que possui o MeioBit, poderiam honestamente perguntar: “Quem é você seu zé mané para criticar um dos maiores blogueiros do país?”

Uma resposta para esta pergunta seria passar o link para o meu curriculum lattes e mostrar que talvez alguma coisa eu entenda de ciência. No entanto a melhor resposta é: não importa quem eu sou mas os argumentos que estou trazendo.

O post de hoje do Cardoso no MeioBit faz uma análise de um experimento do Stanford Linear Accelerator Center in Califórnia que dá fortes indícios confirmatórios de uma teoria proposta nos anos 30 com relação a flutuações do vácuo, onde surgiria matéria no vácuo. A teoria é bastante complexa e não pode ser tratada aqui com mais detalhes, pretendo concentrar-me em duas conclusões que o autor do post no MeioBit tira:

Matéria, nova, zero km, inexistente até alguns momentos atrás. Enquanto alguns histéricos “alertam” contra cientistas criando Vida em laboratório, em 1997, ano da experiência cientistas criaram MATÉRIA a partir do NADA.

Outras partículas como Neutrons e Prótons demandam fótons mais energéticos, mas a técnica de criação (ou deveria dizer Criação?) é a mesma.

A afirmação não é verdadeira. Não houve uma criação a partir do nada, o nada é um conceito filosófico muito mais complexo que o vácuo. O nada está relacionado a ausência de ser e não a ausência de matéria. No entanto ao escrever a palavra Criação com maiúscula o autor parece querer inferir de um experimento que foi muito importante um sentido transcendente que muitos físicos honestos não ousam fazer.

Outro trecho menciona:

Quer dizer: Não só estamos criando partículas do nada, como para isso estamos afetando a própria estrutura do espaço-tempo. Nada mau para uma espécie que 500 anos atrás matava gente por dizer que o Sol não girava em torno da Terra.

Esta sandice histórico científica não pode ficar sem contestação. O autor a menos que ele conheça outra pessoa deve estar se referindo ao caso Galileu Galilei e insinuando que ele teria sido morto por dizer que o Sol não girava em torno da Terra. Galileu Galilei morreu aos 77 anos de causas naturais, e não foram as mesmas causas naturais que mataram o Tim Lopes, foi provavelmente uma fibrilação atrial que culminou num acidente vascular cerebral. Numa época em que a expectativa de vida era algo em torno de 35 anos pode-se dizer que Galileu morreu “de velho”. Não vou entrar aqui em discussões históricas sobre o processo do Santo Ofício contra Galileu mas pode-se afirmar com toda a certeza que nenhuma pessoa que queira ter honestidade intelectual pode afirmar que Galileu foi morto por dizer que o Sol não girava em volta da Terra. Ele sim foi condenado por uma série de erros de eclesiásticos e do próprio Galileu que é fácil avaliar em retrospectiva mas não julgar sem levar em conta as circunstâncias históricas.

Em resumo, este texto não tem como objetivo criar uma celeuma com o MeioBit ou o Cardoso, mas mostrar que não podemos tirar inferências infantis de experimentos científicos sem o risco de prestar um desserviço a ciência.

Blackberry Torch 9800 – Webkit finalmente

Parece que o HTML5 veio para ficar e que o Webkit, pelo menos no mundo Mobile vai dominar as tecnologias de navegação.

Ao observar o lançamento do Blackberry Torch 9800 vemos que a fabricante canadense rendeu-se ao bom senso e entendeu que os executivos gostam de e-mail mas que dava para fazer isto em outros aparelhos que não o Blackberry. Percebeu que os executivos também gostam de ver sites de esportes, usar web apps, etc.

A resposta foi o Blackberry OS 6, por enquanto previsto para o final do terceiro trimestre de 2010 e o lançamento do Blackberry Torch 9800.

As configurações são de respeito para um Blackberry:

Optical trackpad
Tela capacitiva
Teclado QWERTY
Wi-Fi 802.11b/g/n
GPS
Câmera 5mpx (grava video vga)

Parece que outros modelos da Blackberry vão ganhar o upgrade para o BBOS 6.0, mas isto mostra que eles estão correndo atrás do prejuízo.

Os pontos fracos deles no entanto são:
1- Loja de Aplicativos com poucos aplicativos
2- Não tem Aplicativos pagos no Brasil
3- Exige plano de dados específico (BIS ou BES)

Consertando os ítems 1 e 2 melhoraria muito.

Um fato da computação gráfica que pouca gente sabe

Olhe a figura a seguir:

Tenho certeza que você já viu a imagem acima ou algo similar. É uma comparação do modelo de iluminação de Henri Gouraud de 1971, com o Modelo de Iluminação Phong de 1973-1975

Pouca gente sabe porque o modelo melhorado se chama Phong. Ele recebeu este nome porque foi desenvolvido por um aluno de doutorado vietnamita chamado Bui Tuong Phong.

Phong fazia seu doutorado em Utah quando recebeu a notícia de que devido a uma leucemia, tinha pouco tempo de vida. Segundo seus colegas isto não o fez desistir do trabalho e concluiu sua tese de doutorado deixando este modelo de iluminação que foi muito importante para a computação gráfica e morreu pouco tempo depois.

Além da homenagem a Bui Tuong Phong (Hanoi, 1942 – California, 1975) fica uma pergunta existencial para o leitor. Que motivação tem uma pessoa para seguir trabalhando em seu doutorado mesmo sabendo que vai morrer?

Ainda sobre o keynote de Steve Jobs. RIM e Nokia retrucam

Disclaimer: Este assunto não é uma unanimidade dentro do Zeletron. Somos quatro que escrevemos aqui e esta opinião é minha. Creio que mais um dos quatro é parcialmente favorável a ela e outros dois são contrários.

No keynote de ontem, Steve Jobs, enfrentou o problema de frente no bom estilo Balmer e Bill Gates. Durante a sua apresentação que vale a pena assistir pelo menos para conhecer o estilo de marketing do cara ele mostrou o problema da degradação de sinal quando se encosta na antena acontecendo num Blackberry 9700, num HTC Android e num celular Windows Mobile 6.5 que não recordo agora. Muito de passagem falou que é um problema comum de todos os outro fabricantes de smartphones como Nokia e Motorola e etc.

Hoje vi que a RIM que foi usada na demonstração soltou uma nota em que diz que não há problema nos Blackberries, que eles fazem design de antenas há anos e que o problema é da Apple e que eles não tem nada a ver com isso:

“Apple’s attempt to draw RIM into Apple’s self-made debacle is unacceptable. Apple’s claims about RIM products appear to be deliberate attempts to distort the public’s understanding of an antenna design issue and to deflect attention from Apple’s difficult situation. RIM is a global leader in antenna design and has been successfully designing industry-leading wireless data products with efficient and effective radio performance for over 20 years. During that time, RIM has avoided designs like the one Apple used in the iPhone 4 and instead has used innovative designs which reduce the risk for dropped calls, especially in areas of lower coverage. One thing is for certain, RIM’s customers don’t need to use a case for their BlackBerry smartphone to maintain proper connectivity. Apple clearly made certain design decisions and it should take responsibility for these decisions rather than trying to draw RIM and others into a situation that relates specifically to Apple.”

– Mike Lazaridis and Jim Balsillie

A Nokia também soltou um comunicado longo. E isto me chamou a atenção, porque ela foi brevemente citada, en passant, nem se dignaram mostrar algum dos aparelhos dela e parece pela nota que foi massacrada…

As we’ve all seen, Apple had mentioned Nokia in their press conference today regarding the iPhone4. I wanted to take a moment and send you a statement regarding Nokia’s own antenna design and function.
Antenna design is a complex subject and has been a core competence at Nokia for decades, across hundreds of phone models. Nokia was the pioneer in internal antennas; the Nokia 8810, launched in 1998, was the first commercial phone with this feature.
Nokia has invested thousands of man hours in studying human behavior, including how people hold their phones for calls, music playing, web browsing and so on. As you would expect from a company focused on connecting people, we prioritize antenna performance over physical design if they are ever in conflict.
In general, antenna performance of a mobile device/phone may be affected with a tight grip, depending on how the device is held. That’s why Nokia designs our phones to ensure acceptable performance in all real life cases, for example when the phone is held in either hand. Nokia has invested thousands of man hours in studying how people hold their phones and allows for this in designs, for example by having antennas both at the top and bottom of the phone and by careful selection of materials and their use in the mechanical design

Agora, vamos aos fatos. Obviamente que não acreditei no Steve Jobs de cara. Fiz o teste. Com um Blackberry 8520 o sinal caiu considerávelmente se você segura com a mão esquerda apertando. Inclusive caiu uma ligação coisa que não costuma acontecer nos BB. Já no Nokia também o problema existe. No 6120c chega a ser piada. Apertou muito cai a ligação. Alem de quase fritar sua orelha em ligações em 3G. Já no E71 o problema é menos perceptível embora exista.

O fato é que o Steve Jobs deu a cara para bater. Foi corajoso. No caso da RIM eu acho que a nota teve um tom moderado diante da exposição que ela teve na apresentação. A da Nokia na minha opinião foi patética (note que patético não é o que você pensa) considerando os recentes micos que ela produziu: N97 …

Mas o debate está aberto e é interessante para a indústria como um todo.