Use sua partição do Bootcamp sem precisar sair do Mac OS X

Eu gosto do Mac e acho que quase tudo que eu usava no Windows tem uma versão ou uma alternativa que rode nativamente nele. No entanto, há algumas poucas coisas que não consigo fazer com ele. O Visual Studio, por exemplo, é um dos programas que eu acho que não vão ser portados para Mac tão cedo.

Uma solução é gastar R$200,00 no Parallels e mais R$90,00 a cada atualização para poder rodar o Windows de dentro do Mac. A performance não é ruim, mas eu acho muito caro e, se você deixar de comprar uma atualização, não tem direito a comprar uma outra com desconto. A política da Parallels não é das que mais pensam no consumidor, muito pelo contrário e, talvez por isso, tantas pessoas têm migrado para soluções mais baratas ou grátis, como VMWare e Virtualbox.

Outra solução para isso é instalar o Windows em numa partição através do Bootcamp e, quando quiser usar o Windows, reiniciar o computador por ele. Desta forma a performance é igual à de um Windows sendo executado num PC, já que não está sendo executado em conjunto com o Mac OS X. O que acontece é que há vezes que você precisa fazer uma coisa rápida no Windows e gostaria de poder rodar o programa sem ter que reiniciar o computador.

Ontem eu consegui fazer o VirtualBox, que é gratuito, executar o Windows da minha partição do Bootcamp de dentro do Mac, sem precisar criar outra imagem de disco. Desta forma ele acessa a própria partição para executar o Windows e você não precisa sair do Mac e parar o que está fazendo lá.

Este tutorial supõe que você já tenha o Windows instalado numa partição e que consiga usá-lo pelo Bootcamp. Eu estou usando o Mac OS X 10.9.5 e o VirtualBox 4.3.16. Além disso, você precisa ter coragem para usar o terminal do seu Mac. 🙂

1. Instale o VirtualBox no seu Mac:
Vá ao site do VirtualBox e baixe a última versão para Mac OS X. O link é este aqui. https://www.virtualbox.org/wiki/Downloads

2. Verifique as partições do seu disco:
Depois de instalar o VirtualBox, abra o Terminal (Eu costumo abrir pelo Spotlight) e digite o seguinte comando:

sudo diskutil list

O programa vai pedir uma senha. Use a sua senha de login no Mac.
A resposta será algo assim (dependendo do seu disco):

/dev/disk0
   #: TYPE NAME SIZE IDENTIFIER
   0: GUID_partition_scheme *500.1 GB disk0
   1: EFI EFI 209.7 MB disk0s1
   2: Apple_HFS Macintosh HD 370.5 GB disk0s2
   3: Apple_Boot Recovery HD 650.0 MB disk0s3
   4: Microsoft Basic Data BOOTCAMP 128.8 GB disk0s4

No caso do meu disco, a partição do meu Windows é a número 4 e usa o device disk0s4, que está em /dev/disk0s4

Atenção: Guarde esta informação acima. Eu vou usar /dev/disk0s4 até o fim do post, mas esse valor pode ser diferente no seu. Use o disco que estiver a sua partição do Bootcamp.

3. Desmonte a partição do Bootcamp.
Por padrão, o Mac monta a partição do Bootcamp toda vez que inicia. No terminal, digite o seguinte:

sudo umount -f /Volumes/Bootcamp

4. Mude as permissões de acesso do /dev/disk0s4.
O Windows ou o Bootcamp protegem a partição cada vez que você inicia o computador por ele, mas o VirtualBox precisa ter acesso total a ela para funcionar. Execute o comando abaixo no terminal:

sudo chmod 777 /dev/disk0s4

5. Crie um disco virtual que aponte para a partição do Windows.
Em seguida, crie o disco Virtual. Não se preocupe com espaço, ele não vai copiar a partição inteira para esse disco virtual, só vai fazer dois arquivos para guardar as informações de acesso à partição.
No terminal digite o seguinte comando:

sudo VBoxManage internalcommands createrawvmdk -filename Win7.vmdk -rawdisk /dev/disk0 -partitions 4
Atenção de novo! o parâmetro /dev/disk0 está certo. Não mude!
O número 4, logo depois de -partitions, é o número da sua partição do Windows.

Este comando irá criar dois arquivos na sua pasta Home, Win7.vmdk e Win7-pt.vmdk. Não mude de pasta esses arquivos!

6. Mude a permissão dos arquivos criados.

No terminal, digite o seguinte comando, trocando [[NOME DO SEU USUARIO]] pelo nome do seu usuário.

sudo chown [[NOME DO SEU USUARIO]] *.vmdk

Caso você não execute esse passo ou não execute o passo 4, você vai receber uma mensagem de erro do VirtualBox com o seguinte código: VERR_ACCESS_DENIED

Estamos quase lá! Coragem!

7. Crie a máquina virtual no VirtualBox

Inicie o VirtualBox e crie uma nova Máquina Virtual chamada “Win7” e selecione a versão do seu Windows (no meu caso era Windows 7 64bits). Eu coloquei um pouco mais de memória que o recomendado (512MB). Sugiro que você coloque pelo menos 1024, ou mais, se seu Mac permitir.

Na hora de escolher o disco, marque a opção “Do not add a virtual hard drive”. Nós faremos isso depois. Ele vai reclamar que não tem disco. Basta clicar em Continuar.

8. Configure a máquina virtual e adicione o disco virtual

Selecione a máquina virtual Win7 e clique em “Settings”. Clique em “System” e depois em “Processor”. Aumente para 2 o número de CPUs para você ter mais performance.

Depois clique em “Display” e aumente a memória para 128MB e marque as duas “Extended features”.

Por último clique em Storage. Selecione Controller: IDE. Mude o type para ICH6 (pelo que eu li, não funciona direito com PIX3 ou PIX4).

Depois clique em “Add attachment” (um disquete com um +) e escolha add Hard Drive. e clique em “Choose existing disk”. Vá para a pasta que você salvou o arquivo Win7.vmdk (se você fez como eu falei acima, ele está na sua pasta Home) e escolha ele.

Clique em “Ok” e corra para o abraço! Você já pode iniciar sua máquina virtual. Clique em Start e veja que maravilha!

9. Crie um script para liberar as permissões antes de executar o VirtualBox

Toda vez que você reinicia o computador, o Mac monta a partição do Bootcamp e muda as permissões para protegê-la. Para executar o seu Windows sem precisar entrar no terminal toda hora, crie um Apple Script conforme abaixo e salve no seu Desktop:

--Make the BOOTCAMP Partition writeable
 
do shell script "chmod 777 /dev/disk0s4" with administrator privileges
 
tell application "Finder"
 
	if exists "BOOTCAMP" then
 
		--Eject BOOTCAMP Volume if Mounted
 
		do shell script "umount -f /Volumes/Bootcamp" with administrator privileges
 
	end if
 
end tell
 
--Launch Virtual Machine
 
do shell script "vboxmanage startvm Win7"

Para fazer isso, vá no Spotlight e busque AppleScript Editor. Cole o texto acima no editor e clique em “Compilar”. Depois salve o arquivo no seu Desktop. Sempre que quiser usar, clique no ícone do script e mande executá-lo.

Fontes:

http://www.kevinrockwood.info/2010/04/windows7-in-osx-with-bootcamp-and-virtualbox/
https://www.virtualbox.org/manual/ch09.html#rawdisk
https://www.virtualbox.org/wiki/Migrate_Windows

Windows 8

Há alguns meses que venho utilizando o Windows 8 e, com o lançamento deste na sexta-feira, vale à pena escrever um pouco sobre isto.

Talvez, se você acompanha o blog, possa estar se perguntando: porque você escreveu na hora sobre o lançamento do iPad Mini e dos outros produtos da Apple e levou mais de 24 horas para falar do Windows 8?

Eu diria que a principal razão é o fato de os eventos da Apple serem algo bacana mas que acontecem com muita frequência. Já o lançamento de um sistema operacional “for end users” da Microsoft é um evento que de 1995 até 2012 aconteceu 8 vezes (95, 98, Me, 2000, XP, Vista, 7 e 8).

Em 24 de Agosto de 1995, na Noite de São Bartolomeu (AKA: Noite das Garrafadas), a Microsoft lançou seu sistema mais revolucionário em termos de “end-user”. O Windows 95 mudou a computação pessoal e foi um sucesso absoluto.

O mesmo ocorreu em 25 de Junho de 1998, o Windows 98 foi um excelente salto de qualidade, principalmente a versão 2 dele lançada 10 meses depois.

Outro acerto da Microsoft ocorreu em 17 de Fevereiro de 2000, quando resolveram fazer uma grande modernização no Windows NT que servia para desktop. O Windows 2000, apesar de ter tido pouco tempo como o topo de linha da Microsoft foi um excelente sistema.

O mesmo não pode ser dito do malfadado Windows Me, lançado em 14 de Setembro de 2000. Aquele que era chamado de Millenium Edition foi apelidado de Mistaken Edition. De fato o Me não foi um bom sistema.

Mas em 25 de Outubro de 2001 veio aquele que foi um dos mais importantes lançamentos da Microsoft de todos os tempos, o Windows XP. Mesmo onze anos depois o XP é ainda utilizado por 34% dos PC’s no mundo.

Em 2007, em 30 de Janeiro, a Microsoft lançou o Windows Vista. Embora fosse um avanço com relação ao XP, foi visto por muitos como um novo Windows Me e devido a demanda de Hardware que tinha muitos diziam que era lento. Definitivamente não agradou, tanto que passados 5 anos é usado por 5% dos PC’s no mundo.

Então em 22 de Julho de 2009 a Microsoft acertou novamente no alvo e o Windows 7 foi um sistema muito redondo que  conseguiu ser rapidamente adotado e hoje é o sistema operacional mais usado no mundo.

E por fim chegamos ao dia de ontem, 26 de Outubro de 2012, quando o mundo todo teve acesso ao Windows 8. Com uma interface bastante nova em termos de sistema operacional gráfico e com uma proposta de atender o mundo PC mas também o mundo Tablet e com modificações o mundo Celular parece estar muito mais para os casos do XP, 95, Windows 7 que para os casos do Me e Vista.

Minha avaliação do Windows 8 até agora tem sido muito positiva. No mínimo é um grande avanço com relação ao Windows 7, provavelmente vai ajudar a Microsoft a continuar dominando o mundo PC por muitos anos.

Não custa lembrar que no mundo PC (ou desktop/notebook) a Microsoft tem 92%, a Apple 7% e o Linux coitado 1% (arredondando para cima).

Vida longa ao Windows 8, vida longa à Microsoft!

Veja sua partição do Linux no Windows

Outra coisa que todo mundo que tem Windows e Linux no mesmo computador precisa e procura fazer é ter acesso (ler e escrever) aos dados da partição Linux no Windows e Vice versa.

Quando você está no Linux, montar uma partição FAT32 ou NTFS é muito simples e todo mundo consegue fazer sem instalar nada. O inverso não é tão simples assim.

O Windows até hoje não tem suporte nativo a partições Ext2 ou Ext3, e, por isso, é preciso instalar um programinha que dá acesso a partições do Linux no Windows e cria um drive a mais no seu computador.

A solução para isso é o Ext2IFS, um programinha hiper simples e gratuito. Depois de instalado você verá um (ou mais) drives extras no seu Windows e poderá acessá-los normalmente, conforme as figuras abaixo.

ext2-1

ext2-2

Para baixar o programa, clique aqui.

Ele funciona sem nenhuma “malandragem” nos Windows NT4.0, 2000, XP, 2003, Vista e 2008, tanto nas versões de 32 bits quanto nas de 64 bits.

Para que ele funcione com o Windows 7, é preciso fingir que o Windows é o Vista, clicando com o botão direito no arquivo de instalação e escolhendo o modo de compatibilidade do Windows Vista, conforme a figura abaixo.

compatibilidade

Boa sorte!

Dá para viver sem Windows? Parte 1 – Crossover

Não, infelizmente ainda existem alguns programas que só funcionam no Windows, mas, 90% do meu tempo, como muitos já sabem, eu uso o Ubuntu.

Escolhi essa distribuição do Linux por causa do desenvolvimento ágil que ela tem apresentado. Outra opção que eu escolheria seria a mãe do Ubuntu, a Debian.

Essa série vai falar sobre a vida que existe além do Windows e do MacOSX. O primeiro programa que vamos falar é do CrossOver.

Eu até diria que dá para viver sem o Windows, mas não consigo viver sem o Microsoft Office. Então, como fazer para juntar as duas coisas?

O CrossOver é um programa comercial que tem por objetivo permitir que programas nativos do Windows sejam executados no Linux (no Mac também, mas não vem ao caso).

Ele é baseado no famoso Wine, um projeto opensource que tem o mesmo objetivo. (http://www.winehq.org/)

A diferença entre o Wine e o CrossOver é, basicamente, o suporte a aplicativos (Pacote Office, principalmente), a integração com o Desktop e a facilidade de instalar e desinstalar programas. Tudo isso é mais complicado no Wine.

Se você quer uma versão gratuita, o Wine é para você. Mas tenha em mente que vai gastar um bom e precioso tempo para deixá-lo configurado direitinho como o CrossOver. Pode ser que esse tempo valha mais do que os US$ 40,00 (R$ 70,00) que ele custa.

Para baixar o CrossOver, visite o site abaixo e escolha a versão.

http://www.codeweavers.com/products/cxlinux/

Depois de instalado, você poderá instalar vários programas no seu Linux, que nem sonharia em ter, tais como o MS Office (eu uso o 2007 sem problema nenhum), Photoshop, Notepad++, DreamWeaver, dentre outros. Com um pouco de paciência você consegue instalar até o AutoCAD!

Eu ainda não consigo viver sem o Windows por causa do Ovi Suite, o Nokia Software Updater e o Nokia Music. Na hora que eu conseguir instalar isso no Ubuntu, não vou mais precisar do Windows. Não que o Windows seja ruim, mas o Ubuntu roda muito mais leve do que meu Vista que veio com o Notebook.

E você? Consegue viver sem o Windows?