Malaysia Airlines enquanto dura o mistério

Inúmeras pessoas tem me perguntado sobre o “acidente/incidente/sequestro/sumiço/abdução” do vôo MH 370. Muita especulação tem ocorrido e nada de muito concreto está disponível, portanto prefiro não especular, mas já que você veio aqui neste blog eu indico alguns recursos para quem quiser aprender mais sobre o fascinante mundo da aviação.

Forum Contato Radar, maior fórum de aviação do país, vários pilotos e profissionais discutem temas relacionados a aviação ali, recomendo acompanhar.

AVHerald: Todos os eventos relevantes em termos de aviação do dia.

Questões, tem um StackExchange para aviação.

Fotos de aviões? Airliners.net.

Está esperando no aeroporto e quer saber quantos anos tem a jabiraca em que vai voar? Airfleets.net

Contos sobre aviação? Leia o blog do Eder. Dali saiu a história que vai abaixo.

Caro Eder

Esta semana saiu em um jornal de Belo Horizonte que o Superintendente da Infraero para os aeroportos da Pampulha e Carlos Prates havia declarado em uma reunião no Rio de Janeiro que “No Carlos Prates, se for preciso, pode pousar até um Jumbo”. Se fosse um antigo chefe meu, estaria falando: “NEM POR UM CACE&#$!!!”. No meu entendimento isto seria impossível, certo?

Atenciosamente,

Fernando Coelho Gallo de Assis

Resposta:

Caro Fernando

Ó você errado…

Não só é possível como também bastante simples. Anote o procedimento para pouso curtíssimo, que foi testado por mim exaustivas vezes, quase todas com sucesso, e que já é aceito por várias empresas no mundo todo:

Faça uma aproximação bem estabilizada, de preferência antes do externo. Isso é importante. Procure estabilizar um pouco abaixo da rampa normal (no ILS alguma coisa com um dot mais baixo). Utilize a VRef -5 para a aproximação. A idéia é você chegar no marcador interno bem mais baixo, com full flapes e no limite da VRef. Após este ponto deixe a velocidade cair para VRef -15, certifique-se de full flapes, abra os airbrakes, encha a mão na manete de potência e pise nos freios (puxar o parking também ajuda). A aeronve estará totalmente “travada” no ar e os motores vão se encarregar de supendê-lo até a cabeceira. Note que isto é possível pelo fato do avião estar nesta posição com 25 a 30 graus de pitch e com uma razão de descida de uns 800 fpm. Ao cruzar a cabeceira basta reduzir um tiquinho o motor que a aeronave cai suavemente na própria sombra. Como os freios já estão acionados, o avião pará antes de terminar a sombra… Uma dica: devido ao pitch elevado, o leme tende a ficar em uma “zona morta”, sem eficiência. A utlização dos ailerons para correção de eixo é um pouco desaconselhável e complicada. Nos multimotores, com o 747, o procedimento de correção de reta é facilitado pela utilização diferencial dos motores externos, o que pode ser feito pelo copila se ele não for um Zé Mané.

Li um artigo numa revista especializada (acho que era Contigo, não lembro) em que é possível, para operações habituais em pistas curtas e altas, a instalação de uma âncora no cone de cauda, semelhante ao gancho utilizado nas aeronaves que pousam em porta-aviões, equipamento que é reconhecidamente eficiente para pousos curtíssimos.

Um abraço,

Eder

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Grande Eder

Está perfeita sua argumentação para o pouso! Vou mandar para umas listas que frequento, onde o povo acha, assim como eu achava, que não dá para pousar. Mas, a não ser que a companhia queira ganhar dinheiro vendendo ingresso pra minerada conhecer o jumbo e tirar foto com a mão na manete, como que eles vão tirar o bicho de lá?

Lembro que Charss Pratss está no alto de um morro e as ruas prá lá são estreitas… convinha que ele saísse voando.

Fernando C. G. Assis

Resposta:

Amigo Fernando

Uma dúvida pertinente. Essa é outra situação não prevista nos manuais de operação das aeronaves, a famosa OT -1 (leia: ó tê traço um), mas perfeitamente possível de executar.

Pratiquei muitas vezes com aeromodelos, e em todas funcionou. No Aerobueiro, com marcações na pista, também funcionou na maioria das vezes. Falta achar um barranco para testar o afundamento após a decolagem…

Mas vamos lá: em uma decolagem normal geralmente colocamos flapes 15, aplicamos potência até o limite e, com pista sufuciente, chegamos até a VR. Jóia. Mas e com pista curta? Eis a questão… confesso que uma decolagem de pista muito curta dificilmente termina em sucesso. Mas avaliando o Carls Pratiss observamos que existe uma situação promovida pela natureza que nos auxilia: a pista fica no topo de um cocuruto! Este simples fato viabiliza as operações comerciais em pistas até mais curtas, como as que tenho testado com aeromodelos em minhas andanças pelo mundo. Anote o procedimento:

Antes um procedimento de solo. Vá até o fim da pista e calcule o ponto PAF. Mais pra frente você vai saber o que é. Este ponto é dado pela fórmula:

             TC8 = Cp*(Alt / PAt * 0.0873) - cos(Vv*Dv/sen45)
                  --------------------------------------------
                             !Vr-(v1*v1) + 2v1*MTOW

             PAF = TC8 * hh:mm / C_Est

Onde:

Cp = comprimento da pista
PAt = Pressão altitude
Vv/Dv = Velocidade e direção do vento
hh:mm = hora precisa da decolagem
C_Est = Constante de estação do ano, disponível em uma tabela na OT-1

Pelas minhas contas, numa situação típica de decolagem ao meio-dia no verão, o PAF para o Carls Pratiss fica exatamente a 58 metros antes do fim da pista. Marque este ponto com uma bandeira amarela.

Alinhe o Jumbo. Certifique-se de que não existem obstáculos atrás da aeronave e dê uma pequena ré até os pneus principais caírem na grama. Somente os principais, a bequilha fica no asfalto. Já explico porque… Recolha os flapes e desative o auto-throtle puxando o disjuntor (para evitar que um sistema secundário restrinja a aceleração). Isso é importante. Com os freios acionados aplique potência total. Espere os instrumentos atingirem a faixa amarela (com muito cuidado, pois estamos no modo manual). Depois que os motores estabilizarem, solte os freios e leve as manetes até o ponto DPI (Depois do Painel de Instrumentos). A aeronave irá demorar um pouquinho para sair da inércia, pois estamos com os trens principais na grama (lembra?). Estes poucos segundos de atraso permitem que os motores alcancem sua potência máxima. Como a temperatura permitida na maioria das turbinas é de 2 segundos na faixa vermelha, antes desse tempo o avião já estará em movimento, e o vento relativo se encarregará de dar uma “refrescada” na turbina, evitando sua explosão. Já em movimento esqueça o painel (mesmo porque vai estar tudo vermelho mesmo) e fique de olho na bandeira amarela no fim da pista. É o PAF ou Ponto de Abaixamento dos Flapes. Até lá correremos sem flapes, para reduzirmos o arrasto aerodinâmico, e com isso atingirmos a velocidade máxima mais rápido. Inteligente isso, não? No través da bandeira amarela aplique o dobro dos falpes necessários para uma decolagem normal (neste caso 30 de flape tá bão). Nossas velocidades nesta corrida são despezíveis, pois não existe VR (a gente não roda, só faz levantar o nariz um pouquinho) e a V1 e V2 são impraticáveis. Portanto relaxe. Antes do final da pista puxe o manche até a metade do seu curso para trás. A aeronave vai levantar o nariz, mas não irá decolar. Quando a pista acabar o avião estará levemente sustentado e afundará no despenhadeiro. Não puxe o manche neste momento para evitar o toque da cauda no barranco quando as rodas caírem no vazio!!! Depois de livrar a cauda, controle a queda com o curso do manche disponível (por isso puxamos só metade, pois teremos 50% de curso pra frente ou pra trás no caso de necessidade, entendeu?). Sempre que possível alivie o manche para ganhar alguns centésimos de nó no velocimetro, de maneira que você não coloque em risco as casas que estão embaixo. Uma boa técnica de saber até onde podemos baixar o nariz com segurança é esticar o braço sobre o painel com a mão fechada. O objeto que devemos ultrapassar não deve estar abaixo do terceiro ossinho das costas da mão, de baixo pra cima. Com o tempo a gente faz isso rapidinho. A medida que a aeronave vai parando de cair, recolha os flapes. Depois disso é só chamar o controle e subir em rota…

Com prática o procedimento torna-se rotineiro.

Um abraço e lembre-se: antes de ficar na dúvida do errado, me escreva para ficar na certeza!

Eder

Espero que o avião da Malaysia tenha pousado são e salvo e que todos os passageiros estejam vivos.

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Usando a tecnologia para identificar o ladrão de chocolate

Hoje vou substituir as sete leituras de domingo por uma coisa instrutiva, engraçada e inútil.

Semana passada na hora do almoço, comprei um chocolate Nestlé Classic Zero 50% Cacau (aí Nestlé, propaganda grátis) e ao começar a abrir para degustar minha saborosa sobremesa notei algo estranho na embalagem. Parecia que estava faltando um pedaço.

Como comedor habitual deste chocolate sei que ele é composto por uma matriz 4×2 de pedacinhos de chocolate e nesta barra só havia três. Indignado fui me preparando para ligar para o 0800 da Nestlé e descer a lenha quando percebi algo curioso na superfície do chocolate: uma impressão digital!

Não era uma impressão completa, mas uma impressão parcial do polegar, o dedo que o safado que roubou meu pedaço de chocolate usou para fazer alavanca para quebrar uma das quatro partes. Isto somado a muitos episódios de NCIS assistidos fez com que baixasse o espírito de perito criminal em mim.

Com a câmera do iPhone 4S o Photoshop e a ajuda de um conjunto de plugins especializado em análises forenses consegui levantar a impressão digital.

Agora é só consultar o IAFIS. Puxa, mas não tenho acesso ao IAFIS. Não tem problema, o dono da padaria não sabe disso, levo o chocolate, a impressão digital impressa e peço outro.

Puxa, mas você gastou mais para resolver este caso que o preço do chocolate. É verdade… Bom, pelo menos me diverti, encontrei um site sobre análises forenses com Photoshop, um conjunto de plugins e achei um tema interessante para escrever.

Dois desenhos animados que formaram uma geração tecnológica

Ao ver as crianças serem demenciadas por desenhos como Bob Esponja, Ben 10 e outras baboseiras resolvi fazer este post para homenagear dois desenhos animados dos anos 80 que moldaram uma geração tecnológica no Brasil: O Pirata do Espaço e a Patrulha Estelar.

Radar, Laser, Foguetes, Computadores, tudo isto mexeu com a imaginação de muitas crianças naqueles anos e estimulou vários deles a se interessar por tecnologia.





Aqui vai uma recordação, se você sentir um nó na garganta ou deixar uma lágrima correr (não que eu tenha feito isto, que conste em ofício) não se assuste, você não está ficando velho, apenas os criadores de desenhos animados atuais não tem cabeça nem coração.

Bom feriado!

Pirata do Espaço Joe e Rita, Groizer X

Ou se corrompe, ou se omite ou vai para a Guerra!

Off-topic de sábado para os que tem filhos e os que não tem ainda.

A primeira eleição de que me lembro foi em 1982, tinha sete anos e fui com meu pai votar. Fiquei fascinado com a urna, vi meu pai ir a cabine, rezar uns segundos, escrever seu voto, dobrar e por na urna.

Confesso que do alto dos meus sete anos fiquei com inveja do poder que tinha meu pai de escolher quem ia nos governar. A solenidade do ato e a beleza da democracia comovem e formam as crianças. Em outras eleições foi minha mãe quem me levou. Sempre ficou este desejo de poder votar.

Estamos diante de uma encruzilhada em nossa nação e diante de um feriado. Tendo isto em conta penso que, respeitadas as circunstâncias de cada familia, é fundamental que os pais mostrem seu apreço pela democracia indo viajar apenas depois de votar. Atitudes como esta ficam gravadas no coração dos filhos, são lições que não podem ser transmitidas de outra forma.

Li este relato que vai abaixo na Internet e transcrevo aqui porque pode nos inspirar:

Meu pai passou por duas cirurgias contra câncer e disse que vai votar neste domingo: “Meu filho, sou contra o aborto, nem que seja a última coisa que faça em minha vida, nem que eu morra depois de apertar o confirma.”

Confesso que o coração dizia para não deixar ele ir, mas com olhos mareados prometi levar.

— Depoimento de um filho

Recomendo também a leitura da mensagem que o Santo Padre o Papa Bento XVI enviou hoje aos bispos do Maranhão e do Brasil: Aqui

Aqui não fazemos as coisas à moda brasileira

Sábado é dia de off-topic, mas hoje não será tão off assim. Conto um caso que vivenciei no começo da carreira profissional e tiro algumas conclusões.

Nos primeiros anos deste século fui enviado pela empresa em que trabalhava para a Alemanha para um curso de certificação num equipamento que estávamos adquirindo. Como era o primeiro daquele que seria vendido para o Brasil, fui acompanhado por um funcionário da filial da vendedora no Brasil que faria o curso junto comigo na Matriz.

O curso tinha como pré-requisito a aprovação numa certificação da Microsoft, já que o produto rodava embarcado numa versão customizada do antigo Windows NT4. Eu fiz a minha prova, fui aprovado e arrumei as malas para a Alemanha.

Após ter as acima mencionadas malas extraviadas na conexão de Frankfurt para Hamburgo, chegamos a uma bela cidadezinha no norte da Alemanha onde nevava sem parar, no dia seguinte começaria o curso.

Logo de manhã, no local do curso fomos recebidos por um instrutor que parecia ter saído das SS e que fez a introdução. Acabada a introdução, chegou para o meu colega, que era da mesma empresa dele, e, sem muita cerimônia, se estabeleceu o seguinte diálogo:
– O senhor não foi aprovado na prova de certificação, o que faz aqui?
– Puxa, bem, eu pensei que havia passado, não sabia que não tinha sido aprovado, etc, etc, etc
– Veja aqui a cópia que temos, o senhor sabia que não havia sido aprovado e não estava preparado para o curso, lembre-se que aqui não fazemos as coisas à moda brasileira.

Instalou-se um silêncio fúnebre e eu saí em defesa do outro brasileiro, que havia sido humilhado em frente de toda a classe. Disse que ele havia me ofendido ao dizer que fazer as coisas acochambradas era típico de brasileiro e que não iria vender mais porcaria nenhuma para a nossa empresa.

Outro silêncio funebre, o Fritz resolveu ter um pouco de jogo de cintura, pediu desculpas e admitiu meu colega de pátria, e seu colega de empresa, como ouvinte.

O caso deu um enorme quid pro quo exigindo a vinda do vice-presidente mundial da empresa ao Brasil para pedir desculpas formais à minha empresa e a mim.

Passados os anos eu vejo que não deveria ter defendido o meu colega de pátria e que, apesar da forma, o Fritz tinha razão, os brasileiros têm um certo quê de desonestidade em seu DNA. (pausa para você vociferar contra o autor deste texto e continuar a ler se tiver coragem)

Porque no Brasil se tolera corrupção da forma como se tolera? Porque se pirateia app de USD 0.99? Porque os motoristas de táxi deixam o taxímetro ligado enquanto você pega o dinheiro, para aumentar o valor da corrida? Porque se aceita que a moralidade pública possa ser violentada em praça pública quando nossos estômagos estão bem alimentados?

Mas, não, eu acho que eu não estava errado em defender meu colega de pátria. Naquela época não éramos um povo desonesto, havia sim um tom de malandragem mas não havíamos perdido a decência ainda. Hoje não defenderia mais um brasileiro de similar acusação. Diria ao Fritz: tem razão, o brasileiro é assim, apenas não generalize, existem pelo menos uns 4% de brasileiros que não são deste tipo.

Imagem - Google Images para Corrupção

Disclaimer: Estas opiniões são minhas e não necessariamente coincidem com as dos outros autores do Zeletron

662.000 SMS em um mês

Um sujeito dos EUA conseguiu a façanha de enviar 662.258 SMS num mês só e bateu o record mundial de envio de SMS.

Ele jura de pé junto que enviou tudo isso do seu iPhone 3G S, mas eu tenho cá minhas dúvidas. Supondo que cada SMS só tinha um destinatário, ele enviou uma mensagem a cada 3,92 segundos 24h por dia 7 dias por semana durante um mês.

A conta do telefone dele tinha mais de 12.000 páginas e chegou na casa dele em 3 caixas de papelão. Vejam abaixo:

att-bill-sms
Ainda bem que eu não estava nos contatos desse cara.

Nesse link você pode ver um vídeo do sujeito mostrando a conta.

Tutorial de migração do Blogger para WordPress

Dedico esse texto ao meu amigo Francis do Manéblog que foi quem me incentivou a começar um blog bem no início de 2007, e ao outro amigo (e também editor aqui do blog) Marcelo Barros de Almeida pela grande insistência em migrar o blog do Google Blogger para o WordPress e pelo aniversário dele que é hoje!

Se você tomou a decisão de migrar um blog do Google Blogger (Blogspot.com) para um servidor com WordPress, e quer um tutorial para fazer isso de uma forma prática e confiável esse é o post!

Esse tutorial não cobre a parte de instalar Apache, PHP, MySQL e nem o registro e a configuração de um domínio próprio. Você geralmente tem isso já instalado no servidor ou então consegue vários tutoriais bons a esse respeito. A idéia agora é partir dos pré-requisitos abaixo e apresentar o passo-a-passo para instalar o wordpress e migrar todos os dados do Blogger.

Requisitos para seguir esse tutorial:

  1. Um servidor com MySQL, Apache e PHP já instalados e funcionando
  2. O arquivo de instalação do WordPress mais recente (http://br.wordpress.org/)
  3. Um domínio registrado e ativo (ex.: seudominioregistrado.com.br)
  4. Uma conta no WordPress.com (opcional para as estatísticas)
  5. Bastante paciência e tempo

Vou usar os seguintes nomes hipotéticos. Você deve substituí-los pelos nomes correspondentes ao seu caso:

Nome do blog: Seu Blog
Endereço do blog: http://blog.seudominioregistrado.com.br
Banco de Dados: seublog
Usuário e Senha do Banco de dados: usuarioBD / senhaBD
Usuário do Apache: usuario-www
Grupo do Apache: grupo-www

Vamos começar com o tutorial de instalação do WordPress. Estou me baseando na versão 2.8.4, a última até hoje (Set/2009):

Continuar lendo Tutorial de migração do Blogger para WordPress

Em defesa de um amigo

Agora que o Desafio N97 terminou e já sabemos que o número do telefone era (11) 8816-9123, gostaria de deixar minha opinião sobre o que aconteceu hoje.

Indo diretamente ao cerne da questão, nada do que aconteceu hoje justificaria a enxurrada de impropérios, ameaças, difamações e tudo que se possa imaginar contra o Rodrigo Toledo (um dos editores do blog Sem Limites).

Acompanhei de perto e assisti, estarrecido, à chuva de ofensas feitas a ele em seu próprio blog pessoal e confesso que fiquei envergonhado com o baixo nível dos comentários. Uma coisa é expressar sua opinião, outra coisa bem diferente é julgar uma pessoa sem saber todos os fatos.

Certas pessoas, mesmo sem ter a menor idéia do que estava acontecendo, já o estavam julgando como culpado por todos os problemas que aconteceram e por todos os que poderiam ter acontecido. Uma coisa completamente insana e irresponsável. Fora o que foi dito no Twitter.

Conheço o Rodrigo quase desde que ele abriu o blog dele e, como me tornei amigo pessoal dele, posso garantir que é uma pessoa íntegra, esforçado pra caramba, atencioso com seus leitores (mesmo os mais inoportunos) e dedicado aos projetos com que trabalha.

Além disso, no caso concreto da falha que houve hoje de manhã no blog Sem Limites, ele foi tão responsável por aquilo quanto qualquer outro leitor, uma vez que não tinha controle nenhum sobre o problema técnico que estava acontecendo no site.

Quero, com esse post, manifestar meu total apoio ao amigo Rodrigo Toledo e lhe desejar sucesso nesses projetos que ele vem tocando. Além disso quero parabenizá-lo pela enorme paciência que teve em responder com educação uma tonelada de comentários  desaforados.

Um grande abraço!

Nokia N97 e a Gripe Suína

Lendo o título você ficou curioso? Pois é, era este o objetivo.
Já que o autor deste blog encontra-se debilitado pela gripe Obina 🙂 aproveito o espaço para falar um pouco das razões por trás do medo deste tipo de epidemia.

Em 1918 surgiu uma variante muito letal do vírus Influenza A, chamada H1N1 (obviamente na época não se tinha idéia disto) que dizimou cerca de 2% da população do planeta, 100 milhões de mortos e cerca de 900 milhões de pessoas infectadas.

A gripe espanhola foi uma infecção originaria de aves que passou para pessoas e o vírus se adaptou de forma a ser transmitido de pessoa para pessoa com grande velocidade.

Aparentemente não surgiu na Espanha, mas como a imprensa espanhola foi a única do continente europeu a falar abertamente do assunto, ficou conhecida com o apodo deste país.

A forma letal de gripe dos anos 1918-1919 tinha um mecanismo de ação muito distinto do habitualmente conhecido para a gripe comum: matava pessoas principalmente jovens e com boa saúde e preservava idosos e crianças, matava diretamente e não através de pneumonia. Aparentemente o mecanismo que levava ao óbito era uma reação imunológica violenta chamada “Tempestade de Citocinas” que consiste num mecanismo desgovernado de recrutamento de leucócitos para o pulmão que acaba por destruir o mesmo.

O medo com a atual epidemia, apesar da baixa taxa de mortalidade que vem apresentando, diz respeito ao fato de ser uma gripe oriunda de aves que foi transmitida ao porco e se adptou ao ser humano.

Como a gripe espanhola foi a doença que mais matou num surto em toda a história, as autoridades tem feito bem de ser cautelosas neste caso.

E o N97? Bom não tem nada a ver, mas precisava incluir algo de Nokia no título senão você não lia até aqui!

(Pensando melhor tem a ver sim: a máscara mais vendida pelos chineses chama-se N97: http://www.alibaba.com/product-gs/231003860/N97_anti_swine_flu_face_mask.html)

Melhoras para o autor do blog.