Programas de Taxi: o bom o mau e o feio.

Na verdade existem quatro principais programas de chamar taxi mas pretendo falar aqui dos três que conheço bem. Então vamos lá:

O bom: Taxibeat

Sim, este é meu favorito por vários motivos: funciona bem, tem uma boa taxa de resposta, você tem informações relevantes sobre o taxi que vai pegar. O ponto negativo é que cobra R$ 2,00 por corrida do motorista o que é quase 50% da bandeirada aqui em São Paulo.

Disponível para iOS e Android.

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O mau: 99Taxis

Este não cobra nada do motorista, tem uma interface bacana mas fez uma coisa que acho mortal para um produto: ofender o cliente: Eu usava muito este app e algumas vezes tinha problemas com motoristas que diziam que iam buscar você e não apareciam, números de rua errado, etc. Era um pouco incômodo mas usável. Reclamei algumas vezes pelo serviço de formulário deles, disse que o serviço estava muito ruim e uma bela hora recebo uma ligação:

  • Boa Noite
  • Boa Noite, aqui é a Kelly Sheilla Fabiana, da 99Taxis. Queriamos falar da sua reclamação.
  • Pois não.
  • O senhor disse que o serviço está uma m**da.
  • Eu com certeza, não usei esta palavra.
  • O senhor disse que o serviço está uma m**da
  • Eu não falei com este termo.
  • Qual termo?
  • Este que você acabou de falar.

Desligou….

Nota posterior: Estava hoje à tarde, 12-11, trabalhando quando recebi uma chamada do pessoal da 99Taxis. Foram muito gentis e explicaram que o que aconteceu é inadmissível mas que vão colocar todos os meios necessários para evitar que isso aconteça de novo.

O feio: EasyTaxi

Também cobra do motorista e é talvez o que faz mais propaganda. Em si o aplicativo não é mau, mas é mais feio que bater na mãe por causa de comida. Acredito que pode ter potencial se contratar um designer bom.

A vantagem dele é que suporta iOS, Android, Windows Phone e tem um app para Web.

Easy Taxi Feio demais

Existe ainda o Taxijá, mas este eu nunca utilizei e não posso colocar ele nem em bom, nem em mau, nem em feio.

E você, qual seu programa favorito?

Universidade pública e gratuita: o preço do atraso

Todos os anos, quando sai o ranking das universidades, eu costumo fazer esta mesma reflexão: grande parte do nosso atraso se deve ao fato de termos universidades públicas gratuitas.

Eu tenho consciência de que este post irá atrair a ira de muitos, e também que há bons argumentos em contra do que vou dizer, mas penso que algumas coisas precisam ser ditas, mesmo que aborreçam os leitores.

Hoje vimos que a USP, a melhor universidade do Brasil segundo praticamente todos os rankings existentes, ficou de fora do Top200 das universidades do mundo. Não é, definitivamente, algo a se comemorar. Fico triste, fiz ali o doutorado, mas isto não me isenta de voltar a afirmar que o modelo é ruim.

Universidades públicas gratuitas sofrem de uma dupla doença, estimulam a acomodação de bons professores e de bons alunos. Explico-me: numa universidade privada de alto nível temos bons alunos e bons professores e ambos estão motivados, os primeiros por que querem uma boa carreira e estão pagando caro pelos seus estudos, os outros porque são bem remunerados, tem boas condições de trabalho e sabem que acomodar-se é uma receita eficaz para a demissão ou a desgraça na carreira.

Na universidade pública brasileira estas duas coisas são complicadas. Os alunos não precisam se esforçar tanto, afinal não estão pagando nada, não vão ser jubilados se não fizerem muitas barbaridades, e no final acabam tirando seu diploma em uma universidade bem reconhecida no Brasil. Os professores tem estabilidade, mas também recebem um salário que não varia muito caso produzam mais, não tem tantas facilidades de financiamento para a pesquisa, mas também a falta de produtividade é suprida por outras atividades e brigas de egos.

Mas há o ProUNI, dirá o petralha furibundo. Sim, o ProUNI é o maior programa mundial de jogar dinheiro na lata do lixo. O ProUNI financia as Faculdades Amontoadas de Rio Pequeno da Casa do Chapéu, que é uma fábrica de produzir diplomas, eu já dei aulas numa destas e sei como a banda toca por lá.

Mas e os pobres? Dirá outro que se sente ultrajado pelos meus comentários. Os pobres não entram nas universidades públicas em geral. Os pobres tem seus diplomas emitidos por faculdades privadas que recebem dinheiro do governo, nosso dinheiro, para receber uma educação em geral sofrível.

Existe também as faculdades dentro da universidade pública, que pagas com o meu e o seu dinheiro, são antros de doutrinamento político partidário, sinônimos de pouco estudo e muita maconha. Sim, com raras exceções este é o panorama das escolas de humanas no país.

O aluno de escola pública tem pouca gratidão para com sua universidade, quanto mais com o contribuinte que pagou seus estudos. Se vemos nos EUA, pessoas que chamam sua Universidade de Alma Mater, doam grandes quantias, promovem eventos para arrecadar fundos aqui no Brasil isto não acontece.

Bom, mas o que você propõe? Pergunta alguém que ficou interessado nos argumentos. Se quisermos chegar no nível tecnológico que há nos EUA, na Inglaterra, Suíça, Japão, Canadá, Austrália, Cingapura, entre outros é preciso mudar a política educacional. Privatizar as universidades públicas ou instituir um regime de mensalidade nelas, tirar a estabilidade dos professores. Com o valor economizado investir em pesquisa e remuneração para bons professores, trazer professores de ponta, financiar alunos que precisam em Universidades que valem a pena.

Estimular os cursos técnicos. O diploma universitário não é algo que tem valor em si, mas se vem acompanhado de uma formação decente. Há muitos profissionais extremamente competentes que não cursaram universidades. E digo mais, melhor um excelente curso técnico que um curso mequetrefe de TI numa universidade de fundo de quintal.

Quer debater este assunto? Os comentários estão aí a disposição.

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Blackberry rodou, como eu disse.

Hoje a Blackberry anunciou que será comprada por um grupo privado por 4.7 Bilhões de obamas. O objetivo do comprador parece ser um desmanche para vender peças.

Com isto ficamos com 3 ecosistemas de celular: iOS, Android e Windows Phone.

Ruim para o consumidor pois diminui a concorrência. Bom para os desenvolvedores que têm menos plataformas para portar.

Os que me bateram nos posts que anunciei o fim da Blackberry e minhas profecias para o futuro podem fazer uma reverência para o analista que come ovo cozido na Cinelândia.

Blackberry morreu

Tremei EUA: Dilma disse que vai fazer um e-mail nacional

Há coisas que seriam cômicas nao fossem muito trágicas.

A péssima gestao do dinheiro público protagonizada nos últimos 11 anos é tao grotesca que em alguns casos chega a provocar o riso. Leio agora no G1: “Contra espionagem, governo quer sistema de e-mail nacional” e o subtítulo: “Ministério das Comunicações fez o pedido para os Correios. Ideia surgiu depois de primeiras denúncias sobre espionagem dos EUA.”

Depois de trazer escravos cubanos nos navios negreiros dos genocidas Fidel e Raul a presidente agora decide que precisa de um e-mail nacional, algo como um FulecoMail, e decide encomendar esta tarefa a quem? Aos Correios.

Para quem tem a memória fraca foi nos Correios que rolou boa parte do Mensalão e já conhecemos a famosa eficiencia dos Correios. Tendo isto em conta imagino o Obama rolando no chão de rir ao pensar no Frankstein Brasuca que será este correio eletrônico.

Outra pergunta que fica é: porque o estado brasileiro precisa ser babá? Não tem empresas neste país? Nenhuma delas tem capacidade de fazer um sistema de e-mail caso isto seja necessário?

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Testando a qualidade da rede da sua operadora

Há dois meses, o Eduardo Akira, amigo blogueiro e assíduo leitor do blog desde as remotas épocas do NokiaBR (e lá se vão mais de seis anos), me sugeriu um aplicativo para testar a rede da minha operadora de celular.

Sabe quando você acha que sua operadora não está prestando um bom serviço em algum ponto? Com esse aplicativo é possível provar para eles que o serviço está ruim e onde está ruim.

O programa se chama “Cellphone Coverage Map” e testa tanto a qualidade do sinal de voz quanto a velocidade de transmissão de dados (download e upload).

Com este app, ele e os colegas de trabalho dele conseguiram isenção de pacotes de dados da operadora dele, porque provaram que a internet móvel na cidade deles, para aquela operadora, estava morta ;).

Os links para download para iPhone e Android seguem abaixo, junto com as telas do programa rodando aqui no Rio de Janeiro no meu celular que usa a rede da Vivo.

https://itunes.apple.com/br/app/cell-phone-coverage-map/id399701910?mt=8

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.rootmetrics&hl=pt_BR

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Desta vez o @cardoso exagerou na dose de bobagem no MeioBit

Antes de começar o texto, um aviso, o Cardoso tem muito mais leitores que eu, é infinitamente mais influente na blogosfera que eu e tem mais fãs e haters que eu. Gosto muito do estilo de escrita dele como já falei antes aqui, e acho infeliz os outros autores do Meio Bit que tentam copiar o estilo e expressões dele.

Tendo feito esta observação convém ressaltar que a formação científica do Cardoso é bastante inferior à daquele que vos escreve. Isto é arrogância? É uma constatação dos fatos, como o primeiro parágrafo. Comento a seguir um texto dele publicado hoje ontem no Meio Bit.

O texto dele vai em vermelho e o meu em azul.

Imagine que 95% dos acidentes de carro fossem causados por um vírus. Agora imagine que um grupo de cientistas descobriu uma vacina que protege contra esse vírus, mas como todo bom talismã mágico, há um porém: Você precisa se vacinar antes de aprender a dirigir.

Problema nenhum, certo? Vacine-se as crianças e pronto. Protegidas por toda a vida.

Se a vacina for segura, comparada com os possíveis danos causados à população e se for um gasto, em termos de saúde pública, que faça sentido, concordo plenamente.

Agora imagine que um grupo de idiotas acha que ao vacinar as crianças antes de aprenderem a dirigir as torna propensas a querer dirigir antes do tempo, e por isso preferem que seus filhos fiquem desprotegidos, suscetíveis ao vírus que causa 95% dos acidentes, mesmo sem nenhuma relação real entre uso da vacina e interesse em dirigir.

A comparação é desonesta, já que querer dirigir antes do tempo é diferente do que se comentará a seguir. Serve como uma metáfora, mas é bem fraca.

Em essência é a vacina contra o HPV, o Human Papyloma Virus. Esse bicho é responsável por verrugas genitais e diversos tipos de câncer, incluindo 95% dos casos de câncer de útero. E EXISTE UMA VACINA! isso mesmo, fuck cancer, uma vacina que aplicada em mulheres (casos de câncer de útero em homens tendem a ser raros) antes da fase sexualmente ativa, quando têm contato com o HPV e outros vírus, garante imunidade.

Descreveu de maneira boa o que faz a vacina e até aqui não temos muitos problemas.

A polêmica, criada por conservadores e fanáticos religiosos nos EUA, é que ao vacinar crianças e pré-adolescentes estariam estimulando esses jovens e iniciar atividade sexual. Sim, eu sei, não faz sentido, mas mesmo que fizesse se o preço pra proteger minha filha de um troço que causa 95% dos casos de câncer no útero fosse se tornar sexualmente ativa, eu mesmo contrataria o Kid Bengala.

O nome que se dá para contratar o Kid Bengala é pedofilia. Mesmo você sendo pai da criança ficticia o que você propôs é uma aberração tão grande que espanta não ter saltado aos olhos dos leitores do Meio Bit, mas isto tem uma explicação que vai mais adiante. Contratando o Kid Bengala depois de ter vacinado ela contra HPV pode fazer com que ela contraia Aids, Sífilis, Gonorréia e fique grávida na adolescência. Aí o esperto diria, mas o Kid Bengala irá usar preservativo, ok. Segue sendo pedofilia e diminui muito a chance de Aids, Sífilis, Gonorréia e engravidar.

Alheio a essa polêmica babaca, o SUS vai investir R$ 360,7 milhões na compra de 12 milhões de doses, aplicadas em meninas entre 10 e 11 anos, a partir de 2014. No Brasil o câncer de colo de útero é o segundo maior matador de mulheres, por ano são 4,8 mil vítimas fatais e 18.430 novos casos são diagnosticados.

Há várias prioridades que o Cardoso esquece e vacinar contra HPV aos 10 não é de longe a mais importante. Já visitei hospitais e pronto atendimentos de várias cidades do país e posso garantir que HPV não é de longe a maior preocupação. Em Amajari, RR, estive dois anos lá fazendo trabalho voluntário e os primeiros médicos que passaram lá foram do nosso grupo. Lá a grande preocupação de saúde é que quando se corta o dedo com uma serra não há quem conserte. O remédio é esquentar um facão e cortar o polegar fora. Depois que você faz uma cirurgia vascular na mesa do diretor da escola com estilete de cortar folha de caderno você tem um pouco mais de noção de onde se poderia empregar os 360 milhões de reais.

Não precisa ir a Roraima para ver coisas similares, no Capão Redondo um aluno que eu co-oriento na USP contou que a furadeira falhou e ele foi no supermercado comprar uma Black and Decker para abrir a caixa craniana. É episódico? Sim. Mas é um conjunto muito grande de fatos episódicos e conhecendo como é a administração do PT não creio que o estudo epidemiológico e de custo tenha sido o mais competente para o pais.

E não. O câncer de colo de útero não é o segundo matador de mulheres. Em termos de câncer em mulheres é o quarto que mais mata, o segundo mais comum. (1-Mama, 2-Aparelho Respiratório, 3-Colon e Reto, 4-Colo de útero).

Poderia dizer que há esperança disso mudar, mas não seria verdade. Não é esperança, é praticamente certeza.

Nos EUA, somente 32% das meninas tomaram as 3 doses necessárias para a vacina surtir efeito. O criminoso movimento antivaxxer e conservadores religiosos afetaram as campanhas de saúde pública. MESMO ASSIM comparando com dados pré-2006, quando a vacina foi introduzida, os casos de contaminação por HPV entre adolescentes caíram 56%.

Nenhuma variação na atividade sexual das meninas foi identificada. Estranhamente não associaram tomar injeção com autorização pra liberar a bacurinha.

Se este dado tiver a mesma confiabilidade do que tem acima fica difícil acreditar, além disso nunca é boa prática ler um artigo científico só pelo abstract. Quem já esteve dos dois lados do peer-review sabe como torturando bem os dados conseguimos mostrar quase tudo. Um estudo isolado, e que não tenho a referência acima, é difícil ter sua validade analisada.

No Brasil vamos superar de longe essa marca. Nossos conservadores religiosos não costumam encher o saco com assuntos de saúde pública, aqui até padre usa camisinha.

A citação ao padre sem vergonha, cujo link removi, mas você pode ver no Meio Bit é tentar confundir a discussão. Mas concordo, o brasileiro é muito frouxo (mesmo com as recentes manifestações) para brigar por estas coisas. E com relação ao grupos católicos no Brasil é mais fácil brigarem pela reforma agrária que discutir questões sérias de saúde pública.

De resto, qual foi a última vez que você viu um cachorro com hidrofobia ou uma criança aleijada por pólio? Vacinas funcionam, vide os casos de sarampo nos EUA após a introdução da vacina:

sarampo

Comparar sarampo com HPV é comparar laranjas e pepinos. Obviamente que o sarampo, como a varíola já foi, está em vias de ser erradicado e isto graças a campanhas inteligentes de vacinação.

Mas afinal, você, Pedro Paulo, é contra ou a favor de vacinar contra HPV. Eu não sou contra, mas acho que a questão é bem mais complexa que parece e precisa de uma discussão séria sem por o Kid Bengala no meio.

Portanto, faça a coisa certa e vacine suas filhas. Se não quiser esperar o SUS, a vacina já está na rede privada, e vale cada centavo de sei lá quanto estão cobrando. Não estou pedindo que acredite em mim. Como diz Richard Dawkins, ciência funciona. Se você baseia medicina em ciência, ela cura pessoas, se projeta aviões baseado em ciência, eles voam.

Ciência funciona, bitches.

O próprio Cardoso mostrou hoje como eles voam… Mas para quem crê que a Ciência é o único deus e Dawkins o seu profeta é fácil negligenciar estas contradições no próprio dia.

Com relação à razão pela qual os comentaristas do meio bit não atentaram para estes pontos, colo dois screenshots abaixo que ilustram bem a fauna.

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Brasil adquire artilharia, obsoleta, para Copa das Confederações

Não adquiriu um Romário, isto sim seria um artilheiro. E também não é uma Artilharia Antimissil como disse o jornalista analfabeto do G1. Mas que é ultrapassada é.

Defesa Antiaérea

A defesa aérea do país é uma piada macabra e agora comprando material de segunda mão com sérias limitações os caras acham que estão fazendo alguma coisa.

As unidades do Gerpard, usadas, que o Brasil comprou, foram fabricadas por volta dos anos 70 e tem capacidade de engajar alvos até 10000 pés (pouco mais de 3km) de altitude. Considerando que a única defesa aérea do Brasil até hoje eram os canhões Bofors 40mm e Oerlikon 35mm e os mísseis Igla-1 não havia como piorar a situação.

Chamar os Gepard de algo adequado para o século XXI como primeira linha de defesa aérea é no mínimo uma piada.

Será que o Brasil não tem dinheiro para gastar com algumas baterias de S-300?

Nota: A primeira linha e a foto do G1 foram colocadas pelos editores do Zeletron.

Coréia do Norte e as lições da II guerra mundial

Na sua magistral obra sobre a segunda guerra mundial, o prêmio nobel de literatura e primeiro ministro britânico, Sir Winston Churchill dedica o primeiro volume ao que ele chama de “Preparativos para o desastre“.

Os preparativos para o desastre são uma interessante tese de que a segunda guerra mundial tem sua responsabilidade compartilhada com o pacifismo bocó (aqui eu entrego a minha idade…). Pacifista bocó é todo aquele que sonha com a paz não como um bem, mas como uma forma de se livrar da responsabilidade de garantir a paz mais duradoura.

Um adágio latino afirma, si vis pacem, para bellum; se queres a paz, preparas-te para a guerra. Todos os que defendemos a pátria através das diversas forças armadas queremos a paz, mas sabemos que para tê-la temos que estar preparados para o combate.

Isto acontece agora na península da Coréia. Como já foi falado neste blog, aliás conheci este blog e me ofereci para escrever nele após este texto que cito, é bem provável que a Coréia do Norte não tenha meios para usar as cerca de oito ogivas nucleares que se acredita que possua. A retórica norte-coreana, liderada pelo gordinho Kim, é mais jogar para torcida que uma retórica que visa atos concretos.

Acontece que o mundo não para agora em 2013 com Kim voltando para seu Playstation 3 e o mundo indo tratar de seus negócios depois de mais uma guerra evitada. Se a guerra que Kim consegue hoje é no Battlefield apenas, é provável que em três ou quatro anos ele tenha meios de lançar suas armas nucleares em alvos americanos. Aí pode ser que ele não se contente com ameaçar e depois de criar confusão voltar para seu videogame. Pode ser que ele resolva jogar um jogo de verdade.

Além de Kim outros observam com atenção a dança de Obama e outros líderes. Em concreto o Irã. A depender de como fique a vida de Kim depois desta confusão Ahmadinejad pode achar que é um bom negócio enfrentar os EUA. Os aiatolás podem se convencer de vez que ter armas nucleares é um passe livre para nunca mais serem incomodados pelos EUA.

Da mesma forma que quando Hitler invadiu a zona desmilitarizada do Reno em 1936, anexou a Áustria em 1938 e ainda no mesmo ano tomou os Sudetos, diante o olhar passivo dos aliados, que até 1939 teriam condições de encerrar o III Reich; agora Kim pode ser removido do poder, talvez em quatro anos isto custe uma real guerra nuclear.

Não é possível aceitar agora algo que não seja uma desmilitarização da Coréia do Norte, mesmo que custe uma guerra agora. É melhor uma guerra com um país que tem ogivas mas não tem como entrega-las que uma guerra com uma potência nuclear faminta.

Chegou o momento de tomar os controles do Playstation de Kim Jong-Un. Não é um direito, é um dever.

Si vis pacem, para bellum

Nota do Zeletron: General Patton é o pseudonimo de um oficial das forças armadas que vai escrever de tempos em tempos no Zeletron sobre assuntos de tecnologia ligada a defesa. General Patton como todos os outros autores representa apenas suas próprias opiniões.

Portando para o Python 3

Em 2008 foi lançada a versão 3 da linguagem Python com diversas funcionalidades novas, mas parcialmente incompatível com os programas feitos para Python 2. Nestes 5 anos, a adoção ainda não é grande exatamente por causa deste fator e porque normalmente as pessoas não querem ter que aprender os detalhes que são necessários para essa mudança.

Hoje em dia existem diversas ferramentas que permitem desenvolver software que seja compatível com as duas versões, mas para isso é preciso entender o que mudou e adaptar. Este é será um guia rápido com dicas para migrar para Python 3 e aproveitar as melhorias que essa nova versão traz.

Parte I – Quando migrar

Por causa da incompatibilidade que existe, muitos desenvolvedores não podem começar a migração pois dependem de diversas bibliotecas que ainda não fizeram sua parte. Hoje em dia, grande parte das bibliotecas mais importantes da linguagem já são compatíveis com Python 3, o que torna bem mais plausível converter seu código.

Para computação númerica NumPy, SciPy, Matplotlib, IPython e Pandas são as ferramentas mais importantes e todas já foram portadas. Em desenvolvimento web, os frameworks mais importantes – Pyramid e Django – também funcionam perfeitamente em Python 3. Para criar GUI’s, PyQT4 e Tkinter podem ser utilizados sem problemas.

– O que falta então?

Normalmente são as pequenas bibliotecas que fazem trabalhos específicos e que já não são atualizadas há anos. Inclusive, este é um bom momento para se livrar delas. Procure no PyPI por algo semelhante que resolva seu problema e que seja compatível com Python 3.

– E se eu não quiser migrar?

Aproximadamente em 2017, o suporte para Python 2 vai terminar e este já não recebe novas funcionalidades desde 2010, com o lançamento do Python 2.7. Atualmente, só atualizações de segurança e outros bugs sérios são lançadas. Além disso, em breve o Python 3 será instalado por padrão na maioria das distribuições Linux, como já o é no Arch Linux e será no Ubuntu 13.04 ou 13.10.

– Mas mexer em código antigo que já funciona há anos é difícil…

Sim, isso é um grande impedimento. O ideal é começar a aprender com código novo e, quando surgir a oportunidade (ou necessidade) modificar os códigos antigos. A dica é, comece pelas suas bibliotecas para depois partir para as aplicações.

– Por onde eu começo?

O meu texto preferido sobre o tema é Dive into Python 3 que traz todos os detalhes sobre a linguagem e mostra o caso de migração de um software real. Aqui só faço uma introdução sobre o tema.

Independente de querer migrar ou não o seu código, é interessante conhecer o Python 3 e passar suportá-lo em código novo. Mesmo que você esteja escrevendo código com bibliotecas obsoletas, existem boas práticas que deixam permitem desenvolver já pensando no futuro.

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Anunciado o fim do Google Reader

Na sua limpeza de primavera o Google anunciou que entre os produtos que serão exterminados está o Google Reader. Data da morte: Junho. Motivo, diminuiu a base de usuários. Até aí é o que você pode já ter lido em outros lugares.

Vamos tentar analisar um pouco mais a fundo as implicações disto.

Matar um produto como o Google Reader que muita gente usa, e muitos apps usam: Reeder, Flipboard, Pulse, etc, sinaliza para o usuário que a menos do buscador todos os produtos do Google são descartáveis. Basta um declínio na base de usuários que algo de sucesso como o Google Reader é rapado sem dó nem piedade.

O Reader vai para o céu dos serviços Google junto ao Buzz que ia destronar o Twitter, com o Wave que ia mudar o e-mail e muitos outros menos conhecidos.

Vendo esta forma de atuar do Google eu me pergunto: será que você vai migrar do Facebook para o Google+? Do Skype para o Google Voice? Do iOS para o Android? Que garantia o Google me dá que na próxima primavera a guilhotina não vai descer sobre Google+, Google Voice ou Android?

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Coreia do Norte ameaça atacar os EUA com armas nucleares. E daí?

Eu nasci nos últimos anos da Guerra Fria e enquanto passava as férias em Angra dos Reis, meu tio e minha tia, que trabalhavam com energia nuclear, gostavam de nos explicar como funcionava uma bomba atômica, como era o processo de fusão e fissão nuclear. Naqueles anos, um pouco antes de Mikhail Sergeyevich Gorbachev, vivíamos ainda sob a constante ameaça de uma guerra nuclear.

Quem nasceu depois da guerra fria pode achar esquisito o medo que tínhamos da guerra atômica e do espanto que hoje tive ao ler a notícia de que a Coreia do Norte afirmou estar pronta para atacar os EUA com armas nucleares. Durante a guerra fria falar algo assim era declarar guerra. Hoje os EUA nem deram muita importância ao assunto.

Um amigo de infância que enveredou por carreira de humanas ligou e perguntou: Você acha que isto pode acontecer? Eu respondi a ele e agora detalho um pouco mais.

Pode, mas é altamente improvável pelas razões que vão a seguir.

1) A Coréia do Norte não tem provavelmente como atingir os EUA. É fato que a Coreia do Norte conseguiu colocar um objeto em órbita. Mas daí a ter um ICBM (intercontinental balistic missile) funcionando vai uma distância razoável. O que pode acontecer é que eles joguem a bugiganga nuclear deles para cima e acertem em algum lugar dos EUA, mas daí a dizer que vai acertar em Washington vai uma boa distância.

2) A Coréia do Norte consegue acertar talvez o Havaí com o míssil Musudan-1, mas convenhamos que não é uma coisa que vá lhes ajudar em nada a não ser fazer um novo Pearl Harbor.

3) A Coréia do Norte é louca mas não é burra. Uma das consequências de um ataque nuclear é que o contra-ataque é garantido. É um dos pilares do Mutual Assured Destruction que garantiu a paz durante a guerra fria.

4) É importante notar que China e Rússia, que tem armas atômicas que funcionam, não vão curtir muito um míssil norte coreano que pode estar desgovernado com armas atômicas. Também não vão gostar muito do contra-ataque dos americanos que transformaria Pyongyang e redondezas num grande deserto.

E o que o Kim Jong-un ganha com a bravata? Por enquanto ele ganhou mais sanções e corte de comida que os americanos forneciam como ajuda humanitária. Talvez seja um jogo de cena para manter o poder, talvez seja uma maluquice que lhe custe o poder.

Imagem do Dailymail

É possível alguém “hackear” a eleição do Papa?

Com a gentil permissão do autor, reproduzimos aqui, traduzido para o português o texto do famoso especialista em segurança Bruce Schneier.  Uma versão anterior deste ensaio foi publicada na CNN e é uma expansão do ensaio que Bruce Schneier escreveu no conclave de 2005. O original deste artigo pode ser encontrado no site do autor. Caso você queira saber mais sobre o conclave indicamos este outro site com um resumo.

Conclave 2013

Enquanto o Colégio de Cardeais se prepara para eleger um novo papa, as pessoas que trabalham com segurança tem me perguntado sobre o mecanismo de eleição. Como funciona, e quão difícil seria hackear a votação?

As regras para as eleições papais estão imersas na tradição. João Paulo II modificou-as em 1996, e Bento XVI deixou as regras praticamente intocadas. A “Universi Dominici Gregis sobre a vacância da Sé Apostólica e a eleição do Romano Pontífice” é surpreendentemente detalhada.

Todos os cardeais com menos de 80 são sujeitos ativos para votar. Esperamos, neste conclave, 117 para votar (Nota do Tradutor: a estimativa no dia de hoje é de 115). A eleição tem lugar na Capela Sistina, dirigida pelo Cardeal Camerlengo da Igreja. A cédula é inteiramente baseada em papel, e toda a contagem dos votos é feita à mão. Os votos são secretos, mas todo o resto do procedimento é aberto aos presentes.

Primeiro, há a fase de pré-escrutínio

“Pelo menos duas ou três” cédulas de papel são dadas a cada cardeal, presumivelmente para que um cardeal tenha uma ou outra sobressalente caso de ele cometa um erro. Em seguida, nove gerentes do processo são selecionados aleatoriamente dentre os cardeais: três “escrutinadores” que contam os votos; três “revisores” que verificar os resultados dos escrutinadores, e três “Infirmarii” que recolhem os votos daqueles que estão doentes demais para estar na capela. Diferentes conjuntos de gerentes são escolhidos aleatoriamente para cada votação.

Cada cardeal, incluindo os nove gerentes do processo daquela eleição, escrevem seu escolhido para Papa em uma cédula retangular “na medida do possível com uma letra de que não possa ser identificada como o sua.” Ele, então, dobra o papel longitudinalmente e o segura no ar para que todos vejam.

Quando todos tiverem escrito o seu voto, a fase de escrutínio da eleição começa. Os cardeais se dirigem ao altar um por um. No altar há um cálice grande, com uma patena – uma rodela de metal rasa usada para guardar hóstias durante a Missa – cobrindo o cálice. Cada cardeal coloca sua ficha dobrada sobre a patena. Então ele pega a patena e desliza seu voto dentro do cálice.

Se um cardeal não pode caminhar até o altar, um dos escrutinadores – à vista de todos – faz isso por ele.

Se algum cardeal está demasiado doente para ir à capela, os escrutinadores dão aos Infirmarii uma caixa lacrada com uma ranhura, e os três Infirmarii juntos vão recolher os votos. Se, ainda assim, um cardeal está doente demais para escrever, ele pede a um dos Infirmarii para fazer isso por ele. Na volta a caixa é aberta, e as cédulas são colocados na patena e no cálice, uma de cada vez.

Quando todas as cédulas estão no cálice, o primeiro escrutinador sacode-o várias vezes para misturá-las. Em seguida, o terceiro escrutinador transfere as cédulas, uma por uma, a partir do primeiro cálice para o outro, contando-as no processo. Se o número total de cédulas não está certo, as cédulas são todas queimadas e os votos começam novamente.

Para contar os votos, cada cédula é aberta, e o voto é visto por cada escrutinador, chegando ao terceiro este lê em voz alta. Cada escrutinador escreve o voto numa folha de registro. Isto tudo é feito à vista de todos os cardeais.

O número total de votos que cada pessoa recebeu é escrito em uma folha de papel separada. Cédulas com mais de um nome (votos múltiplos) serão consideradas nulas, e suponho que o mesmo aconteça com as cédulas com nenhum nome escrito nelas (votos em branco). Cédulas ilegíveis ou ambíguas são muito mais prováveis de acontecer, e suponho que eles serão descartadas também.

Depois, há a fase de “pós-escrutínio” feita a contagem dos votos os escrutinadores determinam se há um vencedor. No entanto nós ainda não terminamos.

Após isto os revisores verificar todo o procedimento: cédulas, folhas de anotação, contagem, soma, tudo. E então, as cédulas são queimadas. É daí que a fumaça vem: branco, se um Papa foi eleito, preto se não – a fumaça preta é criada pela adição de água ou um produto químico especial nas cédulas.

Para ser eleito Papa é necessária uma maioria de dois terços dos votos mais um. Este é o ponto da legislação onde o Papa Bento XVI fez uma mudança. Tradicionalmente, uma maioria de dois terços, sempre foi exigida para a eleição. O Papa João Paulo II mudou as regras para que após cerca de 12 dias de infrutíferas votações, uma maioria simples fosse suficiente para eleger um Papa. Bento XVI reverteu essa regra.

Então agora a pergunta: quão difícil é “hackear” este processo?

Em primeiro lugar o sistema é completamente manual, o que impede qualquer tipo e forma de ataque tecnológico que podem atingir os atuais sistemas de votação mundo afora.

Em segundo lugar, o pequeno número de eleitores – todos se conhecem – isto torna impossível que uma pessoa de fora consiga interferir na votação de qualquer maneira. A capela é esvaziada e trancada antes de cada votação. Ninguém vai se vestir como um cardeal e esgueirar-se na Capela Sistina. Em suma, o processo de verificação dos eleitores é o melhor possível.

Um cardeal não pode colocar múltiplas cédulas quando ele vota. O complicado ritual patena e cálice garante que cada cardeal vote apenas uma vez – seu voto é visível – e também mantém uma mão na haste do cálice que contém os outros votos. Não que eles não tenham pensado sobre isso: Os cardeais estão em “sobrepeliz” durante a votação, a sobrepeliz tem mangas de renda translúcidas sob uma curta capa vermelha, isto faz com que truques manuais sejam muito mais difíceis. Além disso, provavelmente a soma seria errada.

As regras prevêem isto de outra forma: “Se durante a abertura das cédulas os escrutinadores encontrarem duas cédulas dobradas de tal maneira que elas pareçam ter sido feitas por um único eleitor, se esses votos têm o mesmo nome, eles são contados como um voto; se no entanto eles tem dois nomes diferentes, nenhum dos dois votos será computado, no entanto, em nenhum dos dois casos a sessão de votação é anulada “. Isso me surpreendeu, pois parece ser mais provável que isto aconteça apenas por acidente e resulte em que os votos de dois cardeais não sejam contados.

Cédulas de votações anteriores são queimadas, o que torna mais difícil utiliza-las para fraudar a urna. Mas há um detalhe pequeno: “Se, acontece uma segunda votação imediatamente após a primeira, as cédulas da primeira votação serão queimada apenas no final, juntamente com as da segunda votação.” Eu suponho que é assim para que haja apenas uma nuvem de fumaça para as duas votações, mas seria mais seguro queimar cada conjunto de cédulas antes da próxima rodada de votação.

Os escrutinadores são os que estão na melhor posição para modificar votos, mas é muito difícil. A contagem é feita em público, e há várias pessoas verificando cada passo. Seria possível que o primeiro escrutinador, se ele fosse bom em passes de mágica, trocar uma cédula de votação por outra antes de registrá-la. Ou para o terceiro escrutinador trocar as cédulas durante o processo de contagem. Fazer uma cédula grande faria este tipo de ataque mais difícil. Outra opção, seria controlar as cédulas em branco melhor, só distribuir uma para cada cardeal em cada votação. Eu suponho que como um cardeal pode mudar de idéia durante o processo de votação faz sentido a distribuição de mais de uma cédula.

Há tanta checagem e rechecagem que é praticamente impossível que um escrutinador anote errado os votos. E, uma vez que os escrutinadores são sorteados aleatoriamente em cada votação, a probabilidade de haver um conluio é extremamente baixo. Talvez uma forma de ataque fosse burlar o sistema de seleção de escrutinadores, que não está bem definido no documento. Manipular a seleção de escrutinadores e revisores parece um primeiro passo necessário para manipular a eleição.

Se existe alguma fragilidade possível no processo seria na contagem.

Não há nenhuma razão real para fazer uma precontagem, isto dá ao escrutinador que faz a transferência uma chance de trocar cédulas legítimas com outras que ele já havia colocado na manga. Agitar o cálice para randomizar as cédulas é inteligente, mas colocar as cédulas em uma bola de arame giratória seria mais seguro – embora menos reverente.

Eu gostaria também de acrescentar a exigência de usar algum tipo de luva branca para evitar que um escrutinador esconda um lápis ou caneta sob a ponta de suas unhas. No entanto a exigência de escrever por extenso o nome do candidato forneça já algum tipo de resistência contra este ataque.

Provavelmente, o maior risco é a complacência. O que pode parecer bonito na sua tradição e ritual durante a primeira votação, poderia facilmente tornar-se pesado e chato depois da vigésima votação, e há a tentação de pegar um ou outro atalho para economizar tempo. Se os cardeais fizerem isto, o processo eleitoral se torna mais vulnerável.

Na mudança do processo em 1996 se permitiu que os cardeais vão à capela para as votações e voltem para seus dormi voltam da capela para suas salas de dormitório, em vez de ser bloqueado na capela o tempo todo, como foi feito anteriormente. Isso torna o processo um pouco menos seguro, mas muito mais confortável.

É claro que, um dos Infirmarii podia fazer o que quisesse ao transcrever o voto de um dos cardeais doentes. Não há nenhuma maneira de evitar isso. No entanto se o cardeal enfermo estiver mais preocupado com isto, que com a privacidade, ele poderia pedir a todos os três Infirmarii que testemunhassem o que foi escrito na cédula.

Há também enormes empecilhos sociais, religiosos na verdade – para aquele que quiser fraudar o voto. A eleição ocorre em uma capela e em um altar. Os cardeais fazem um juramento ao colocar seus votos – mais um dissuasor. O cálice e patena são os instrumentos utilizados para celebrar a Eucaristia, o mais sagrado ato da Igreja Católica. E os escrutinadores são explicitamente exortados a não formar qualquer tipo de conspiração, ou fazer planos para influenciar a eleição, sob pena de excomunhão.

Outro importante risco de segurança no processo é a espionagem do mundo exterior. A eleição deve ser um processo completamente fechado, sem nenhum tipo de informação para o exterior, exceto o vencedor. No mundo de hoje com alta tecnologia, isto é muito difícil. As regras declaram explicitamente que “a capela deve ser protegida contra dispositivos de gravação e transmissão, com a ajuda de pessoas confiáveis com capacidade técnica comprovada.” Isso foi muito mais fácil em 2005 que vai ser em 2013.

Quais são as lições deste processo?

Primeiro, sistemas abertos conduzidos dentro de um grupo conhecido tornam a fraude eleitoral muito mais difícil. Cada passo do processo eleitoral é observado por todos, e todos se conhecem, isto torna muito difícil que alguém consiga encobrir alguma coisa.

Segundo, as eleições pequenas e restritas são mais fáceis de proteger. Este tipo de processo funciona para eleger um Papa ou um presidente de clube, mas fica rapidamente difícil numa eleição de grande escala. A única maneira de sistemas manuais funcionarem num grupo maior seria através de um mecanismo de pirâmide, com pequenos grupos reportando seus resultados obtidos manualmente para cima até chegar às autoridades centrais de tabulação.

E terceiro: Quando um processo de eleição é deixado para amadurecer ao longo de um par de milhares de anos, você consegue algo surpreendentemente bom.

Profecias para 2013

Chegamos ao fim de um novo ano e o profeta da Cinelândia vai mostrar toda a sua sabedoria neste post. E dará dicas fantásticas que farão você saber tudo antes que as coisas aconteçam.

Empolgado com o novo talento de ler o futuro na casca do ovo cozido que como no bar da Cinelândia, vi que muitas coisas interessantes acontecerão em 2013 e desta vez não vou separar por empresa, mas vou escrever conforme os espíritos do ovo cozido me mostrem.

  • Lentamente o BlackBerry vai se recuperar, o BlackBerry 10 vai servir para arrumar a casa até que chegue o momento de ser vendida para a Oracle.
  • Tim Cook encontrará em Jonny Ive o novo líder de inovação com plenos poderes para fazer a Apple voltar a inovar.
  • A Apple perderá espaço para a Microsoft no mercado de celulares.
  • A Apple terá uma TV, não só uma Apple TV, mas uma TV Completa.
  • A Nokia será comprada pela Microsoft.
  • A Microsoft fará o Windows Phone 8 ter mais de 10% de marketshare.
  • O Android vai continuar fragmentado.
  • O Android vai continuar sendo um pesadelo para os desenvolvedores.
  • Os SSD começarão a substituir os HD nos equipamentos da Dell.
  • O Bing chegará a 30% de marketshare nos EUA.
  • O 4G no Brasil fará com que tenhamos saudades do EDGE.
  • O Google comprará o Twitter.
  • O Facebook comprará o Pinterest.
  • O Facebook lançará um celular. O celular do Facebook não será um sucesso.

Assim falou o profeta da Cinelândia. Feliz 2013 para todos.

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