O dia em que a Internet parou

Republico aqui, com atraso, a minha coluna quinzenal de um jornal de SP.

Comecei a usar a Internet em 1993, e somente uma vez vivenciei um colapso completo da grande rede mundial de computadores: no dia 11 de Setembro de 2001.

Era mais um dia normal de trabalho no InCor, em São Paulo, quando, às 9h46min (8h46min em Nova York) o 767-200ER que havia sido sequestrado por Mohamed Atta e seus homens se chocou contra a torre norte do World Trade Center. Logo após esse acontecimento, um colega de trabalho falou: ‘Puxa, um avião bateu no World Trade Center!”

Confesso que, neste momento, não dei nenhuma importância ao assunto e sequer olhei as notícias na Internet. Apenas comentei: ‘Que erro grosseiro do piloto!’.

Poucos minutos mais tarde, veio novamente meu colega: ‘Outro avião bateu num prédio em Nova York’. E eu, já mais atento, falei: ‘Que coincidência!’. Mas logo em seguida pensei, ‘Não pode ser…’

Foi aí que abri o velho (na época moderno) Internet Explorer 6 para ler as notícias. Vi então uma foto do que seria depois confirmado como o voo United 175, que tinha sido tomado por Marwan al-Shehhi e lançado contra a torre sul do edifício.

A partir daí todos começamos a recorrer à Internet para tentar entender o que se passava. Meia hora depois, outro avião caiu no Pentágono em Washington DC – e foi então a Internet parou. Sim, parou no mundo inteiro. Todos fomos, ao mesmo tempo, conferir o que acontecia e a infraestrutura que mantinha a rede funcionando na época não aguentou. A maior parte dos sites de notícias ficou fora do ar até o fim do dia. Só sobrou o rádio e a TV.

Os eventos daquele triste dia mudaram o mundo e mudaram também a infraestrutura e organização da Internet. E desde 2001, a web nunca mais parou dessa maneira.

9/11 Dias que nunca serão esquecidos
Dias que nunca serão esquecidos

Código de Países: um guia definitivo

Num projeto, para tablets, que vamos mostrar em breve para vocês precisamos importar dados usando country codes (códigos de países). Parece algo simples mas como há multiplos padrões a coisa pode ficar complicada e montar uma planilha mais complicado ainda.

Acontece que a definição de país não é algo simples: pense rapidamente na diferença que há entre Inglaterra, Reino Unido e Grã Bretanha. Ou o caso de Porto Rico. E por aí vai.

Há o FIPS-10-4 que é a forma de abreviatura de duas letras que os EUA usam para se referir aos países. O famoso CIA World Factbook usa este. Há também o ISO-3166-1 que tem três versões: uma com duas letras, uma com três letras e uma com 3 dígitos numéricos. Outro código é o STANAG-1059 que é usado pela OTAN para se referir aos países usando 3 letras maiúsculas.

Por fim há o código de duas letras utilizado para indicar o país nos endereços DNS. São os chamado código TLD de países e são geridos pela IANA.

Se você ficou assustado com toda esta sopa de letras fizemos uma tabela para facilitar a sua vida que pode ser baixada em: http://pastebin.com/pufS81HX

ccTLD_1000b

Escolhendo o canal do Wi-Fi

Algo muito comum é instalar um roteador Wi-Fi num ambiente pequeno e, ainda assim, ter problemas com a velocidade da conexão.

Pode acontecer de existirem vários outros roteadores de vizinhos usando o mesmo canal e possivelmente com um sinal mais forte (aquele povo que compra antenas enormes na Uruguaiana ou Santa Ifigênia) estarem fazendo a sua placa wireless perder muitos pacotes.

Todo roteador Wi-Fi vem com uma página de configuração que permite escolher o canal da faixa de 2.4GHz em que vai operar.
Caso não se lembre como acessar ou se não foi você quem instalou, provavelmente olhando qual o gateway da sua máquina você acha o IP do roteador (algo como 192.168.0.1).

Na hora de escolher o canal ideal para sua conexão, é preciso saber que parte da banda os roteadores mais próximos estão localizados e, para isso, existe um excelente aplicativo gratuito chamado InSSIDer que fornece informações bem detalhadas.

Em uma das abas do programa, ele mostra os canais das redes ao alcance, assim como suas intensidades. Ele também mostra a intensidade ao longo do tempo além de outras informações como fabricante, velocidade da rede, largura do canal etc.

Assim, é fácil escolher o canal do seu Wi-Fi apenas verificando qual está menos utilizado (geralmente as extremidades).

Outra coisa é, se você tem um Wi-Fi 802.11n de 300mpbs (bastante comum nos roteadores de 2011) ele pode ocupar o dobro da banda no espectro por utilizar 2 canais, o que melhora a qualidade geral da sua internet, mas causa mais interferência na dos outros :).

Esse é um programa que vale a pena ter instalado.

Crosspost: Rot-13

A alvorada da Internet

Corria o ano de 1993, havia acabado de entrar na PUC-Rio e como todos os bolsistas tinhamos que lutar todos os dias para manter nossas médias acima de sete. Naquele ano aconteceu meu primeiro contato com a tal da Internet. Em 93 nem todos os lugares da PUC tinham ainda conexão com a Internet e um dia pediram, no laboratório em que trabalhava para ganhar uns trocados, que mandasse um e-mail para o pessoal do suporte do OS/2 para resolver um problema de instalação. Naqueles anos mandar um e-mail consistia em escrever a mensagem à mão, levar para a secretária, esperar a resposta vir e pegar a resposta impressa. Lembro até hoje com emoção o primeiro e-mail que mandei com esta tecnologia primitiva. Contei em casa orgulhoso que havia recebido um e-mail de Chicago!

Como aquele laboratório calotava nossos salários (até hoje nunca recebi um centavo do nosso chefe, conhecido como Mr Walrus) mudei de laboratório e fui fazer iniciação científica com um professor, de aparência peculiar, e tive a minha primeira conta de e-mail na internet.

Depois de torrar por semanas o administrador da rede, o todo poderoso administrador, a quem devíamos reverência, meu companheiro de trabalho Rafael e eu conseguimos nossas contas de e-mail e acesso a workstations Sun 2. Não havia nenhum browser de internet naquela época, nem o Mosaic estava disponível para nós, mas havia ftp, telnet e outros brinquedos interessantes.

A Sun SparcStation2, com seus 128MB Ram e 40Mhz era considerado um monstro computacional, várias pessoas estavam conectadas nela simultâneamente fazendo seus trabalhos e programas, até que descobrimos o fork.

O fork é uma função do C nos Unix, para quem ainda não foi apresentado a ele, que cria cópia de um processo. Aí pensamos, puxa e se fizermos um loop infinito de fork, o que vai acontecer?

Rodamos o seguinte programa (não faça isto em casa) :

void main () {
      while (1) {fork();}
}

Em poucos milisegundos travou tudo e saímos rapidamente do local antes que o administrador chegasse. Assim, após descobrir que podíamos rodar o programa remotamente travamos todas as workstations muitas e muitas vezes … Era a alvorada da Internet, como um bebê que descobre seus pés.

A segunda grande descoberta foi já depois de 96, de uma falha que havia no IIS 3.0 com o Windows NT 4 que escrevendo determinada url no navegador conseguia que toda a máquina caia e ganhava uma tela azul. As primeiras vítimas foram os colegas de laboratório, depois pensamos, será que funciona num destes sites de vendas de livros? Como não custava tentar, tentamos, e funcionou… A partir daí, até a Microsoft lançar o service pack que consertou o problema sempre havia um engraçadinho que fazia sua máquina crashar e para trabalhar era preciso tirar o cabo da rede.

Foram bons tempos aqueles. Se você também viveu esta alvorada da Internet conte sua história nos comentários.

Bom final de semana a todos.