Windows Phone 7.5 (Mango), impressões de um usuário

Este post vai ser um pouco diferente. Primeiro por não ser escrito pelo editores tradicionais do blog mas sim por um de nossos leitores, o Mark Bierast. E, segundo, por não se tratar de um review, mas da impressão de uso dele do sistema WP7.  Gostaria de agrader antecipamente ao Mark pelo tempo investido em escrever e compartilhar este texto com todos nós. Espero que venham outros ! Com vocês, Mark Bierast.

——

Este post não se trata de um review do Windows Phone. Como existem hoje vários aparelhos rodando Windows Phone, não seria justo focar em apenas um. A ideia do post é compartilhar a impressão do sistema, após alguns dias de uso. Vocês provavelmente não me conhecem, mas sou um usuário de longa data do iOS, tendo começado com o iPhone 3G, depois o 3GS e finalmente o iPhone 4.

Então, como explicar então um usuário de iOs comentando sobre Windows Phone? Simples, antes de mais nada, não sou fanático por nenhum sistema ou marca, sou um entusiasta de tecnologia em geral, principalmente em dispositivos móveis. Atualmente tenho em casa um iPhone 4, um Nokia E5 e, a última aquisição, um HTC Trophy rodando Windows Phone 7.5 (Mango), sobre  qual vou escrever um pouco aqui.

Desde o lançamento do WP, venho prestando atenção no sistema e lendo sobre ele na internet, já que me pareceu algo bem diferente de iOS ou Android (sim, já usei bastante o Android também, sendo que o último aparelho foi um Samsung Nexus S Branco, lindão) e muito embora os usuários detestem admitir, acho os dois sistemas (iOS e Android) muito parecidos, tanto em funcionalidades quanto em interface. Na minha opinião, ambos são uma evolução da interface do Palm OS, sistema que deu origem a minha paixão pela área (comecei com um  um Pilot e usei até o Tungsten). Quando digo interface me refiro à lógica de apresentar vários ícones, um ao lado do outro, que abrem aplicações ao serem tocados.

Embora funcionem muito bem, ambos os sistemas acabam tendo a mesma forma de operação, diferindo nos detalhes. Por exemplo, um tem widgets e outro não, em um pode-se personalizar a Lock Screen e no outro não, etc. No entanto, isto não altera o mecanismo fundamental de operação,  ambos tem vários ícones que abrem aplicações ao serem tocados.

Diante desta “mesmice”, eu achei o Windows Phone como um sistema com personalidade própria e, após algum tempo de uso, posso afirmar que ele é bem diferente no funcionamento também. A melhor explicação para diferenciar os sistemas que encontrei foi em um podcast que costumo ouvir (crédito ao Coca Tech e ao apresentador Gustavo Faria) onde ele dizia, em linhas gerais, que enquanto o Android e iOs funcionam basicamente focados em aplicações enquanto que o WP funciona em cima da pessoa, da comunicação online e todas suas vertentes. Entenderam? Não? Eu explico.

Ao ligar o Windows Phone, pode parecer bem esquisito, mas ele pede a sua ID do Windows Live (coisa que não tenho). Pulei essa parte e pensei ”droga, já não vai funcionar direito”. Ledo engano! Ele ligou e então fui explorar um pouco o sistema e me acostumar um pouco mais com os “quadradinhos” (tiles, em inglês e que a Microsoft traduziu como “blocos dinâmicos”) da tela inicial do sistema. Vocês podem pensar nela como a tela inicial do Android, pois é a que fica antes da tela dos aplicativos. Até aí, tudo bem, o sistema de organizar os blocos dinâmicos é muito parecido com o Android ou iOS. Basta tocar e deixar o dedo e pronto, pode-se mudar a posição deles. Alguns tem animações, como os dos contatos, da aplicação “EU”, que falo daqui a pouco, e aplicações de terceiros também, como o Foursquare, previsão do tempo, entre outros.

 

Blocos dinâmicos do WP7

Mas voltemos a minha descoberta. Tratei logo configurar o Mail, coloquei minha conta do Gmail lá, ele aceitou de primeira e já começou a sincronizar. No entanto, quando saio do aplicativo de volta a “home”… meu bloco dinâmico dos contatos estava com várias fotos que tenho salvo nos contatos do Google rodando na tela principal. Ou seja, ele puxou os contatos do Google e já estavam no telefone. Vocês podem pensar: “grande coisa, meu Android faz isso desde sempre”. Mas a questão é essa, não é um Android com a alma do Google, isso aqui tem alma Microsoft. Eu gostei. Depois fui visitar o Marketplace para ver a quantas anda e,  aí sim, tive que criar um ID da Microsoft, pois sem ele nada de loja. No fundo isso se resumiu a criar um email no hotmail e funcionou a contento.

Com o acesso ao Marketplace ok, fui explorar a lojinha do Balmer. A primeira coisa que procurei foi o Twitter. E lá estava ele, embora muitos me falassem que não estava na loja aqui do Brasil, ele existia sim, apesar de todo em inglês, mas disponível. Baixei. Nada diferente dos demais sistemas. Tocou em cima, autorizou. Ele instala, sem sustos nem mistérios.

Após instalar, lá vou eu configurar o dito cujo. Tranquilo, configurou de primeira e permanece funcionando aqui. O que senti falta? Das notificações! O aplicativo não fornece atualizações automáticas, não avisa quando chega uma mensagem direta (DM), não avisa menções, nada. Mas para isso temos o aplicativo nativo “EU” que é mais um quadradinho na tela inicial e que eu não tinha a menor ideia para que servia. Mas pensando logicamente, imaginei que se ele puxou todos meus contatos do Google, deveria funcionar da mesma forma com os demais serviços que uso na Internet. E é isso mesmo, cliquei no dito cujo e ele pede para configurar quase tudo que se usa socialmente na Internet, como Twitter, Facebook, Gmail, tudo. Lá fui eu autorizar a Microsoft a ver todos meus dados online e, após configurar tudo, outra surpresa. O aplicativo é um agregador de tudo relacionado a você nessas redes, ele avisa (sim, no bloco dinâmico e na aplicação) que você foi mencionado aqui, que publicaram algo no Facebook relativo a sua conta acolá, e por aí vai. Um resumo bacana, já que tudo o que ele mostra é relativo de alguma forma a você, não à sua timeline toda.  Mais foco e menos perda de tempo, na minha opinião.

Agregação do "EU"

Foi aí que comecei a entender o funcionamento do Windows Phone e a proposta dele. Focar no usuário, não na Internet toda. É claro que ele tem um navegador, tem os aplicativos como os outros sistemas, mas todo o foco é em cima do usuário do smartphone. Ou seja, para quem gosta de interagir na Internet é perfeito, o aplicativo nativo EU deixa isso muito claro.

 

EU, foco no usuário

Mas como não só de redes sociais vive o usuário, vamos em frente. Outra coisa que sempre gostei no iOS e que me prende a ele é o Itunes. Tem quem deteste, mas eu sempre gostei, seja pela obrigação de ter minhas músicas e principalmente meus podcasts (sou viciado em podcasts) organizados, gerenciados de uma forma bem organizada. Isto representa grande parte do meu uso no iPhone. Como gosto de fazer caminhadas e academia, ele sempre foi meu companheiro nessas horas. Quando se pratica esportes, quanto menos aparelhos se leva, melhor. Então nada de levar iPod, celular, carteira, etc. Prefiro um aparelho que agregue tudo, é mais prático.

Mas, e agora? Poxa, iTunes lembra Apple, que lembra iOS, que lembra iPhone, correto? Errado! O Windows Phone se conecta com o iTunes perfeitamente, sem gambiarras, sem “jeitinho”, basta baixar o Conector para Mac no site do Windows Phone, marcar o que quer sincronizar, sejam músicas, Podcasts, Vídeos, Fotos (ele manda as fotos para o iPhoto) e pronto. Espetou o WP no Mac (sim, aqui um detalhe, uso Mac em casa como meu computador principal) e ele já começa a sincronia perfeitamente, desconectou, está tudo no WP. Ouviu um Podcast? Ele exclui na próxima sincronia, igual ao iPhone. Ou seja, não tive nenhum contato com o programa Zune que é necessário para sincronizar o WP no PC. Eu diria que é mais fácil ele interagir com o Mac que com o próprio Windows. Estranho, mas é assim, da mesma forma que eu usava o iTunes no Windows sem problemas.. Na minha opinião, uma ótima sacada da Microsoft, não colocando empecilho tanto na sincronia com o Mac como na sincronia com o Google. Sem dúvidas isso pesou muito para eu gostar do sistema, já que eu não tenho preconceito com nenhuma plataforma, não quero que meu gadget tenha também.

As fotos, sim, as fotos! Isso vai depender muito do aparelho, lentes, etc, então vamos focar no aplicativo, não na qualidade delas ok? Como já tinha me cadastrado em tudo que é lugar no “EU”, assim que a foto é tirada, podemos escolher para onde mandar. Facebook? Fácil, Twitter? Idem. Email? Melhor ainda. Mais uma vez ele mostra toda sua rede pessoal e é só escolher. Clicou, tá lá, e faz isso bem rápido (igual ao iPhone, mesma velocidade). Muito prático também.

Da mesma forma que quando acessamos os contatos, ele já “puxou” os dados dele, então vão aparecer as opções para contatar a pessoa: Facebook, Celular, Casa, email, etc. Tudo comum clique.

As configurações do aparelho em si também são bem simples, sem nenhum mistério. Mas ele não permite muita personalização. A tela de bloqueio é ela mesmo e pronto, no máximo mudar o papel de parede. Pode-se mudar as cores do quadradinho e não muita coisa além disso. É claro, é possível personalizar os avisos, toques, etc, mas nem perto do que os mais nerds fazem com os Androids e afins (imaginem ainda o finado N900, o rei das personalizações).

 

Tela de entrada das configurações

O sistema em si é rápido e fluído, mesmo o Trophy sendo um dos primeiros aparelhos a vir com o Windows Phone embarcado e recebendo o update para o Mango,  ele está muito rápido e fluído. Em meus cinco dias de uso, não tive nenhuma travada, nenhuma reinicialização, nada do tipo, mas assim como qualquer smartphone, ele também gasta muita bateria. Mas me surpreendi ao chegar ao final do dia com cerca de 30% de bateria para o meu uso. Em geral fico conectado direto, com WiFi habilitado e 3G também, usando por cerca de 2h/dia de MP3 (olha os podcasts aqui).

Ele tem um GPS bem competente também, muito embora ainda não tenham mapas para o Brasil, a dona Nokia com o Lumia 800 e seu Nokia Drive deve mudar isso bem em breve. No Foursquare ou RunKeeper (sim, ele existe para WP já) ele fica bem rápido e com uma boa precisão aqui.

Agora, a pergunta que todos me fazem: ele é melhor que o Android? Que o iOS? Vai mudar do iOS para ele? Bom, eu diria que desde que passei a usar o Windows Phone, meu chip principal ficou nele, não voltou ao iPhone. Mas claro que cada usuário tem seu uso específico e isso é o que acaba pesando na escolha do aparelho. O sistema tem me suprido muito bem em minhas necessidades móveis e não senti falta de algo que me fizesse correr de volta ao iPhone, coisa que ocorreu em mais ou menos dois dias com o Android. Mas, como eu disse, esta decisão é completamente dependente do seu uso.

Hoje, como o Windows Phone é mais focado especificamente em minhas atividades na Internet, eu passo menos tempo com o smartphone na mão, o que me rende mais tempo com outras coisas, o que não deixa de ser bom também. Mas bem que podiam implementar algumas notificações a mais, não é Microsoft? Quem sabe na próxima atualização, pois na última (esta semana) já posso usá-lo como hotspot WiFi e o Marketplace, cresce todo santo dia.

Acho que com isso demos uma boa “pincelada” inicial no sistema, pelo menos na parte nativa dele. Existe muito mais a respeito dele a ser dito, mas caso gostem e meu amigo Marcelo me convide novamente, podemos falar sobre a loja e alguns aplicativos em especifico. É só comentarem o post !

Abração pessoal, e foi um prazer.