Você quer um 4G com qualidade? O Governo do PT não quer.

Trecho de um artigo da Folha de São Paulo de ontem, comento abaixo. Os grifos são meus.

As teles devem ajudar a salvar as contas do governo, que decidiu mudar as regras da fase dois do leilão do 4G para reforçar o caixa e, assim, cumprir as metas de superavit fiscal sem apelar para manobras contábeis. O leilão está previsto para agosto, e o governo, que antes pensava em cobrar R$ 6 bilhões pelas licenças e impor metas de cobertura aos vencedores, agora quer um valor maior, retirando parte das obrigações das empresas. A Folha apurou que, com as novas regras em estudo, a União poderá levantar até R$ 15 bilhões.

O governo prevê uma meta de superavit neste ano de 1,9% do PIB e já sinalizou que pretende cumprir o objetivo sem as manobras de anos anteriores, que criaram dúvidas sobre a credibilidade da política fiscal do país. No debate do 4G, Tesouro e Ministério das Comunicações estão em lados opostos. Para cobrar o máximo possível, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, defende o mínimo de metas aos vencedores. Uma das ideias é vender as licenças, sem obrigações de cobertura, em dois blocos, e não em quatro, como previsto inicialmente. Isso já elevaria o preço das licenças para R$ 12 bilhões. Não está claro como seria esse modelo, mas pode afetar a exigência de cobertura (deixando cidades menores de fora) e de qualidade.

Para as Comunicações, isso é inviável porque afetaria o equilíbrio do mercado. Há dois anos, as empresas só aceitaram entrar no leilão do 4G porque haveria uma segunda etapa com frequências complementares. Frequências são como avenidas por onde as operadoras fazem trafegar seus sinais. Sem as frequências complementares, a conta do 4G não fecha para as empresas. O problema é que, em dois blocos, como cogita Augustin, duas operadoras que participaram do primeiro leilão ficariam fora da segunda etapa. O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) é contrário a esse modelo.

Já não bastasse a qualidade “cubana” do nosso 3G vamos ter um 4G nível Somália. Sair do buraco que nos meteram nos últimos 12 anos não será fácil, imagine se estes 12 anos virarem 16…

dilma-rousseff-te-pegou-crau

4G no Brasil, meu avô e o código morse: samba do “afro-brasileiro” classificado no DSM-IV-TR

O que tem a ver meu avô materno, com o código morse e com o 4G no Brasil? E porque você colocou no título samba do “afro-brasileiro” classificado no DSM-IV-TR?

Vamos por partes, como diria Jack o Estripador, eu queria dizer “samba do cri**lo doi*o” mas não posso fazê-lo sem ser acusado de racismo, ou políticamente incorreto. Assim substituí o termo crio**o por afro-brasileiro e doid* por pessoa classificada no DSM-IV-TR. São as agruras deste mundo políticamente correto.

O fato é que volto ao frango, quer dizer ao 4G. Nestes últimos dias vi que a Anatel (ó macabra piada) leiloou as frequências para operação 4G no Brasil e comecei a me perguntar: se o 3G não funciona aqui, o que leva estes caras a pensar que o 4G vai fazer algo de útil? E a situação é mais triste quando se fala na imprensa que o 4G permite velocidades até 10 vezes maiores que o 3G.

O fato é que o 3,5G que deveríamos ter aqui no Brasil permite velocidades de até 7,2Mbps. As operadoras que sugam o nosso suado dinheiro com a ajuda da incomPTencia do governo oferecem no máximo 3Mbps e olhe lá. O normal é oferecer 1Mbps, que você deve elevar as mãos aos céus quando funciona.

Desta forma, se o 4G ampliar a velocidade “real” que temos em 10 vezes, vamos ter muito menos que a Verizon entrega no 3G nas cidades americanas. Além disso, situações de 90% de perda de pacote, como mostramos antes, será que vão parar de acontecer?

E o que seu avô e o código morse tem a ver com isto? Chego lá. Meu avo, qepd, falecido há poucos anos, trabalhou durante toda sua vida como telegrafista. Segundo ele, mantinha um ritmo de 40 palavras por minuto em morse no seu telégrafo. Quando comecei a escrever este post, tentei enviar pelo 3G da Vivo e não consegui. Aí lembrei dele, se fosse em código morse o texto já teria sido publicado de manhã.

Fica uma homenagem aos telegrafistas. A banda era pequena mas não falhavam. Funcionava melhor que o 3G brasileiro.