Como não fazer um curriculum para vaga de TI (e vagas em geral)

Continuando a minha saga de procurar funcionários faço agora um apelo patético: pelo menos faça um curriculum decente!

A razão de ser deste apelo é o fato de que muitos curriculum que recebi são terríveis, tanto na forma como no conteúdo, aqui vão algumas dicas:

1) Eu não quero saber sobre o seu físico: não coloque, moreno, 1,80m, 78kg. Isso não é vaga para modelo, é para desenvolvedor. Não nenhum motivo na face da terra que faça com que uma criatura coloque seus atributos físicos ao se candidatar a uma vaga de TI.

2) Não quero ver sua foto. Foto você põe no seu Orkut e no seu Facebook. No curriculum foto é brega. Isto não é ficha policial, nem concurso de beleza. Colocar sua cara tira o foco do que você sabe.

3) Curriculum não é sopa de letrinhas: não encha de siglas de coisas que você apenas viu uma vez na vida: PHP, LAMP, HL7, JDO, JDBC, ODBC, OPQP, CA4, CNSC, FDPS, etc. Foque nas coisas que você realmente quer destacar para aquela vaga.

4) Eu não quero saber se você passou sete anos no Tibet. Nem se você coleciona tampinhas de refrigerante Armênio. Seus hobbies são algo que você pode mencionar SE for relevante para a vaga. Se eu chamar você para uma vaga em TI e você disser que tem como hobby fazer railgun, provavelmente vai me interessar e seu curriculum vai se destacar. Se disser que passou sete anos no Tibet, seu curriculum vai para /dev/null

5) Não diga que você sabe algo que não sabe. Isto pode fazer com que a entrevista fique bem desconfortável. Você diz que sabe C++ avançado e não conhece a STL ou não sabe implementar um algoritmo simples em C++ com Templates. O mínimo que pode acontecer é a entrevista encerrar na hora e você perder o seu tempo e o meu. Pense bem no que você realmente sabe.

6) Não é porque no seu estágio anterior havia um cara cujo primo tinha um amigo cujo professor uma vez programou em Erlang que você vai colocar experiência em Erlang. Seja honesto. Coloque a experiência que você realmente teve. Lembre-se que o entrevistador tem como saber se você está enrrolando.

7) Não mande o curriculum do e-mail da sua empresa atual, menos ainda se for com o logo dela na assinatura e um disclaimer dizendo que o e-mail é para uso exclusivo da corporação. Isto mostra que você não tem apreço pelo seu trabalho atual e provavelmente não terá no que estou oferecendo.

8) Algumas experiências profissionais, embora tenham sido boas para sua vida não acrescentam no curriculum vitae em uma vaga de TI. Você foi padeiro, fico feliz, e é uma profissão muito útil e honesta. Mas não me adiciona informação. Coisas assim você pode deixar para falar na entrevista se houver clima.

9) Não me interessa saber se você tem carteira de motorista. Não estou contratando você para dirigir para mim.

10) Envie seu curriculum para vagas que você está preparado para exercer. Se você terminou o ensino médio, e está fazendo cursinho, por favor, não envie seu curriculum se candidatando a uma vaga de desenvolvedor C++ especializado em Mecânica Quântica. O tempo que eu levo para deletar seu e-mail aumenta o aquecimento global.

Um curriculum bem feito, breve e focado na vaga a qual você está se candidatando, mostra que você realmente quer aquele emprego e que você tem consideração pela pessoa que está organizando o processo seletivo. Isto ajudará muito em sua carreira.

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  • Rubem Luiz

    A habilitação eu acho interessante saber em algum momento do processo de contratação, sempre tem cliente que faz lambança ou precisa instrução presencial com pressa que qualquer funcionário resolveria, aí ter que pegar onibus e sei lá mais que demora, em horário comercial, é muito anti-profissional.
    Já trabalhei em lugar que a meia duzia de funcionários não tinha habilitação (Eu menos ainda), pra levar esse povo quando precisava teve que contratar um zé-oreia com habilitação…
    (Hoje acho fundamental isso no currículo, mas porque todos que contrato tem a possibilidade de TALVEZ ir pra rua demonstrar, vender, dar suporte, treinar, ou pelo menos me buscar quando deixar o carro na oficina 🙂

  • João Bernardo

    Tem uma pegadinha aí. Algumas pessoas chamam de STL toda a C++ Standard Library enquanto outros falam que é apenas a antiga Standard Template Library que deu origem aos conceitos contidos na outra.
    Já que as pessoas não usam mais a antiga STL, então você está falando da Std Lib, o que permite um cara que não conheça templates, iteradores etc falar que sabe C++ (pré 98) 😛

  • Roger

    Rubem Luiz,

    A não ser que esteja contratando PJ, é menos caro para a empresa pagar um taxi para os deslocamentos urbanos que o funcionário usar carro próprio, nunca se sabe como vai estar “assessorado” o seu ex-funcionário perante a justiça trabalhista em uma rescisão.
    Colocar funcionário para fazer externo com carro próprio gera custos e reembolsos muitas vezes não cobertos, e isso complica a situação da empresa se o funcionário for mal intencionado.
    Para ter uma ideia aqui na emrpesa entre os escritórios gasta-se uma média de 35 reais de taxi por percurso (70 ida e volta).
    Se um funcionário vai com carro própio e pede reembolso, a empresa tem que pagar cerca de 60 reais de reembolso por kilometragem, fora o estacionamento (que na região fica em torno de 30 reais a diária nos estacionamentos mais afastados, e 50 no prédio onde fica o escritorio da empresa)