Trabalhar nos EUA ou na Europa?

Com a situação política e econômica brasileira se deteriorando rapidamente, muitas pessoas tem começado a considerar outras saídas para o Brasil como por exemplo o Aeroporto do Galeão e de Guarulhos. A menos que alguém tenha um par e rapidamente consiga mudar a cleptocracia reinante no Brasil parece que os aeroportos serão as saídas para os cidadãos que querem ter um mínimo de segurança e oportunidade.

Este analista que muitas vezes adota um tom jocoso, agora se dedica a analisar as diferenças, prós e contras de EUA e Europa.

Estados Unidos: “God bless America” vs The Old World

Se você quer uma política de “moderate risk, high reward” e quer um Estado que não interfira na sua vida e deixe você tomar suas próprias decisões a América é o lugar para você.

Cada um negocia o seu

Como você pode ver, as leis trabalhistas nos EUA são as mais liberais do mundo. Cada um negocia o seu. E em muitas áreas isto significa mais oportunidades. Como você pode ver no gráfico abaixo:

devsalary_02

 

Também flexibilidade é um dos pontos fortes dos EUA. Com zero dias de férias parece algo ruim certo? Errado. Ao não encher as empresas com regras draconianas, o governo permite que setores onde para achar um funcionário é uma briga de foice em cabine telefônica no escuro, as empresas tratem seus funcionários como reis.

Obviamente que os países em que se paga doze meses de licença maternidade, 30 dias úteis de férias, seis meses de seguro desemprego, seguro saúde grátis, remédio grátis e aviso prévio de 6 meses alguém tem que pagar por isso. E aí todo mundo paga, quem usa e quem não usa.

20150319_Tax_Fo

É claro que tem um monte de vantagens de trabalhar na Europa, principalmente na Alemanha onde não há limite de velocidade nas estradas :), mas em resumo eu diria:

Você acha que o estado deve fazer o mínimo e garantir a segurança. Quer ter muitas oportunidades e um risco moderado? Gosta de Coca-cola zero refill? Arrume um emprego nos EUA.

Você acha que um estado babá é bom, quer oportunidades moderadas com baixo risco, gosta de vinhos ou cervejas? Arrume um emprego na Alemanha, Inglaterra, Espanha ou França (nesta ordem)

Quer um estado que quer ser babá mas come sua comida? Que tem regras rigorosas para quem é honesto e laxas para quem é ladrão? Quer preencher 20 mil formulários para receber USD 50 e ver gente recebendo USD 100 mi por baixo do pano? Quer pagar imposto europeu recebendo serviço da Burkina Faso? Então aqui é o paradise para você. Curta a Dilma!

Previsões para 2016

Sim, andei sumido. Afinal qual a utilidade de um analista num país onde a única coisa que um analista sensato pode fazer é dizer que enquanto a estocadora de vento e saudadora de todas as mandiocas (sem trocadilhos) estiver no governo tudo vai cair.

Desempregado, estou passando uma temporada como voluntário na legião estrangeira, que me garantiu um repouso adequado da vida estressante que levava, e acompanhando o noticiário na minha conexão 2400bps no Inmarsat pensei nas previsões para 2016 em termos de tecnologia.

1) Talvez o 3G da TIM funcione durante as Olimpíadas. Ainda não foi confirmado, mas fontes internas dizem que estão fazendo um esforço para ter pelo menos uma barrinha de sinal e 64kbps de ultra-velocidade.

2) Mais da metade das fotos de atletas patrocinados pela Samsung, vão aparecer como Sent by iPhone, no Twitter das Olimpíadas 2016.

3) Vão levar tanto celular na mão grande na orla de Copacabana, que se você tiver algo inferior a um iPhone 6S pode ficar tranquilo.

Agora as previsões sérias

a) O Windows Phone 10 vai chegar a 10% de mercado. Este analista já pode ver que se trata de produto de primeira qualidade, inclusive já vi na fila das lojas Americanas duas senhoras que não são propriamente o Bjarne Stroustrup conversando: “mulher, compra o Windows Phone que não pega virus como aquelas porcarias de Android”. Tudo bem que ela aconselhou a passar álcool e veja para matar os vírus, mas você entende a idéia.

b) A plataforma Android passará pela primeira séria infecção de virus que balançará as estruturas de confiabilidade do código aberto.

c) 2016 será o ano em que a Apple lançará o híbrido do iPad com o Macbook.

d) O Facebook começará uma temporada de declínio.

e) O mercado externo de desenvolvimento de software ficará mais atraente. O êxodo de programadores brasileiros se intensificará.

Desejo a todos os leitores um feliz 2016 e agora como já é quase ano novo aqui em Mayotte vou celebrar!

Internet em aviões: United Airlines

Em primeiro lugar gostaria de dar os parabéns ao criador deste blog que completa hoje mais um aniversário. Não poderia dar um presente melhor (até porque o dólar está quase 4 reais) que fazer um post.

Semana passada fui aos EUA a trabalho (eita dólar caro) e pude experimentar a Internet na United Airlines além de voar no novo 787

O 787

Merece um post a parte o 787 como um primor tecnológico. O fato é que impressiona uma aeronave que consegue ser confortável mesmo na classe economica. O sistema de entretenimento fabuloso com muitas alternativas de filmes e tela bem responsiva.

Wifi

Ao embarcar nestas companias americanas você é avisado que não precisa desligar o celular, pelo contrário eles querem que você use o Wifi que para quem precisa trabalhar tem um preço bem acessível: US$ 1,99/hora nos vôos domésticos e US$ 16.99 para um vôo Rio-Houston.

Como sou muquirana só usei a versão gratuita no vôo internacional. Mesmo assim o sistema funciona de maneira interessante: oferece os mapas, a altitude, velocidade, vento, temperatura, etc. E deixa acessar todos os serviços e sites da United.

Já no vôo Houston-Washington eu paguei uma hora de wifi para testar e embora não dê para ver Youtube você pode muito bem colocar os e-mails em dia, usar Whatsapp, sincronizar seu repositório Git…

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The first 787-9 for United Airlines
The first 787-9 for United Airlines

Déjà vu Ibope

Nem vou entrar no mérito das pesquisas da véspera. Olhando apenas o resultado das pesquisas de boca de urna, vemos que os caras do Ibope não aprenderam nada nos últimos anos (se eles lessem o que o Zeletron falou em 2012…)

Olhe a definição que costuma acompanhar as pesquisas:

O levantamento foi realizado entre os dias 1 e 4 de outubro. Foram entrevistados 2.002 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%, o que quer dizer que, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%.

Agora veja a realidade (em vermelho a boca de urna e em azul a realidade):

São Paulo:

Geraldo Alckmin (PSDB) – 52%
Paulo Skaf (PMDB) – 22%

Geraldo Alckmin (PSDB) – 57%
Paulo Skaf (PMDB) – 21%

Rio de Janeiro:

Pezão (PMDB) – 34%
Garotinho (PR) – 28%
Crivela (PRB) 18%

Pezão (PMDB) – 40%
Garotinho (PR) – 19%
Crivela (PRB) 20%

Brasil

Dilma (PT) – 44%
Aécio (PSDB) – 30%

Dilma (PT) – 41%
Aécio (PSDB) – 33%

Qualquer explicação que não seja um pedido de desculpa e uma promessa de estudar estatística (e ler o Zeletron) soa a desonestidade.

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O dia em que a Internet parou

Republico aqui, com atraso, a minha coluna quinzenal de um jornal de SP.

Comecei a usar a Internet em 1993, e somente uma vez vivenciei um colapso completo da grande rede mundial de computadores: no dia 11 de Setembro de 2001.

Era mais um dia normal de trabalho no InCor, em São Paulo, quando, às 9h46min (8h46min em Nova York) o 767-200ER que havia sido sequestrado por Mohamed Atta e seus homens se chocou contra a torre norte do World Trade Center. Logo após esse acontecimento, um colega de trabalho falou: ‘Puxa, um avião bateu no World Trade Center!”

Confesso que, neste momento, não dei nenhuma importância ao assunto e sequer olhei as notícias na Internet. Apenas comentei: ‘Que erro grosseiro do piloto!’.

Poucos minutos mais tarde, veio novamente meu colega: ‘Outro avião bateu num prédio em Nova York’. E eu, já mais atento, falei: ‘Que coincidência!’. Mas logo em seguida pensei, ‘Não pode ser…’

Foi aí que abri o velho (na época moderno) Internet Explorer 6 para ler as notícias. Vi então uma foto do que seria depois confirmado como o voo United 175, que tinha sido tomado por Marwan al-Shehhi e lançado contra a torre sul do edifício.

A partir daí todos começamos a recorrer à Internet para tentar entender o que se passava. Meia hora depois, outro avião caiu no Pentágono em Washington DC – e foi então a Internet parou. Sim, parou no mundo inteiro. Todos fomos, ao mesmo tempo, conferir o que acontecia e a infraestrutura que mantinha a rede funcionando na época não aguentou. A maior parte dos sites de notícias ficou fora do ar até o fim do dia. Só sobrou o rádio e a TV.

Os eventos daquele triste dia mudaram o mundo e mudaram também a infraestrutura e organização da Internet. E desde 2001, a web nunca mais parou dessa maneira.

9/11 Dias que nunca serão esquecidos
Dias que nunca serão esquecidos

A independencia da Escócia pode ser ruim para seu site

Amanhã a Escócia vota se deixa o Reino Unido ou não. Atualmente o Não está na frente das pesquisas por uma mínima margem e tudo pode acontecer.

Tudo começou com este cara aqui:

Mas pode acabar com a bomba explodindo no colo de muitos webdesigner do mundo. O motivo dramático? Se a Escócia sair do Reino Unido a bandeira do Reino Unido vai perder o Azul e você vai ter que trocar aqueles ícones que indicam inglês no seu site.

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Obviamente é brincadeira o que estou dizendo, não que a bandeira não vá mudar, há propostas inúmeras para isto, o fato é que no mundo bastante interligado uma mudança num lugar tem inúmeros impactos em países que não tem nada com a história.

Obs 1: Antes de sair chamando um escocês de Inglês dê uma olhada na diferença que há entre: Inglaterra, Grã Bretanha, Reino Unido, Commonwealth, Reinos da Rainha Elizabeth II.

Obs 2: Para acompanhas as pesquisas: http://www.bbc.com/news/events/scotland-decides/poll-tracker

Obs 3: Os catalães estão de olho nisto. Se a Escócia sair do Reino Unido e não for chutada da união Européia vai abrir a temporada de independências na Europa.

O Orkut morreu, quem é o culpado?

Era uma vez o Orkut, uma rede social à qual quase todo mundo pertencia e que era de longe a mais popular no Brasil. Hoje ela veio a falecer depois de um longo período moribunda e é mais um produto do Google que morre.

O Google mata seus produtos com mais facilidade que Stalin matava seus colaboradores. Leon Trotsky era um grande parceiro do pessoal do Stalin teve que fugir para o México e levou um machado na cabeça. Acidentes similares aconteceram com cerca de 1.5 milhões de outros soviéticos que um dia foram caras muito legais e depois eram inúteis e inimigos.

Guardadas as devidas proporções é este tipo de insegurança que o Google gera ao lançar a nova revolução e matar depois. Assim foi com o Google Wave que seria aquele que revolucionaria o e-mail, assim foi com o Google Buzz que competiria com o Twitter, assim foi com o o próprio Google Glass que vai minguando.

Obviamente que a morte do Orkut é algo que era já aguardado há muito tempo, mas esta falta de garantia de suporte das coisas leva a pensarmos quando o Google lança as coisas: “vale a pena usar isto? Será que vou começar a usar e vão matar depois?”

Você quando for comprar aquele Android super bonito pense bem nisto antes.

Deixe aqui sua flor na cova dos produtos que o Google matou: http://thedroidguy.com/2013/03/leave-a-flower-for-a-defunct-google-product-in-the-google-graveyard-55202

orkut

Malaysia Airlines enquanto dura o mistério

Inúmeras pessoas tem me perguntado sobre o “acidente/incidente/sequestro/sumiço/abdução” do vôo MH 370. Muita especulação tem ocorrido e nada de muito concreto está disponível, portanto prefiro não especular, mas já que você veio aqui neste blog eu indico alguns recursos para quem quiser aprender mais sobre o fascinante mundo da aviação.

Forum Contato Radar, maior fórum de aviação do país, vários pilotos e profissionais discutem temas relacionados a aviação ali, recomendo acompanhar.

AVHerald: Todos os eventos relevantes em termos de aviação do dia.

Questões, tem um StackExchange para aviação.

Fotos de aviões? Airliners.net.

Está esperando no aeroporto e quer saber quantos anos tem a jabiraca em que vai voar? Airfleets.net

Contos sobre aviação? Leia o blog do Eder. Dali saiu a história que vai abaixo.

Caro Eder

Esta semana saiu em um jornal de Belo Horizonte que o Superintendente da Infraero para os aeroportos da Pampulha e Carlos Prates havia declarado em uma reunião no Rio de Janeiro que “No Carlos Prates, se for preciso, pode pousar até um Jumbo”. Se fosse um antigo chefe meu, estaria falando: “NEM POR UM CACE&#$!!!”. No meu entendimento isto seria impossível, certo?

Atenciosamente,

Fernando Coelho Gallo de Assis

Resposta:

Caro Fernando

Ó você errado…

Não só é possível como também bastante simples. Anote o procedimento para pouso curtíssimo, que foi testado por mim exaustivas vezes, quase todas com sucesso, e que já é aceito por várias empresas no mundo todo:

Faça uma aproximação bem estabilizada, de preferência antes do externo. Isso é importante. Procure estabilizar um pouco abaixo da rampa normal (no ILS alguma coisa com um dot mais baixo). Utilize a VRef -5 para a aproximação. A idéia é você chegar no marcador interno bem mais baixo, com full flapes e no limite da VRef. Após este ponto deixe a velocidade cair para VRef -15, certifique-se de full flapes, abra os airbrakes, encha a mão na manete de potência e pise nos freios (puxar o parking também ajuda). A aeronve estará totalmente “travada” no ar e os motores vão se encarregar de supendê-lo até a cabeceira. Note que isto é possível pelo fato do avião estar nesta posição com 25 a 30 graus de pitch e com uma razão de descida de uns 800 fpm. Ao cruzar a cabeceira basta reduzir um tiquinho o motor que a aeronave cai suavemente na própria sombra. Como os freios já estão acionados, o avião pará antes de terminar a sombra… Uma dica: devido ao pitch elevado, o leme tende a ficar em uma “zona morta”, sem eficiência. A utlização dos ailerons para correção de eixo é um pouco desaconselhável e complicada. Nos multimotores, com o 747, o procedimento de correção de reta é facilitado pela utilização diferencial dos motores externos, o que pode ser feito pelo copila se ele não for um Zé Mané.

Li um artigo numa revista especializada (acho que era Contigo, não lembro) em que é possível, para operações habituais em pistas curtas e altas, a instalação de uma âncora no cone de cauda, semelhante ao gancho utilizado nas aeronaves que pousam em porta-aviões, equipamento que é reconhecidamente eficiente para pousos curtíssimos.

Um abraço,

Eder

**************
Grande Eder

Está perfeita sua argumentação para o pouso! Vou mandar para umas listas que frequento, onde o povo acha, assim como eu achava, que não dá para pousar. Mas, a não ser que a companhia queira ganhar dinheiro vendendo ingresso pra minerada conhecer o jumbo e tirar foto com a mão na manete, como que eles vão tirar o bicho de lá?

Lembro que Charss Pratss está no alto de um morro e as ruas prá lá são estreitas… convinha que ele saísse voando.

Fernando C. G. Assis

Resposta:

Amigo Fernando

Uma dúvida pertinente. Essa é outra situação não prevista nos manuais de operação das aeronaves, a famosa OT -1 (leia: ó tê traço um), mas perfeitamente possível de executar.

Pratiquei muitas vezes com aeromodelos, e em todas funcionou. No Aerobueiro, com marcações na pista, também funcionou na maioria das vezes. Falta achar um barranco para testar o afundamento após a decolagem…

Mas vamos lá: em uma decolagem normal geralmente colocamos flapes 15, aplicamos potência até o limite e, com pista sufuciente, chegamos até a VR. Jóia. Mas e com pista curta? Eis a questão… confesso que uma decolagem de pista muito curta dificilmente termina em sucesso. Mas avaliando o Carls Pratiss observamos que existe uma situação promovida pela natureza que nos auxilia: a pista fica no topo de um cocuruto! Este simples fato viabiliza as operações comerciais em pistas até mais curtas, como as que tenho testado com aeromodelos em minhas andanças pelo mundo. Anote o procedimento:

Antes um procedimento de solo. Vá até o fim da pista e calcule o ponto PAF. Mais pra frente você vai saber o que é. Este ponto é dado pela fórmula:

             TC8 = Cp*(Alt / PAt * 0.0873) - cos(Vv*Dv/sen45)
                  --------------------------------------------
                             !Vr-(v1*v1) + 2v1*MTOW

             PAF = TC8 * hh:mm / C_Est

Onde:

Cp = comprimento da pista
PAt = Pressão altitude
Vv/Dv = Velocidade e direção do vento
hh:mm = hora precisa da decolagem
C_Est = Constante de estação do ano, disponível em uma tabela na OT-1

Pelas minhas contas, numa situação típica de decolagem ao meio-dia no verão, o PAF para o Carls Pratiss fica exatamente a 58 metros antes do fim da pista. Marque este ponto com uma bandeira amarela.

Alinhe o Jumbo. Certifique-se de que não existem obstáculos atrás da aeronave e dê uma pequena ré até os pneus principais caírem na grama. Somente os principais, a bequilha fica no asfalto. Já explico porque… Recolha os flapes e desative o auto-throtle puxando o disjuntor (para evitar que um sistema secundário restrinja a aceleração). Isso é importante. Com os freios acionados aplique potência total. Espere os instrumentos atingirem a faixa amarela (com muito cuidado, pois estamos no modo manual). Depois que os motores estabilizarem, solte os freios e leve as manetes até o ponto DPI (Depois do Painel de Instrumentos). A aeronave irá demorar um pouquinho para sair da inércia, pois estamos com os trens principais na grama (lembra?). Estes poucos segundos de atraso permitem que os motores alcancem sua potência máxima. Como a temperatura permitida na maioria das turbinas é de 2 segundos na faixa vermelha, antes desse tempo o avião já estará em movimento, e o vento relativo se encarregará de dar uma “refrescada” na turbina, evitando sua explosão. Já em movimento esqueça o painel (mesmo porque vai estar tudo vermelho mesmo) e fique de olho na bandeira amarela no fim da pista. É o PAF ou Ponto de Abaixamento dos Flapes. Até lá correremos sem flapes, para reduzirmos o arrasto aerodinâmico, e com isso atingirmos a velocidade máxima mais rápido. Inteligente isso, não? No través da bandeira amarela aplique o dobro dos falpes necessários para uma decolagem normal (neste caso 30 de flape tá bão). Nossas velocidades nesta corrida são despezíveis, pois não existe VR (a gente não roda, só faz levantar o nariz um pouquinho) e a V1 e V2 são impraticáveis. Portanto relaxe. Antes do final da pista puxe o manche até a metade do seu curso para trás. A aeronave vai levantar o nariz, mas não irá decolar. Quando a pista acabar o avião estará levemente sustentado e afundará no despenhadeiro. Não puxe o manche neste momento para evitar o toque da cauda no barranco quando as rodas caírem no vazio!!! Depois de livrar a cauda, controle a queda com o curso do manche disponível (por isso puxamos só metade, pois teremos 50% de curso pra frente ou pra trás no caso de necessidade, entendeu?). Sempre que possível alivie o manche para ganhar alguns centésimos de nó no velocimetro, de maneira que você não coloque em risco as casas que estão embaixo. Uma boa técnica de saber até onde podemos baixar o nariz com segurança é esticar o braço sobre o painel com a mão fechada. O objeto que devemos ultrapassar não deve estar abaixo do terceiro ossinho das costas da mão, de baixo pra cima. Com o tempo a gente faz isso rapidinho. A medida que a aeronave vai parando de cair, recolha os flapes. Depois disso é só chamar o controle e subir em rota…

Com prática o procedimento torna-se rotineiro.

Um abraço e lembre-se: antes de ficar na dúvida do errado, me escreva para ficar na certeza!

Eder

Espero que o avião da Malaysia tenha pousado são e salvo e que todos os passageiros estejam vivos.

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Você quer um 4G com qualidade? O Governo do PT não quer.

Trecho de um artigo da Folha de São Paulo de ontem, comento abaixo. Os grifos são meus.

As teles devem ajudar a salvar as contas do governo, que decidiu mudar as regras da fase dois do leilão do 4G para reforçar o caixa e, assim, cumprir as metas de superavit fiscal sem apelar para manobras contábeis. O leilão está previsto para agosto, e o governo, que antes pensava em cobrar R$ 6 bilhões pelas licenças e impor metas de cobertura aos vencedores, agora quer um valor maior, retirando parte das obrigações das empresas. A Folha apurou que, com as novas regras em estudo, a União poderá levantar até R$ 15 bilhões.

O governo prevê uma meta de superavit neste ano de 1,9% do PIB e já sinalizou que pretende cumprir o objetivo sem as manobras de anos anteriores, que criaram dúvidas sobre a credibilidade da política fiscal do país. No debate do 4G, Tesouro e Ministério das Comunicações estão em lados opostos. Para cobrar o máximo possível, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, defende o mínimo de metas aos vencedores. Uma das ideias é vender as licenças, sem obrigações de cobertura, em dois blocos, e não em quatro, como previsto inicialmente. Isso já elevaria o preço das licenças para R$ 12 bilhões. Não está claro como seria esse modelo, mas pode afetar a exigência de cobertura (deixando cidades menores de fora) e de qualidade.

Para as Comunicações, isso é inviável porque afetaria o equilíbrio do mercado. Há dois anos, as empresas só aceitaram entrar no leilão do 4G porque haveria uma segunda etapa com frequências complementares. Frequências são como avenidas por onde as operadoras fazem trafegar seus sinais. Sem as frequências complementares, a conta do 4G não fecha para as empresas. O problema é que, em dois blocos, como cogita Augustin, duas operadoras que participaram do primeiro leilão ficariam fora da segunda etapa. O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) é contrário a esse modelo.

Já não bastasse a qualidade “cubana” do nosso 3G vamos ter um 4G nível Somália. Sair do buraco que nos meteram nos últimos 12 anos não será fácil, imagine se estes 12 anos virarem 16…

dilma-rousseff-te-pegou-crau

Porque a Apple não surgiu no Brasil?

Já escrevemos no passado alguns posts similares como o Manifesto pela Tecnologia, ou quando falamos sobre o precário estado das telecomunicações. Hoje queria mostrar algumas coisas que os brasileiros não podem fazer em termos tecnológicos porque não tem condições práticas de obter insumos.

1) Trabalhar com VLSI. Na prática não existe nenhuma fábrica de chips no Brasil. Tem a CEITEC que fabrica coisas muito rudimentares e tem um site que informa muito pouco.

2) Já que não dá para construir um ASIC no Brasil, que tal usar FPGA? Você consegue FPGA barata clicando aqui. SQN. Não tem FPGA acessível no Brasil. Nos EUA você compra uma DE2-115 da Altera por US$ 299,00 para sua universidade ou escola. Aqui no Brasil você paga módicos R$ 2980,00.

3) Construir uma placa de circuito impresso multicamada. Nos EUA você faz uma placa de 4 camadas em 3 dias com o preço de US$ 100,00 para receber 4 protótipos. Aqui você vai desembolsar uma pequena fortuna além de ter que esperar dias para que algum funcionário responda seu pedido de cotação. Acredite, eu tentei mais de uma.

4) Comprar chips de fabricantes estrangeiros. Com os preços absurdos que temos por aqui os distribuidores tem uma margem que deve ser tão boa que eles não tem a mínima vontade de trabalhar. Eu pedi a um representante da Broadcom informações e cotação de um chip (BCM94704NR) em grande quantidade e já estou fazendo teia de aranha esperando eles responderem.

5) Na importação, agora há um imposto novo que visa proteger o governo contra a sonegação mas que na verdade pune o cara honesto, como costuma acontecer.

6) Como já sabemos há problemas para adquirir celulares, computadores não fabricados aqui e outros insumos.

Caso alguém saiba de alguma solução para os problemas acima ficaria grato em conhecer.

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Google vende Motorola para a Lenovo: e o preju?

O Google resolveu que não vale a pena brincar de fazer celular e decidiu vender a Motorola para os chineses da Lenovo. No comunicado oficial tem toda aquela lenga-lenga de que é uma nova posição estratégica, que a Lenovo consegue fazer a Motorola render mais, blá, blá, blá.

Mas até o mais mané dos investidores sabe que eles compraram a Motorola por USD 12.5 Bi e estão vendendo por USD 2.8 Bi. Por mais que tenham já vendido antes uma parte da Motorola por USD 3 Bi fica um preju que foi para a conta do Abreu.

O que mais me irrita no Google é esta cultura de não sabe para onde vai. Uma hora o Google Buzz vai ser o máximo, o Google Wave vai revolucionar o e-mail, outra hora os dois morrem, o Google Reader morre sem saber a doença e o Orkut sobrevive por aparelhos.

E o que chama mais atenção é olhar o índice P/E (Price-Earnings Ratio) das ações do Google e ver que está valendo 31.80 enquanto da Apple e Microsoft estão na casa dos 12.

Moto rola

Brasil escolhe o Gripen NG

Gripen test platsform NG with new droptanks
O governo brasileiro anunciou ontem a encomenda de 36 caças Gripen NG para o programa FX-2. Foi o fim de uma novela de 15 anos e apesar de o escolhido não ser o meu preferido, é uma escolha interessante pelos motivos que vão abaixo:

  • A Suécia não é uma potência militar e pode ajudar o Brasil a ter um caça supersônico nacional.
  • O Gripen NG é bastante versátil e pode operar, em sua versão naval de porta aviões, desta forma a Marinha poderia ser modernizada.
  • É um caça que pode operar de pistas curtas e teoricamente isto é uma vantagem para combate ao narcotráfico, lembrando que o A-29 é a principal força de ataque neste caso.
  • É fácil deixar algumas unidades em locais secundários remotos para decolar próximo da fronteira surpreendendo o inimigo.
  • É um excelente parceiro para o F-5EM, que modernizado ganhou mais uns 20 anos de vida.
  • Em conjunto com AWACS e REVO que o Brasil já possui fazem do Brasil a força aérea mais poderosa da América Latina.

O ideal na minha opinião seria o F-18E/F, mas o affair Snowden criou um clima político desfavorável para a Boeing e prejudicou a Embraer. Mesmo assim acho que o Gripen NG foi uma boa escolha, talvez a única que este atual governo fez em quase 12 anos, o erro seria o Rafale ou não escolher.

A íntegra da nota da SAAB

18 dezembro 2013, in Press releases
 O Governo Brasileiro anunciou hoje a escolha do Gripen NG. O anúncio será seguido de um período de negociações com a Força Aérea Brasileira para a compra de 36 caças.

A oferta apresentada ao Governo Brasileiro pela Saab inclui o Gripen NG, os subsistemas para o Gripen NG, um pacote extenso de transferência de tecnologia, pacote de financiamento e um acordo bilateral de colaboração entre os governos do Brasil e da Suécia.

O anúncio será seguido de um período de negociações com a Força Aérea Brasileira para a compra de 36 caças. Depois deste período, um acordo pode ser alcançado entre a Saab e o Brasil e uma ordem de compra do Gripen NG feita.

”Estou muito orgulhoso da confiança depositada pelo Governo Brasileiro no Gripen NG. A Saab acredita que o anúncio de hoje representa um forte compromisso do Governo Brasileiro e estamos ansiosos para prover à Força Aérea Brasileira com o caça líder mundial e com melhor custo-benefício”, diz Håkan Buskhe, CEO da Saab.

Caso o Brasil adquira o sistema Gripen, estará se unindo aos seguintes países que já o operam hoje: Suécia, África do Sul, Hungria, República Tcheca, Tailândia e o UK Empire Test Pilot School (ETPS). A Suíça também escolheu o Gripen como seu futuro caça. Entre Agosto e Setembro de 2013, ambas as câmaras do Parlamento Suíço votaram sim para a compra do Gripen. Um referendo sobre a compra está programado para ser realizado em 2014.

A Saab atende ao mercado global com produtos, serviços e soluções, líderes mundiais, abrangendo defesa militar e segurança civil.  A Saab mantém operações e funcionários em todos os continentes e constantemente desenvolve, adota e aperfeiçoa novas tecnologias que atendam à evolução das necessidades de seus clientes.

Para mais informações:
Centro de Imprensa da Saab Press Centre, +46 (0)734 180 018,

 

Ideia genial: licença ABRMS

A ideia é muito boa e sou grato a meu amigo Diego por tê-la compartilhado no Facebook.

Um cara lançou um assembler para o 6502 no github, até aí nada demais, e colocou uma licença diferente que ele denominou com o acrônimo ABRMS: Anyone but Richard M. Stallman (já falamos dele aqui).

A licença pode ser vista aqui: https://github.com/landondyer/kasm/blob/master/LICENSE

EXCEPTIONS
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Richard M Stallman (the guy behind GNU, etc.) may not make use of or
redistribute this program or any of its derivatives.

Obviamente os Minions Stallmicos começaram a patrulhar a rede criticando o criador desta licença. O autor coloca em seu blog a razão deste criativo modelo de licenciamento.

It’s not about hating free software. I’m a believer in that; I released my first game for free in 1982. Note that the github thing I put up is essentially totally free (something I would have been restricted from doing, by my employer, up to a year ago).

I have a personal dislike for RMS and I think that his philosophy of economy is at best naïve and dangerously unworkable. 25 years ago he was exhorting me to quit my job in protest to support some of his politics and he wasn’t pleasant about it. Thus, ABRMS.

If RMS really wants a miserable little 6502 assembler I can always amend the license. I’m not unreasonable. But he has to ask.

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P.S.: Se alguém pode rivalizar com o Stallman, em termos de mala, é o rapaz acima.