Previsões para 2016

Sim, andei sumido. Afinal qual a utilidade de um analista num país onde a única coisa que um analista sensato pode fazer é dizer que enquanto a estocadora de vento e saudadora de todas as mandiocas (sem trocadilhos) estiver no governo tudo vai cair.

Desempregado, estou passando uma temporada como voluntário na legião estrangeira, que me garantiu um repouso adequado da vida estressante que levava, e acompanhando o noticiário na minha conexão 2400bps no Inmarsat pensei nas previsões para 2016 em termos de tecnologia.

1) Talvez o 3G da TIM funcione durante as Olimpíadas. Ainda não foi confirmado, mas fontes internas dizem que estão fazendo um esforço para ter pelo menos uma barrinha de sinal e 64kbps de ultra-velocidade.

2) Mais da metade das fotos de atletas patrocinados pela Samsung, vão aparecer como Sent by iPhone, no Twitter das Olimpíadas 2016.

3) Vão levar tanto celular na mão grande na orla de Copacabana, que se você tiver algo inferior a um iPhone 6S pode ficar tranquilo.

Agora as previsões sérias

a) O Windows Phone 10 vai chegar a 10% de mercado. Este analista já pode ver que se trata de produto de primeira qualidade, inclusive já vi na fila das lojas Americanas duas senhoras que não são propriamente o Bjarne Stroustrup conversando: “mulher, compra o Windows Phone que não pega virus como aquelas porcarias de Android”. Tudo bem que ela aconselhou a passar álcool e veja para matar os vírus, mas você entende a idéia.

b) A plataforma Android passará pela primeira séria infecção de virus que balançará as estruturas de confiabilidade do código aberto.

c) 2016 será o ano em que a Apple lançará o híbrido do iPad com o Macbook.

d) O Facebook começará uma temporada de declínio.

e) O mercado externo de desenvolvimento de software ficará mais atraente. O êxodo de programadores brasileiros se intensificará.

Desejo a todos os leitores um feliz 2016 e agora como já é quase ano novo aqui em Mayotte vou celebrar!

Trabalhar em outro país

mundo-bolinha-de-gude
Como vocês podem ver, esse blog anda mais parado que saci de patinete.

Em primeiro lugar, por um excesso de trabalho nos últimos, talvez, 18 ou 20 meses e ultimamente por causa de uma mudança radical na minha vida, quando resolvi procurar um trabalho fora do Brasil, consegui um e vim morar na Alemanha.

Andam me pedindo esse post há alguns meses, mas só agora tive um tempo para sentar e colocar as ideias no papel WordPress para que essa experiência possa ser útil para outras pessoas.

Mas vamos logo ao frango (no meu caso salsicha).

Querer!

O primeiro passo para mudar de país é realmente querer. E querer neste caso é querer mesmo! Não é aquela vontade que dá quando você viaja para um lugar legal e diz: “Pô, moraria fácil aqui”. Querer significa colocar os meios necessários para conseguir o que se quer e isto significa planejar, nem que seja um pouco, a ideia de morar em outro país e correr atrás dos itens planejados. Dá bastante trabalho, mas se você não quer ter esse trabalho, você não quer morar em outro lugar.

Esse primeiro passo é realmente difícil. É muito fácil nos acostumarmos com a nossa vida no lugar onde já estamos estabelecidos há muitos anos, muitas vezes durante a vida toda. Mesmo que você não esteja muito satisfeito com seu trabalho ou o lugar onde mora, mudar, às vezes, dá tanto trabalho que é mais fácil, ou mais cômodo, continuar do jeito que está. É preciso conseguir um novo emprego, conseguir visto de residência, aprender ou reforçar uma nova língua (ou mais de uma), fazer a mudança da família, resolver um monte de coisas burocráticas, etc.

Planejamento

Mas digamos que você realmente quer mudar de país. Pois bem, dado o primeiro passo, começa a fase de planejamento e, em geral, essa fase começa com a seguinte pergunta: “Do que vou viver no outro país?”. Sim, é preciso se sustentar, assim como você já o faz (ou deveria fazer) no lugar onde vive.

Para os que, assim como eu, trabalham com desenvolvimento de software, há uma certa demanda alta por profissionais de informática em diversos países, tais como EUA, Canadá, Alemanha, Inglaterra, Austrália, etc.

Procurar emprego de desenvolvedor de software ficou mais fácil com a ferramenta do Stackoverflow chamada Careers (careers.stackoverflow.com). Foi com essa ferramenta que consegui o trabalho que tenho hoje na Alemanha. Há também a opção do Indeed (www.indeed.com), mas não cheguei a usá-la. Ainda existem outras ferramentas de busca de emprego fora essas duas citadas acima. Se você tem alguma experiência com outra, por favor, conte como foi nos comentários.

Com essas ferramentas, você pode procurar vagas no mundo todo e filtrar aquelas que oferecem “Relocation”.

No caso do Careers, você tem que criar o seu perfil com um currículo o mais completo possível e aplicar para as vagas oferecidas nos mais diversos países.

Criar uma conta no site dependia, há um tempo atrás, de um convite. Hoje verifiquei que além dos convites é possível criar uma conta através do link https://careers.stackoverflow.com/users/register

Conseguindo uma entrevista

Seguem minhas dicas para conseguir uma entrevista através do Careers:

  1. Tenha um bom perfil no Careers preenchendo o máximo de campos que eles deixam à disposição.
    • Escolha suas melhores respostas e perguntas no Stackoverflow e faça um link para elas.
    • Não se esqueça dos seus projetos de código aberto (Github, Sourceforge, etc.).
    • Escreva tudo em inglês e, se possível, peça para alguém revisar.
    • Tente acertar a mão na quantidade de informação, para não ficar com mais de 3 páginas na versão em PDF. Um currículo longo desanima quem está do outro lado lendo centenas deles.
  2. Escolha um país, e depois as cidades, que você realmente gostaria viver. Se você não gostaria de morar em Amsterdã, por exemplo, nem veja as vagas de lá.
    • Abra o Google Maps e veja naquele país todas as cidades que você imagina que gostaria de morar.
    • Busque vagas que ofereçam “Relocation”.
    • Busque por cidade e mande currículo para todas que encontrar com o seu perfil.
  3. Crie uma conta no Skype. Você vai precisar para as entrevistas.
  4. Fique atento às diferenças de horários nas entrevistas.

Preparando a entrevista

Antes de uma entrevista, em geral as empresas aplicam testes para filtrar os candidatos que realmente têm condição de ocupar a vaga oferecida. O que aplicaram em mim foi o teste do Codility (https://codility.com/programmers/). É possível treinar com o Codility antes de fazer um teste de verdade. Veja no link acima como treinar e gaste um tempo com isso. Mesmo que você não passe em nenhuma entrevista, pelo menos seu código ficará melhor. 😀

Esteja pronto para receber um e-mail te convidando para uma entrevista via Skype. Em alguns casos o entrevistador pede para você compartilhar a tela do seu computador para ver se você é realmente capaz de executar uma tarefa. Em outros casos a entrevista é com vídeo e você tem que responder a perguntas ao vivo, como uma entrevista normal de trabalho.

Nos dois casos é bom se preparar antes. Se for uma entrevista com teste ao vivo, é bom saber que ferramentas serão necessárias e instalar tudo no seu computador e testar para ver se tudo está funcionando. Se for uma entrevista com vídeo, capriche no visual como se fosse uma entrevista ao vivo. Você pode até estar de bermuda e sem desodorante, mas uma camisa social e uma gravata vão bem (no caso dos homens, é claro).

Em todos os casos, prepare-se para responder muitas perguntas. Faça as perguntas no papel e anote as respostas. Leia várias vezes antes da entrevista e responda com convicção. Treine responder perguntas como: “Por que você quer sair do (Brasil / seu emprego atual)?”, “Por que você escolheu trabalhar com a gente?”, “Como/Onde você quer estar daqui a (1, 5, 10) ano(s)?”, “Qual é o seu maior defeito? E a maior qualidade?”, “O que você sabe a respeito da empresa?”, “Quanto você quer ganhar?” e outras tantas que toda entrevista de emprego tem. Reforço a dica: ESCREVA AS RESPOSTAS E LEIA VÁRIAS VEZES ANTES.

Salários

Pesquise os salários médios nas cidades que você está enviando currículos. Existem diversos sites para isso. No caso dos EUA, o Indeed oferece uma boa ferramenta de busca de salários (http://www.indeed.com/salary). O PayScale também tem informações, inclusive de outros países além dos EUA.(http://www.payscale.com).

Outra dica para procurar salários é buscar no Google “salary survey <país desejado>”. Você vai encontrar sites como o Salary Explorer e outros muitos com a informação que você precisa.

Alguns países têm mais restrições a estrangeiros, como é o caso da Inglaterra, mas países com os EUA, Alemanha, Canadá, Austrália e outros, estão bem abertos à contratação de estrangeiros. Isso não quer dizer que você não vai conseguir um emprego em Londres, mas saiba que vai ser mais difícil.

Deu tudo certo e agora?

Vencida a etapa de entrevistas você vai precisar começar a etapa burocrática. É preciso ter um contrato muito bem definido, em papel, assinado pelas partes, para poder ir ao consulado do país que você pretende se mudar e começar o processo de pedido de visto. Provavelmente você vai precisar traduzir histórico escolar, diploma, certidão de casamento, currículo e outras coisas. Prepare o bolso para traduções juramentadas, legalizações e próprio visto, que não costuma ser barato em nenhum país. A mudança em si é outra coisa que exige uma quantidade razoável de dinheiro. Veja com a empresa que está te contratando se eles têm algum incentivo para a mudança, como pagamento de passagens, hospedagem nas primeiras semanas, etc.

Quando conseguir o visto, prepare a parte brasileira da mudança. Se você paga aluguel no Brasil, veja com o dono do apartamento se é possível terminar o contrato ou consiga um outro inquilino para te substituir. Venda carro e tudo que não puder levar com você. Faça um bazar de garagem, mesmo que você não tenha garagem. Cancele tudo que puder ainda no Brasil, inclusive telefone celular. Tudo vai ser mais difícil de cancelar no exterior. Faça uma procuração de plenos poderes e deixe com seus pais ou pessoas de toda confiança, lembre-se são plenos poderes. 🙂

E depois?

Bom, ainda não sei o depois. Estou completando o terceiro mês longe da minha cidade natal, Rio de Janeiro, e até agora a experiência tem sido excelente para mim. Várias coisas diferentes, alguns desafios próprios de mudar para outro país, mas no geral está tudo bem.

Cada país tem sua peculiaridade em termos de burocracias e hábitos locais. Não é o caso deste post entrar no detalhe da mudança em si, até porque quero que ele seja genérico e sirva para mudanças para outros países. Talvez até faça uma continuação do assunto depois, entrando no detalhe da Alemanha, mas não agora.

E você? Está pensando em mudar de país? Já mudou? Deixe suas experiências e dúvidas nos comentários!

Há 10 anos o vírus da raiva começava a sofrer sua primeira derrota

Ontem foi o décimo aniversário (12/09/2002) do dia que a menina Jeanna Giese contraiu raiva pela mordida de um morcego que ele quis tirar da igreja onde assistia a Missa dominical com seus pais.

A raiva humana é a doença mais letal que a humanidade conhece. Esqueça Ebóla, Varíola, AIDS, Glioblastoma Multiforme e Câncer de Pâncreas em estágio 4. A raiva era a única doença que tinha 100% de mortalidade. Uma vez iniciados os sintomas não havia um único caso de raiva humana em que a pessoa, não vacinada, tenha sobrevivido.

Quando os pais de Jeanna ouviram o diagnóstico, talvez tenham se lembrado deste fato e que era questão de dias até verem sua filha morta. O fato é que sua filha foi internada em Milwaukee no estado de Wisconsin nos EUA e lá um médico, o Dr. Rodney Willoughby, Jr., que nunca havia tratado um caso de raiva humana resolveu investir num método, que ele pensou baseado em buscas que fez na Internet, que depois foi conhecido como o protocolo de Milwaukee.

No dia 1 de Janeiro de 2005 Jeanna voltou para sua casa, recuperou a saúde, fez faculdade, está noiva e leva uma vida normal.

Ontem ela usou o Twitter para lembrar dessa data que deu início a um processo que levou ao vírus da raiva humana a sofrer sua primeira derrota. Após Jeanna outras pessoas já foram tratadas com sucesso pelo protocolo de Milwaukee, que vem passando por aprimoramentos.

Confira o documentário que conta toda a história

Agora bateu o record

Que o jornalismo online e offline anda um lixo no Brasil todos sabemos. Agora não ter a mínima noção de valor das coisas é a cereja do bolo.

Veja abaixo a notícia, comento depois.

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Pronto, acabaram os problemas da Ucrânia. Dois milhões de Euros investidos no Exército vai fazer dela uma super potência que assombrará a Rússia por muitos e muitos anos.

Não que dois milhões de euros seja pouca coisa em si, para mim é uma fortuna, agora para um exército é troco de pinga.

Se o jornalista se desse ao trabalho de fazer uma pequena busca na Internet veria que o exército da Ucrânia tem quase 130 mil pessoas e um orçamento anual de 20 Bilhões de Grívnias que dá US$ 1.5 Bi. Se você investe 2 milhões de Euros você pode gastar 15 euros com cada soldado e isso dá para comprar um estilingue para cada um.

Tremei Rússia.

Rastreando o seu navio

Este mês importamos o primeiro lote de um produto que será lançado em breve. Como “pai” de primeira viagem estou acompanhando nosso navio passo a passo. Não queremos que caia em mãos de piratas somalis e como você pode imaginar há um site para isto, na verdade mais de um.

MarineTraffic – http://www.marinetraffic.com/pt/ais/details/ships/477346500/vessel:MOL_GLIDE

MOL_GLIDE tracking vessel

 

Se você tem interesse pela marinha mercante ou pela situação de pirataria no chifre da África eu recomendo que veja o filme Captain Phillips, é excelente.

 



Malaysia Airlines enquanto dura o mistério

Inúmeras pessoas tem me perguntado sobre o “acidente/incidente/sequestro/sumiço/abdução” do vôo MH 370. Muita especulação tem ocorrido e nada de muito concreto está disponível, portanto prefiro não especular, mas já que você veio aqui neste blog eu indico alguns recursos para quem quiser aprender mais sobre o fascinante mundo da aviação.

Forum Contato Radar, maior fórum de aviação do país, vários pilotos e profissionais discutem temas relacionados a aviação ali, recomendo acompanhar.

AVHerald: Todos os eventos relevantes em termos de aviação do dia.

Questões, tem um StackExchange para aviação.

Fotos de aviões? Airliners.net.

Está esperando no aeroporto e quer saber quantos anos tem a jabiraca em que vai voar? Airfleets.net

Contos sobre aviação? Leia o blog do Eder. Dali saiu a história que vai abaixo.

Caro Eder

Esta semana saiu em um jornal de Belo Horizonte que o Superintendente da Infraero para os aeroportos da Pampulha e Carlos Prates havia declarado em uma reunião no Rio de Janeiro que “No Carlos Prates, se for preciso, pode pousar até um Jumbo”. Se fosse um antigo chefe meu, estaria falando: “NEM POR UM CACE&#$!!!”. No meu entendimento isto seria impossível, certo?

Atenciosamente,

Fernando Coelho Gallo de Assis

Resposta:

Caro Fernando

Ó você errado…

Não só é possível como também bastante simples. Anote o procedimento para pouso curtíssimo, que foi testado por mim exaustivas vezes, quase todas com sucesso, e que já é aceito por várias empresas no mundo todo:

Faça uma aproximação bem estabilizada, de preferência antes do externo. Isso é importante. Procure estabilizar um pouco abaixo da rampa normal (no ILS alguma coisa com um dot mais baixo). Utilize a VRef -5 para a aproximação. A idéia é você chegar no marcador interno bem mais baixo, com full flapes e no limite da VRef. Após este ponto deixe a velocidade cair para VRef -15, certifique-se de full flapes, abra os airbrakes, encha a mão na manete de potência e pise nos freios (puxar o parking também ajuda). A aeronve estará totalmente “travada” no ar e os motores vão se encarregar de supendê-lo até a cabeceira. Note que isto é possível pelo fato do avião estar nesta posição com 25 a 30 graus de pitch e com uma razão de descida de uns 800 fpm. Ao cruzar a cabeceira basta reduzir um tiquinho o motor que a aeronave cai suavemente na própria sombra. Como os freios já estão acionados, o avião pará antes de terminar a sombra… Uma dica: devido ao pitch elevado, o leme tende a ficar em uma “zona morta”, sem eficiência. A utlização dos ailerons para correção de eixo é um pouco desaconselhável e complicada. Nos multimotores, com o 747, o procedimento de correção de reta é facilitado pela utilização diferencial dos motores externos, o que pode ser feito pelo copila se ele não for um Zé Mané.

Li um artigo numa revista especializada (acho que era Contigo, não lembro) em que é possível, para operações habituais em pistas curtas e altas, a instalação de uma âncora no cone de cauda, semelhante ao gancho utilizado nas aeronaves que pousam em porta-aviões, equipamento que é reconhecidamente eficiente para pousos curtíssimos.

Um abraço,

Eder

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Grande Eder

Está perfeita sua argumentação para o pouso! Vou mandar para umas listas que frequento, onde o povo acha, assim como eu achava, que não dá para pousar. Mas, a não ser que a companhia queira ganhar dinheiro vendendo ingresso pra minerada conhecer o jumbo e tirar foto com a mão na manete, como que eles vão tirar o bicho de lá?

Lembro que Charss Pratss está no alto de um morro e as ruas prá lá são estreitas… convinha que ele saísse voando.

Fernando C. G. Assis

Resposta:

Amigo Fernando

Uma dúvida pertinente. Essa é outra situação não prevista nos manuais de operação das aeronaves, a famosa OT -1 (leia: ó tê traço um), mas perfeitamente possível de executar.

Pratiquei muitas vezes com aeromodelos, e em todas funcionou. No Aerobueiro, com marcações na pista, também funcionou na maioria das vezes. Falta achar um barranco para testar o afundamento após a decolagem…

Mas vamos lá: em uma decolagem normal geralmente colocamos flapes 15, aplicamos potência até o limite e, com pista sufuciente, chegamos até a VR. Jóia. Mas e com pista curta? Eis a questão… confesso que uma decolagem de pista muito curta dificilmente termina em sucesso. Mas avaliando o Carls Pratiss observamos que existe uma situação promovida pela natureza que nos auxilia: a pista fica no topo de um cocuruto! Este simples fato viabiliza as operações comerciais em pistas até mais curtas, como as que tenho testado com aeromodelos em minhas andanças pelo mundo. Anote o procedimento:

Antes um procedimento de solo. Vá até o fim da pista e calcule o ponto PAF. Mais pra frente você vai saber o que é. Este ponto é dado pela fórmula:

             TC8 = Cp*(Alt / PAt * 0.0873) - cos(Vv*Dv/sen45)
                  --------------------------------------------
                             !Vr-(v1*v1) + 2v1*MTOW

             PAF = TC8 * hh:mm / C_Est

Onde:

Cp = comprimento da pista
PAt = Pressão altitude
Vv/Dv = Velocidade e direção do vento
hh:mm = hora precisa da decolagem
C_Est = Constante de estação do ano, disponível em uma tabela na OT-1

Pelas minhas contas, numa situação típica de decolagem ao meio-dia no verão, o PAF para o Carls Pratiss fica exatamente a 58 metros antes do fim da pista. Marque este ponto com uma bandeira amarela.

Alinhe o Jumbo. Certifique-se de que não existem obstáculos atrás da aeronave e dê uma pequena ré até os pneus principais caírem na grama. Somente os principais, a bequilha fica no asfalto. Já explico porque… Recolha os flapes e desative o auto-throtle puxando o disjuntor (para evitar que um sistema secundário restrinja a aceleração). Isso é importante. Com os freios acionados aplique potência total. Espere os instrumentos atingirem a faixa amarela (com muito cuidado, pois estamos no modo manual). Depois que os motores estabilizarem, solte os freios e leve as manetes até o ponto DPI (Depois do Painel de Instrumentos). A aeronave irá demorar um pouquinho para sair da inércia, pois estamos com os trens principais na grama (lembra?). Estes poucos segundos de atraso permitem que os motores alcancem sua potência máxima. Como a temperatura permitida na maioria das turbinas é de 2 segundos na faixa vermelha, antes desse tempo o avião já estará em movimento, e o vento relativo se encarregará de dar uma “refrescada” na turbina, evitando sua explosão. Já em movimento esqueça o painel (mesmo porque vai estar tudo vermelho mesmo) e fique de olho na bandeira amarela no fim da pista. É o PAF ou Ponto de Abaixamento dos Flapes. Até lá correremos sem flapes, para reduzirmos o arrasto aerodinâmico, e com isso atingirmos a velocidade máxima mais rápido. Inteligente isso, não? No través da bandeira amarela aplique o dobro dos falpes necessários para uma decolagem normal (neste caso 30 de flape tá bão). Nossas velocidades nesta corrida são despezíveis, pois não existe VR (a gente não roda, só faz levantar o nariz um pouquinho) e a V1 e V2 são impraticáveis. Portanto relaxe. Antes do final da pista puxe o manche até a metade do seu curso para trás. A aeronave vai levantar o nariz, mas não irá decolar. Quando a pista acabar o avião estará levemente sustentado e afundará no despenhadeiro. Não puxe o manche neste momento para evitar o toque da cauda no barranco quando as rodas caírem no vazio!!! Depois de livrar a cauda, controle a queda com o curso do manche disponível (por isso puxamos só metade, pois teremos 50% de curso pra frente ou pra trás no caso de necessidade, entendeu?). Sempre que possível alivie o manche para ganhar alguns centésimos de nó no velocimetro, de maneira que você não coloque em risco as casas que estão embaixo. Uma boa técnica de saber até onde podemos baixar o nariz com segurança é esticar o braço sobre o painel com a mão fechada. O objeto que devemos ultrapassar não deve estar abaixo do terceiro ossinho das costas da mão, de baixo pra cima. Com o tempo a gente faz isso rapidinho. A medida que a aeronave vai parando de cair, recolha os flapes. Depois disso é só chamar o controle e subir em rota…

Com prática o procedimento torna-se rotineiro.

Um abraço e lembre-se: antes de ficar na dúvida do errado, me escreva para ficar na certeza!

Eder

Espero que o avião da Malaysia tenha pousado são e salvo e que todos os passageiros estejam vivos.

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Amazon vendendo produtos perigosos

A Amazon está vendendo produtos extremamente perigosos disfarçados de inocentes ursinhos. Leia o com atenção  o comentário de uma das clientes. Há vários comentários como este. (Antes de começar a ler uma sugestão: vá para um lugar afastado e evite beber algo enquanto lê. Depois não diga que não avisei.)

O produto vai abaixo:

A seguir o melhor review já feito na Amazon.

33,939 of 34,424 people found the following review helpful

By Christine E. Torok on October 3, 2012

Size Name: 4oz Amazon Verified Purchase

Oh man…words cannot express what happened to me after eating these. The Gummi Bear “Cleanse”. If you are someone that can tolerate the sugar substitute, enjoy. If you are like the dozens of people that tried my order, RUN!

First of all, for taste I would rate these a 5. So good. Soft, true-to-taste fruit flavors like the sugar variety…I was a happy camper.

BUT (or should I say BUTT), not long after eating about 20 of these all hell broke loose. I had a gastrointestinal experience like nothing I’ve ever imagined. Cramps, sweating, bloating beyond my worst nightmare. I’ve had food poisoning from some bad shellfish and that was almost like a skip in the park compared to what was going on inside me.

Then came the, uh, flatulence. Heavens to Murgatroyd, the sounds, like trumpets calling the demons back to Hell…the stench, like 1,000 rotten corpses vomited. I couldn’t stand to stay in one room for fear of succumbing to my own odors.

But wait; there’s more. What came out of me felt like someone tried to funnel Niagara Falls through a coffee straw. I swear my sphincters were screaming. It felt like my delicate starfish was a gaping maw projectile vomiting a torrential flood of toxic waste. 100% liquid. Flammable liquid. NAPALM. It was actually a bit humorous (for a nanosecond)as it was just beyond anything I could imagine possible.

AND IT WENT ON FOR HOURS.

I felt violated when it was over, which I think might have been sometime in the early morning of the next day. There was stuff coming out of me that I ate at my wedding in 2005.

I had FIVE POUNDS of these innocent-looking delicious-tasting HELLBEARS so I told a friend about what happened to me, thinking it HAD to be some type of sensitivity I had to the sugar substitute, and in spite of my warnings and graphic descriptions, she decided to take her chances and take them off my hands.

Silly woman. All of the same for her, and a phone call from her while on the toilet (because you kinda end up living in the bathroom for a spell) telling me she really wished she would have listened. I think she was crying.

Her sister was skeptical and suspected that we were exaggerating. She took them to work, since there was still 99% of a 5 pound bag left. She works for a construction company, where there are builders, roofers, house painters, landscapers, etc. Lots of people who generally have limited access to toilets on a given day. I can’t imagine where all of those poor men (and women) pooped that day. I keep envisioning men on roofs, crossing their legs and trying to decide if they can make it down the ladder, or if they should just jump.

If you order these, best of luck to you. And please, don’t post a video review during the aftershocks.

PS: When I ordered these, the warnings and disclaimers and legalese were NOT posted. I’m not a moron. Also, not sure why so many people assume I’m a man. I am a woman. We poop too. Of course, our poop sparkles and smells like a walk in a meadow of wildflowers. Thanks for all the great comments. I’ve been enjoying reading them and so glad that the horror show I experienced from snacking on these has at least made some people smile.

Não sei porque mas isto me lembrou de outro texto da Internet… (Não leia!!)

Melhores do Ano 2013

Aqui vai, no que pode ser o último post do ano uma lista de destaques para 2013 em diversas áreas tecnológicas e afins.

  • Video de Matemática do Ano: O último teorema de Fermat

  • Física aplicada: Como furar um coco com bala 7 belo

  • Mythbusters do Ano: A ciência por trás de Breaking Bad

  • Momento mais fotografado do ano com câmera de celular: Eleição do Papa Francisco

  • Filme tecnológico do Ano: Gravity

Não vi, mas foi recomendado amplamente pela comunidade científica 🙂

  • Evento pego na câmera por acaso: Meteoro caiu na Rússia

Feliz 2014, se tiver mais destaques de 2013 mande nos comentários.

The infinity and the mystery about 196

I’m writing this one in english because it should be a guest post on Leah Libresco’s blog Unequally Yoked. Due to many logistical reasons this was never published.

It was an extremely hot Saturday in 1987. Leah (see note above) was far from being due in this World, and I was in the sixth grade at São Bento School in Rio de Janeiro, Brazil.

One of the Benedictines Monks together with a math teacher, Mrs. Sandra Carelli, brought to our school, in the past ten years, a new way to teach math for kids based on the educational theory of a Belgian mathematician named Georges Papy.

Papy advocated the use of sets as a main framework to teach math. The method, although very expensive in terms of teacher preparation, was producing a remarkable success in Brazil.

This digression is necessary to introduce the topic of this post, from the Naming Infinity Bookclubbers, about the fascination some people feel with numbers and the infinity when they are a child. When I read the book I got those memories back.

In that particular hot saturday, we just saw the proof of the cardinality of R being distinct of N, and for some 11-year-old boys it was too much for one day. We are dreaming about going home and playing soccer, but we still had 50 minutes more of math class to survive. Mrs. Carelli was having trouble keeping the order, and to keep us quiet she told us about a magic set: The Lychrel Numbers Set.

What are those Lychrel numbers? Well, it’s quite straightforward to define what are not a Lychrel number: if you take an integer, 305 for instance, and reverse its digits (503) and then add both numbers, you’ll get a palindrome: 808. In some cases, you’ll have to repeat the process more than once to get a palindrome, but you’ll eventually get one: 307 + 703 = 1010; 1010 + 0101 = 1111.

There’s, however, one magic number: 196.

This number can never be “palindromed”, and it creates a series of numbers that can never be “palindromed”: 691, 788, 887, 1675,  5761, 6347, 7436, and so forth.

The set of those numbers is known as Lychrel number, and it’s cardinality is supposed to be similar to N.

She didn’t tell us that, but challenged us to find out that 196 was not “magical”. The full classroom with 30 boys started summing and inverting digits and filling many sheets of papers with calculation for the next 50 minutes. At the end of the class, she told us that until that time no one had found a palindrome derived from 196, and it was believed that 196 would never be “palindromed”.

I went home and felt sorry for 196. Poor number! It’s not an ugly number, it was not prime, it wasn’t even an odd number. Why was it doomed to be forever inverted without reaching the comfort of being “palindromed”?

The years passed, and Lychrel numbers slipped to most obscure areas of memory but never vanished. Upon entering the University in 1993 when SPARCstations 2 were the most powerful desktop computers we had access, one of the first programs I developed was to spend idle computer time to calculate thousands of iterations for 196. It still seemed unfair that 196 could not rest in piece with its palindrome.

Still today, 196 reversed more than 10ˆ13 times, has no palindrome.

Sometimes, for fun, I thought about a somewhat mystical meaning for 196, related with the mystery of the Holy Trinity. As if God wanted to play with us and gave a number that has 1 (one God) and two multiples of 3 (the Trinity) with this “magical” property.

Some people ask when I talk about this subject: what’s the purpose of the Lychrel numbers in mathematics? None, as far as I know, but so was the prime numbers, the quaternions and other theories that later found a prominent place in the engineering, computer science or physics. Maybe the Lychrel numbers never find its use but for at least two thing it was very useful: to help a teacher calm down a classroom in 1987 and to make me love mathematics and get intrigued with the infinity.

naming infinity

Como explicar o caso Snowden para sua tia.

Imagine que você está num domingo ensolarado na praia de Ipanema quando toca seu celular. Do outro lado da linha a Tia Betty que quer saber se ainda é seguro pagar a conta de luz pela internet. Ela leu o tal do caso Snowden, viu lá o Fantástico e ficou preocupada. Quer que você explique para ela o que está acontecendo.

Neste momento você conta até dez para não mandar a Tia Betty para aquele lugar, afinal sua mãe vai ficar chateada e pensa em como se livrar do problema de maneira rápida.

A questão não é saber se existe um meio completamente seguro de se comunicar pela Internet, mas de quem você quer se proteger?

Eu costumo dizer que uma pessoa (empresa, entidade ou governo) com tempo e recursos consegue invadir qualquer sistema. É uma questão de valor do alvo e capacidade do invasor. Um alvo de baixo valor em geral não paga os recursos necessários para quebrar um sistema básico de criptografia, provavelmente este é o caso da sua tia.

Mas em alguns casos o usuário pediu para ser burro, entrou duas vezes na fila e ainda mandou caprichar, é o caso do sujeito que veio chorar que tiraram dinheiro da conta dele. Segundo o mané, ele recebeu um e-mail do banco dizendo que eles precisavam confirmar os dados dele, aí num site mequetrefe com a cara do Santander, ele digitou o login, a senha, a senha do cartão e ainda se deu o trabalho de digitar os 50 dígitos do cartão de segurança, além, obviamente, do número do cartão de segurança. Convenhamos, que com um usuário assim, os hackers mais pé de chinelo, que compraram o “Haqueando” Contas de Banco em duas semanas, conseguem se dar bem.

Mas e o Snowden, pergunta sua tia. Neste momento, caso você queira aproveitar seu domingo é melhor dizer para ela que tudo não passa de teoria da conspiração.

Algum usuário mais crédulo poderá dizer agora, não é verdade que qualquer sistema seja vulnerável. Ele pode até argumentar que não quebraram o código do TrueCrypt do Daniel Dantas, mesmo o FBI não quebrou. É verdade, mas será que o Daniel Dantas é um “high value target” que os americanos vão usar aquele zero-day-exploit especial que estão guardando para pegar um terrorista?

O fato que sabemos é que o código do TrueCrypt, apesar de aberto, ainda não foi totalmente, e está longe de ser, completamente validado contra vulnerabilidades.

Se você quiser saber a razão do buraco ser muito mais embaixo eu tenho algumas sugestões de leitura:

In God we trust

P.S: Depois de ler isto que eu falei, você vai entender porque nem o Serpro nem os Correios, mesmo que não fossem o lodaçal que são, não teriam condições de fazer um e-mail seguro para a Dilma. Eu acredito que nenhuma empresa brasileira tem condições.

Tremei América: Dilma define sistema contra espionagem

Há algumas semanas falávamos do patético sistema de e-mails que seria feito pelos Correios. Acontece que os Correios devem estar ainda numa daquelas greves eternas e não rolou e-mail. E a presidente da república agora anunciou pelo Twitter: “Determinei ao Serpro implantação de sistema seguro de e-mails em todo governo federal

Keith Alexander, diretor do NSA, parece que foi chamado às pressas à Casa Branca para discutir a questão. A América está em pânico diante da ofensiva tupiniquim. (~sqn como diz minha irmã pequena).

A questão pode ser vista de vários ângulos.

1) Da Incompetência: As imagens abaixo são auto explicativas. Do portal do Serpro hoje. É um Potpourri de incompetência, broken links, notícias de 2011, certificado inválido, etc. Se fosse na J.J. Cambalhota tudo bem, mas é uma empresa com 10.000 cabides funcionários.

2) Do mau uso da informação: Prefiro ser espionado pelo governo americano que pelo brasileiro. Perguntem ao Francenildo, se quem quebrou o sigilo da conta dele na caixa e expôs para o mundo que ele era um filho bastardo, foi o pessoal do governo ou o NSA?

3) Da inutilidade: Não há mal nenhum que o governo americano possa fazer a Petrobras que o governo já não tenha feito com sobras. Foi uma das melhores frases que li sobre a possível espionagem do governo americano à Petrobras. Quer proteger o patrimônio nacional? Tira os vagabundos que se alojaram no governo. É mais barato e eficaz.

4) Do custo: Esta brincadeira não vai sair barata, se sair. Vão montar uma comissão, daí uma licitação para contratar coisas e serviços, uns superfaturamentos no caminho e vamos ter a versão em e-mail do inferno brasileiro. Um dia não loga, outro dia não chega e-mail outro dia não manda e-mail.

5) Das outras prioridades: em termos de segurança há muitas prioridades que não são um faraônico sistema de e-mail. Os caças que são o principal mecanismo de defesa do espaço aéreo brasileiro vão ser tirados de uso no dia 31/12 deste ano e não foi comprado nada para substituir. A defesa anti-aérea é uma lástima como já falaram neste blog. A parte naval quase tem que descer para empurrar e nos quartéis é meio-expediente para o soldado ir comer em casa.

Mas e a segurança do e-mail da Dilma? Como disse outro dia um sábio: “fica tranquilo que quem vigia anta é o Ibama e não o Obama.”

@dilmabr toolbar

Cinco filmes sobre matemática que você deve ver.

Um dos posts mais populares do Zeletron é o dos cinco filmes que os amantes da tecnologia devem ver, e agora faço uma compilação pessoal do top5 em termos de matemática para você ter algo para ver hoje a noite 🙂

5) Moneyball (2011) – O homem que mudou o jogo
Usar estatística para vencer uma campeonato de Baseball? Não qualquer campeonato de baseball, mas a MLB. O treinador Billy Beane assume um risco ao contratar o matemático Peter Brand como seu assistente e aplicar um método matemático num esporte que sempre foi dominado por olheiros e pessoas com intuição. Será que o Oaklands A vai se sair bem com isto?

Grande filme e ótimo elenco.

4) I.Q. (1994) – A fórmula do amor

Um filme com Albert Einstein, Kurt Gödel e Boris Podolski, três gênios, que não conseguem trocar uma lâmpada. Este pode ser um breve descritivo para esta bela comédia romântica com Tim Hobbins e Meg Ryan. Não é 100% sobre matemática, mas vai fazer você se divertir.

3) 21 (2008) – Quebrando a banca
Baseado na história real de alguns estudantes do MIT que usando técnicas estatísticas, encontraram uma maneira de ganhar dinheiro no único jogo que apresenta uma fragilidade para os cassinos, o Black Jack ou 21. Baseado no livro “Bringing down the house”.

Eu conheci uma pessoa do MIT que disse que este esquema segue até hoje e que ele tinha participado dele durante algum tempo e que o filme é bem realista.

2) A Beautiful Mind (2001) – Uma mente brilhante

A vida do matemático, prêmio nobel de economia e desequilibrado mentalmente por uma grave doença, John Nash. Ganhador de Oscars e espetacularmente produzido é além disso uma história real.

A idéia de escrever no vidro com caneta de retroprojetor eu adotei desde aquela época para o desespero do pessoal da limpeza do trabalho.

1) Good Will Hunting (1997) – Gênio indomável

Matt Damon e Robin Williams fazem desta história, que mostra um rapaz genial que trabalhava como faxineiro no MIT, um dos grandes vencedores do Oscar. Há o lado humano, do rapaz que é genial, mas problemático que dá o grande toque de qualidade no filme. O seriado do Youtube Numberphile tem um episódio sobre a solução do problema do filme.

Gênio Indomável
Você sentiu falta de algum nesta lista?

Sugestão de Leitura: Prime Obsession

Existem livros que apesar de falarem de coisas bastante sofisticadas são muito agradáveis de ler e Prime Obsession é um deles.

Neste livro, John Derbyshare, conta a saga inacabada da busca do que é talvez o maior problema aberto na matemática e para o qual há um prêmio de US$ 1.000.000,00 para quem resolver: a Hipótese de Riemann.

Eu confesso que antes de ler o livro sabia muito pouca coisa sobre a Hipótese de Riemann (HR), mas o autor consegue com muita didática ir conduzindo o leitor passo a passo pelos labirintos matemáticos para que qualquer pessoa, ainda que sem formação matemática possa compreender a natureza do problema.

A HR diz que a função zeta de Riemann tem todos os zeros não triviais com parte inteira igual a 1/2.

E eu com isso, poderia dizer o leitor. A hipótese de Riemann além de ser uma excelente ferramenta para entender o comportamento dos números primos é o fundamento de muitas descobertas matemáticas, prová-las significa provar muitas outras coisas em consequência e refutá-la significa derrubar por terra vários outros resultados.

Além de agradável leitura, Prime Obsession leva o leitor a descobrir a era romântica da matemática, saindo de Leonard Euler, passando por Gauss, Riemann e vários gigantes que revolucionaram o campo nos séculos XVIII, XIX e XX.

Se você quiser dar um voto de confiança para este escriba aqui, leia este livro. Garanto que não se arrependerá.

Na Amazon: Prime Obsession: Bernhard Riemann and the Greatest Unsolved Problem in Mathematics

Na Livraria Cultura: Prime Obsession

Prime Obsession: Resenha

 

NOTA: A função zeta de Riemann é:

ζ(s) = 1 + 1/2s + 1/3s + 1/4s + ..