Se o profissional de TI tem que ser competente, por que o de jornalismo não?

Imagine você, profissional de TI, matemático, estatístico, físico, ou outro profissional que batalha diariamente para ganhar o suado dinheirinho produzisse uma pérola assim.

void testLaunchMissile (int cond) 
{
    if (cond == 1)
    {
        // suponho que sendo um devo lançar o míssil.
        missilLaunch();
        resetAllSafeties();
    } else {
        // ferrou, sei lá o que faz aqui
        if (time() % 2 == 0)
        {
            missilLaunch();
            resetAllSafeties();
        }
    }
}

Seu chefe, com toda a certeza, ia mandar você para o olho da rua.

No entanto no jornalismo coisas piores sucedem e não acontece nada com o autor da proeza. Antes de mostrar uns exemplos, que andei colecionando em parceria com meu amigo Rafael, um comentário: o jornalismo no Brasil anda muito ruim, nas redações há poucos jornalistas honestos e competentes. Há poucos que estudam o que vão escrever, que aprofundam no tema, que investigam. Os jornais impressos andam decadentes e o jornalismo online é produzido muitas vezes por pessoas semi-alfabetizadas. Isto é ruim para a democracia, é péssimo para o Brasil.

Veja este exemplo do G1 (que não é réu primário). Primeiro a chamada de capa:

Agora repare no interior da matéria:

A pergunta que não quer calar é: o cara gerou a manchete sem ler o que escreveu no texto? Ou será que ele não entendeu a notícia que ele copiou e traduziu?

Você pode, também, encontrar exemplos de como se misturam noticias sérias com coisas bizarras:

Portanto, amigos jornalistas, estudem! Façam um bem ao Brasil e à democracia: Estudem! Façam seus chefes, os editores, estudarem.

4G no Brasil, meu avô e o código morse: samba do “afro-brasileiro” classificado no DSM-IV-TR

O que tem a ver meu avô materno, com o código morse e com o 4G no Brasil? E porque você colocou no título samba do “afro-brasileiro” classificado no DSM-IV-TR?

Vamos por partes, como diria Jack o Estripador, eu queria dizer “samba do cri**lo doi*o” mas não posso fazê-lo sem ser acusado de racismo, ou políticamente incorreto. Assim substituí o termo crio**o por afro-brasileiro e doid* por pessoa classificada no DSM-IV-TR. São as agruras deste mundo políticamente correto.

O fato é que volto ao frango, quer dizer ao 4G. Nestes últimos dias vi que a Anatel (ó macabra piada) leiloou as frequências para operação 4G no Brasil e comecei a me perguntar: se o 3G não funciona aqui, o que leva estes caras a pensar que o 4G vai fazer algo de útil? E a situação é mais triste quando se fala na imprensa que o 4G permite velocidades até 10 vezes maiores que o 3G.

O fato é que o 3,5G que deveríamos ter aqui no Brasil permite velocidades de até 7,2Mbps. As operadoras que sugam o nosso suado dinheiro com a ajuda da incomPTencia do governo oferecem no máximo 3Mbps e olhe lá. O normal é oferecer 1Mbps, que você deve elevar as mãos aos céus quando funciona.

Desta forma, se o 4G ampliar a velocidade “real” que temos em 10 vezes, vamos ter muito menos que a Verizon entrega no 3G nas cidades americanas. Além disso, situações de 90% de perda de pacote, como mostramos antes, será que vão parar de acontecer?

E o que seu avô e o código morse tem a ver com isto? Chego lá. Meu avo, qepd, falecido há poucos anos, trabalhou durante toda sua vida como telegrafista. Segundo ele, mantinha um ritmo de 40 palavras por minuto em morse no seu telégrafo. Quando comecei a escrever este post, tentei enviar pelo 3G da Vivo e não consegui. Aí lembrei dele, se fosse em código morse o texto já teria sido publicado de manhã.

Fica uma homenagem aos telegrafistas. A banda era pequena mas não falhavam. Funcionava melhor que o 3G brasileiro.

Situação das Telecomunicações no Brasil – Parte 2 de Infinito

Vamos analisar hoje a questão de preço e velocidade de comunicação nas operadoras móveis. Não falo muito a fundo na qualidade porque dá um tratado de incompetencia:

ATT (EUA) – 3GB – R$ 54,00 – Velocidade 10 Mbps
Movistar (Espanha) – 2GB – R$ 61,00 – Velocidade 7,2 Mbps
Vodafone (UK) – 5GB – R$ 46,00 – Velocidade 7,2 Mbps
TIM (Itália) – 5GB – R$ 31,40 – Velocidade 7,2 Mbps

Agora vejamos o caso do Brasil

Preço médio 2GB – R$ 89,00 – Velocidade 1 Mbps (Tim, Vivo, Claro, Oi)

Se o problema fosse apenas ser mais caro tudo bem. Só que não é assim que a banda toca por aqui. Aqui você compra um plano de dados e concorre ao direito de acessar.

Veja as telas abaixo capturadas em vários, dias, horários e locais da maior cidade do Brasil

E aí? Vai reclamar para Anatel?