Brasil escolhe o Gripen NG

Gripen test platsform NG with new droptanks
O governo brasileiro anunciou ontem a encomenda de 36 caças Gripen NG para o programa FX-2. Foi o fim de uma novela de 15 anos e apesar de o escolhido não ser o meu preferido, é uma escolha interessante pelos motivos que vão abaixo:

  • A Suécia não é uma potência militar e pode ajudar o Brasil a ter um caça supersônico nacional.
  • O Gripen NG é bastante versátil e pode operar, em sua versão naval de porta aviões, desta forma a Marinha poderia ser modernizada.
  • É um caça que pode operar de pistas curtas e teoricamente isto é uma vantagem para combate ao narcotráfico, lembrando que o A-29 é a principal força de ataque neste caso.
  • É fácil deixar algumas unidades em locais secundários remotos para decolar próximo da fronteira surpreendendo o inimigo.
  • É um excelente parceiro para o F-5EM, que modernizado ganhou mais uns 20 anos de vida.
  • Em conjunto com AWACS e REVO que o Brasil já possui fazem do Brasil a força aérea mais poderosa da América Latina.

O ideal na minha opinião seria o F-18E/F, mas o affair Snowden criou um clima político desfavorável para a Boeing e prejudicou a Embraer. Mesmo assim acho que o Gripen NG foi uma boa escolha, talvez a única que este atual governo fez em quase 12 anos, o erro seria o Rafale ou não escolher.

A íntegra da nota da SAAB

18 dezembro 2013, in Press releases
 O Governo Brasileiro anunciou hoje a escolha do Gripen NG. O anúncio será seguido de um período de negociações com a Força Aérea Brasileira para a compra de 36 caças.

A oferta apresentada ao Governo Brasileiro pela Saab inclui o Gripen NG, os subsistemas para o Gripen NG, um pacote extenso de transferência de tecnologia, pacote de financiamento e um acordo bilateral de colaboração entre os governos do Brasil e da Suécia.

O anúncio será seguido de um período de negociações com a Força Aérea Brasileira para a compra de 36 caças. Depois deste período, um acordo pode ser alcançado entre a Saab e o Brasil e uma ordem de compra do Gripen NG feita.

”Estou muito orgulhoso da confiança depositada pelo Governo Brasileiro no Gripen NG. A Saab acredita que o anúncio de hoje representa um forte compromisso do Governo Brasileiro e estamos ansiosos para prover à Força Aérea Brasileira com o caça líder mundial e com melhor custo-benefício”, diz Håkan Buskhe, CEO da Saab.

Caso o Brasil adquira o sistema Gripen, estará se unindo aos seguintes países que já o operam hoje: Suécia, África do Sul, Hungria, República Tcheca, Tailândia e o UK Empire Test Pilot School (ETPS). A Suíça também escolheu o Gripen como seu futuro caça. Entre Agosto e Setembro de 2013, ambas as câmaras do Parlamento Suíço votaram sim para a compra do Gripen. Um referendo sobre a compra está programado para ser realizado em 2014.

A Saab atende ao mercado global com produtos, serviços e soluções, líderes mundiais, abrangendo defesa militar e segurança civil.  A Saab mantém operações e funcionários em todos os continentes e constantemente desenvolve, adota e aperfeiçoa novas tecnologias que atendam à evolução das necessidades de seus clientes.

Para mais informações:
Centro de Imprensa da Saab Press Centre, +46 (0)734 180 018,

 

Modernizando as forças armadas com tecnologia

No próximo dia 2 de Julho completar-se-ão 69 anos da partida dos primeiros homens brasileiros para lutar na segunda guerra mundial. Apesar de serem apenas uma gota num oceano de gente que lutou na segunda guerra mundial, estes 25.334 homens deixaram suas famílias, suas casas e até o Flamengo para lutar pela liberdade. Mas voltamos a este assunto depois.

Começo aqui uma série de 4 posts, este será provavelmente o mais longo, falando da necessidade de modernizar nossas forças armadas. Começo pela maior delas o Exército.

Os últimos 10 anos produziram um enorme sucateamento do exército brasileiro, humilhado a tropa e fazendo com que poucas pessoas aspirassem à vocação militar e o desejo de servir o país (ao contrário muitos desejaram se servir do país mamando num cargo público depois de investir num concurso.). Analisando a situação do exército vemos que há várias áreas que necessitam de investimento e dou abaixo alguns exemplos.

Infantaria: “Infantaria és das armas a rainha, por ti daria a vida minha, és a eterna majestade das linhas combatentes…“, assim começa o hino da infantaria, no entanto a realidade é bem diferente. A infantaria não necessita no momento tanto de equipamentos, mas de treinamento. Um soldado precisa efetuar pelo menos 1000 disparos ao ano para manter a proficiência no uso do equipamento, precisa ter exercícios militares constantes e treinamentos em habilidades especiais. Como já se comentou em muitos locais todos os militares no campo de batalha precisam portar pistola. Do contrário os que portam pistola são facilmente identificáveis como oficiais e passam a ter um enorme x na testa para atiradores de elite inimigos.

Cavalaria: Apesar de ser uma das áreas do exército que tem menos atraso, a cavalaria precisa encontrar um substituto para os blindados Leopard e adquirir mais lançadores de foguetes Astros 2020.

Artilharia: Aqui há necessidade de modernização urgente. Principalmente no que tange a defesa anti-aérea. O Brasil precisa adquirir baterias modernas, S-300 Russo ou Patriot. Não podemos manter a política de zero defesa anti-aérea.w

Comunicações: Tecnologia e Internet. Hoje o Brasil tem capacidade zero de engajar numa guerra eletrônica. Se você entrar num quartel sentirá vontade de doar aquele Pentium IV velho que tem guardado em casa. Guerra eletrônica, rede segura de comunicações entre quarteis e instalações militares, comunicação pessoal segura são algumas das necessidades desta área.

Aviação do Exército: atualmente o exército brasileiro tem pouco mais de 80 helicópteros sendo que boa parte não está 100% em condições operacionais. Enquanto a FAB conseguiu adquirir 12 helicópteros de ataque MI-35 o exército não tem nenhum destes. Toda a parte de suporte a divisão paraquedista (que ainda é pequena) depende do apoio da FAB.

Como dizia no começo, no próximo dia 2 de Julho completar-se-ão 69 anos da partida dos primeiros homens brasileiros para lutar na segunda guerra mundial. Apesar de serem apenas uma gota num oceano de gente que lutou na segunda guerra mundial, estes 25.334 homens deixaram suas famílias, suas casas e até o Flamengo para lutar pela liberdade.

José Perácio era um centroavante, ídolo no Botafogo e depois no Flamengo. Após ser campeão carioca pelo Flamengo em 42-43 e jogar parte do campeonato de 44, Perácio foi voluntário para ir combater o Nazismo na Europa. Perácio não morreu em combate, o Flamengo foi tri-campeão e em 1945, após a guerra Perácio voltou a defender o Flamengo.

Muitos destes homens foram para a Europa cantando a canção abaixo, que me deixa arrepiado ao pensar nas circunstâncias e eu me pergunto: será que o Neymar faria o mesmo?


Brasil adquire artilharia, obsoleta, para Copa das Confederações

Não adquiriu um Romário, isto sim seria um artilheiro. E também não é uma Artilharia Antimissil como disse o jornalista analfabeto do G1. Mas que é ultrapassada é.

Defesa Antiaérea

A defesa aérea do país é uma piada macabra e agora comprando material de segunda mão com sérias limitações os caras acham que estão fazendo alguma coisa.

As unidades do Gerpard, usadas, que o Brasil comprou, foram fabricadas por volta dos anos 70 e tem capacidade de engajar alvos até 10000 pés (pouco mais de 3km) de altitude. Considerando que a única defesa aérea do Brasil até hoje eram os canhões Bofors 40mm e Oerlikon 35mm e os mísseis Igla-1 não havia como piorar a situação.

Chamar os Gepard de algo adequado para o século XXI como primeira linha de defesa aérea é no mínimo uma piada.

Será que o Brasil não tem dinheiro para gastar com algumas baterias de S-300?

Nota: A primeira linha e a foto do G1 foram colocadas pelos editores do Zeletron.

Coréia do Norte e as lições da II guerra mundial

Na sua magistral obra sobre a segunda guerra mundial, o prêmio nobel de literatura e primeiro ministro britânico, Sir Winston Churchill dedica o primeiro volume ao que ele chama de “Preparativos para o desastre“.

Os preparativos para o desastre são uma interessante tese de que a segunda guerra mundial tem sua responsabilidade compartilhada com o pacifismo bocó (aqui eu entrego a minha idade…). Pacifista bocó é todo aquele que sonha com a paz não como um bem, mas como uma forma de se livrar da responsabilidade de garantir a paz mais duradoura.

Um adágio latino afirma, si vis pacem, para bellum; se queres a paz, preparas-te para a guerra. Todos os que defendemos a pátria através das diversas forças armadas queremos a paz, mas sabemos que para tê-la temos que estar preparados para o combate.

Isto acontece agora na península da Coréia. Como já foi falado neste blog, aliás conheci este blog e me ofereci para escrever nele após este texto que cito, é bem provável que a Coréia do Norte não tenha meios para usar as cerca de oito ogivas nucleares que se acredita que possua. A retórica norte-coreana, liderada pelo gordinho Kim, é mais jogar para torcida que uma retórica que visa atos concretos.

Acontece que o mundo não para agora em 2013 com Kim voltando para seu Playstation 3 e o mundo indo tratar de seus negócios depois de mais uma guerra evitada. Se a guerra que Kim consegue hoje é no Battlefield apenas, é provável que em três ou quatro anos ele tenha meios de lançar suas armas nucleares em alvos americanos. Aí pode ser que ele não se contente com ameaçar e depois de criar confusão voltar para seu videogame. Pode ser que ele resolva jogar um jogo de verdade.

Além de Kim outros observam com atenção a dança de Obama e outros líderes. Em concreto o Irã. A depender de como fique a vida de Kim depois desta confusão Ahmadinejad pode achar que é um bom negócio enfrentar os EUA. Os aiatolás podem se convencer de vez que ter armas nucleares é um passe livre para nunca mais serem incomodados pelos EUA.

Da mesma forma que quando Hitler invadiu a zona desmilitarizada do Reno em 1936, anexou a Áustria em 1938 e ainda no mesmo ano tomou os Sudetos, diante o olhar passivo dos aliados, que até 1939 teriam condições de encerrar o III Reich; agora Kim pode ser removido do poder, talvez em quatro anos isto custe uma real guerra nuclear.

Não é possível aceitar agora algo que não seja uma desmilitarização da Coréia do Norte, mesmo que custe uma guerra agora. É melhor uma guerra com um país que tem ogivas mas não tem como entrega-las que uma guerra com uma potência nuclear faminta.

Chegou o momento de tomar os controles do Playstation de Kim Jong-Un. Não é um direito, é um dever.

Si vis pacem, para bellum

Nota do Zeletron: General Patton é o pseudonimo de um oficial das forças armadas que vai escrever de tempos em tempos no Zeletron sobre assuntos de tecnologia ligada a defesa. General Patton como todos os outros autores representa apenas suas próprias opiniões.