Coréia do Norte e as lições da II guerra mundial

Na sua magistral obra sobre a segunda guerra mundial, o prêmio nobel de literatura e primeiro ministro britânico, Sir Winston Churchill dedica o primeiro volume ao que ele chama de “Preparativos para o desastre“.

Os preparativos para o desastre são uma interessante tese de que a segunda guerra mundial tem sua responsabilidade compartilhada com o pacifismo bocó (aqui eu entrego a minha idade…). Pacifista bocó é todo aquele que sonha com a paz não como um bem, mas como uma forma de se livrar da responsabilidade de garantir a paz mais duradoura.

Um adágio latino afirma, si vis pacem, para bellum; se queres a paz, preparas-te para a guerra. Todos os que defendemos a pátria através das diversas forças armadas queremos a paz, mas sabemos que para tê-la temos que estar preparados para o combate.

Isto acontece agora na península da Coréia. Como já foi falado neste blog, aliás conheci este blog e me ofereci para escrever nele após este texto que cito, é bem provável que a Coréia do Norte não tenha meios para usar as cerca de oito ogivas nucleares que se acredita que possua. A retórica norte-coreana, liderada pelo gordinho Kim, é mais jogar para torcida que uma retórica que visa atos concretos.

Acontece que o mundo não para agora em 2013 com Kim voltando para seu Playstation 3 e o mundo indo tratar de seus negócios depois de mais uma guerra evitada. Se a guerra que Kim consegue hoje é no Battlefield apenas, é provável que em três ou quatro anos ele tenha meios de lançar suas armas nucleares em alvos americanos. Aí pode ser que ele não se contente com ameaçar e depois de criar confusão voltar para seu videogame. Pode ser que ele resolva jogar um jogo de verdade.

Além de Kim outros observam com atenção a dança de Obama e outros líderes. Em concreto o Irã. A depender de como fique a vida de Kim depois desta confusão Ahmadinejad pode achar que é um bom negócio enfrentar os EUA. Os aiatolás podem se convencer de vez que ter armas nucleares é um passe livre para nunca mais serem incomodados pelos EUA.

Da mesma forma que quando Hitler invadiu a zona desmilitarizada do Reno em 1936, anexou a Áustria em 1938 e ainda no mesmo ano tomou os Sudetos, diante o olhar passivo dos aliados, que até 1939 teriam condições de encerrar o III Reich; agora Kim pode ser removido do poder, talvez em quatro anos isto custe uma real guerra nuclear.

Não é possível aceitar agora algo que não seja uma desmilitarização da Coréia do Norte, mesmo que custe uma guerra agora. É melhor uma guerra com um país que tem ogivas mas não tem como entrega-las que uma guerra com uma potência nuclear faminta.

Chegou o momento de tomar os controles do Playstation de Kim Jong-Un. Não é um direito, é um dever.

Si vis pacem, para bellum

Nota do Zeletron: General Patton é o pseudonimo de um oficial das forças armadas que vai escrever de tempos em tempos no Zeletron sobre assuntos de tecnologia ligada a defesa. General Patton como todos os outros autores representa apenas suas próprias opiniões.

Coreia do Norte ameaça atacar os EUA com armas nucleares. E daí?

Eu nasci nos últimos anos da Guerra Fria e enquanto passava as férias em Angra dos Reis, meu tio e minha tia, que trabalhavam com energia nuclear, gostavam de nos explicar como funcionava uma bomba atômica, como era o processo de fusão e fissão nuclear. Naqueles anos, um pouco antes de Mikhail Sergeyevich Gorbachev, vivíamos ainda sob a constante ameaça de uma guerra nuclear.

Quem nasceu depois da guerra fria pode achar esquisito o medo que tínhamos da guerra atômica e do espanto que hoje tive ao ler a notícia de que a Coreia do Norte afirmou estar pronta para atacar os EUA com armas nucleares. Durante a guerra fria falar algo assim era declarar guerra. Hoje os EUA nem deram muita importância ao assunto.

Um amigo de infância que enveredou por carreira de humanas ligou e perguntou: Você acha que isto pode acontecer? Eu respondi a ele e agora detalho um pouco mais.

Pode, mas é altamente improvável pelas razões que vão a seguir.

1) A Coréia do Norte não tem provavelmente como atingir os EUA. É fato que a Coreia do Norte conseguiu colocar um objeto em órbita. Mas daí a ter um ICBM (intercontinental balistic missile) funcionando vai uma distância razoável. O que pode acontecer é que eles joguem a bugiganga nuclear deles para cima e acertem em algum lugar dos EUA, mas daí a dizer que vai acertar em Washington vai uma boa distância.

2) A Coréia do Norte consegue acertar talvez o Havaí com o míssil Musudan-1, mas convenhamos que não é uma coisa que vá lhes ajudar em nada a não ser fazer um novo Pearl Harbor.

3) A Coréia do Norte é louca mas não é burra. Uma das consequências de um ataque nuclear é que o contra-ataque é garantido. É um dos pilares do Mutual Assured Destruction que garantiu a paz durante a guerra fria.

4) É importante notar que China e Rússia, que tem armas atômicas que funcionam, não vão curtir muito um míssil norte coreano que pode estar desgovernado com armas atômicas. Também não vão gostar muito do contra-ataque dos americanos que transformaria Pyongyang e redondezas num grande deserto.

E o que o Kim Jong-un ganha com a bravata? Por enquanto ele ganhou mais sanções e corte de comida que os americanos forneciam como ajuda humanitária. Talvez seja um jogo de cena para manter o poder, talvez seja uma maluquice que lhe custe o poder.

Imagem do Dailymail

Stuxnet o vírus mais sofisticado da história

Programado para destruir ou danificar o prograa nuclear iraniano, o Virus Stuxnet chamou a atenção da comunidade de segurança por suas características únicas de design.

Hoje foi noticiado por agências internacionais que o vírus, pelo menos em parte, alcançou seu objetivo. Os iranianos acusaram o golpe como se pode ver neste relato.

O stuxnet infecta os computadores principalmente pela porta USB usando vulnerabilidades do AutoRun.inf em computadores rodando Windows. No entanto, parece que algumas variantes do Stuxnet foram feitas para atacar sistemas embarcados com capacidade específica de reprogramar FPGA e CLP. O objetivo final destas versões é conseguir causar dano físico em equipamentos fabricados pela Siemens que são usados no programa nuclear iraniano.

Uma matéria da Wired do mês de setembro especula que pode ter custado milhares de dolares o desenvolvimento do Stuxnet e que há fortes indícios que não foi feito por amadores.

A Siemens soltou um alerta sobre o assunto mas parece que o alvo do Stuxnet foi atingido. Não sabemos no entanto o tamanho do dano causado e se de fato conseguiu brecar o programa nuclear iraniano.

O pesquisador identificado como Ralph mostra em seu site que os iranianos deram a dica involuntáriamente como mostra o screenshot abaixo.

Iran Nuclear Power Plant Stuxnet attack. Big fail
Clica que amplia