UpdateConf 2011 – Minha visão do evento

A última semana foi bastante intensa, pelo menos para mim. Toneladas de informações para digerir durante a viagem que eu fiz para a Inglaterra para participar da UpdateConf 2011. Não consegui uma hora vaga para escrever um post lá, mas agora, depois de voltar ao nosso fuso-horário, vou contar como foi o evento.

Brighton, onde o evento aconteceu, é a parte mais importante de uma pequena cidade no sul da Inglaterra chamada de Brighton and Hove, com mais ou menos 155.000 habitantes (fonte: Wikipedia).

Chegar até lá demorou um pouco, mas foi relativamente simples, graças às redes ferroviária e rodoviária da Inglaterra que realmente funcionam. A viagem foi muito cansativa, mas não tivemos nenhum problema (a não ser o lugar no avião, ao lado do banheiro, mas isso é outra história). Ah, estou falando no plural porque, como disse no email anterior, fui ao evento com o Fernando, que trabalha conosco no desenvolvimento.

O evento foi dividido em duas partes, um dia de conferência e dois dias de workshops. Vejamos como foi cada parte:

A conferência:

O primeiro dia foi o mais cheio dos três, com mais ou menos 400 pessoas, segundo a organização do evento, quase lotando a parte de baixo do Brighton Dome, um teatro que faz parte do Royal Pavilion.

UpdateConf 2011

Aguardando o evento começar

Logo de cara, vimos que a conferência não seria nada comum, já que a abertura foi feita pelo apresentador e organizador, Aral Balkan (criador do app Feathers), cantando uma música. E não é que ele canta bem! 🙂

As palestras eram bem curtas, cerca de 20 minutos cada, e tivemos umas que foram excelentes e outras não tão boas assim.

A melhor de todas, sem dúvida, foi a do Matt Gemmell com o título de “Unusability” ou, sobre “Como irritar o usuário”, na qual ele mostrou exemplos de interfaces mal-feitas que não só irritam o usuário, como estragam boas ideias de aplicativos e, às vezes podem até causar dor nos coitados (aqueles aplicativos que vivem virando a orientação da tela, por exemplo, hehehe). Depois de mostrar os piores exemplos de interface, ele apresentou boas práticas em desenvolvimento de aplicativos.

Além de falar muito bem, a palestra dele foi uma das mais úteis do dia.

Indo para o outro extremo, tivemos também uma palestra na qual a pessoa falava extremamente bem, mas o conteúdo deixou a desejar.

Estou falando da palestra do Jeremy Keith, com o título “One Web”. Segundo ele, nós deveríamos esquecer o desenvolvimento de aplicativos nativos e focar em desenvolvimento de aplicativos Web, usando o browser como única plataforma. Ainda, segundo suas ideias, aplicativos nativos existem hoje e amanhã já não funcionam mais em versões posteriores do hardware, enquanto que os sites podem existir por décadas ou mais. (Eu não gostaria de ver os sites que eu via em 1995, mas tudo bem). Além de ter dito um monte de abobrinhas, o sujeito participou de um debate sobre Web x Nativo, no qual ele dominou a conversa, sendo algumas vezes até grosso com as pessoas que ousavam discordar do que ele dizia. Um exemplo disso foi o desenvolvedor da Microsoft que ia falar no debate sobre o Windows Phone 7 e que foi totalmente cortado pelo Jeremy, quando ele disse que o browser do Windows Phone 7 era um lixo. Resumindo, a participação de Jeremy Keith no Update 2011 foi a parte ruim do evento. (Qualquer dia escrevo a minha opinião do Web x Nativo, se vocês quiserem)

Mas deixemos o que foi ruim de lado e vejamos o que mais foi bom. Na verdade não foi só boa, foi excelente a demonstração do CoronaSDK feita pelo Seb Lee-Delisle na qual ele programou um clone do Angry Birds em 30 minutos, usando o CoronaSDK. Achei interessante a plataforma do Corona para fazer protótipos ou demonstrações. Para coisas mais complexas a dupla Cocos2D + Box2D é melhor.

Também tivemos uma ótima apresentação da Sarah Parmenter sobre os desafios de design para plataformas móveis e de Joachim Bondo sobre aplicativos “beyond delicious”, ou, segundo minha livre tradução, aplicativos mais que encantadores.

Aral Balkan entrevistando Ronald Wayne

Aral Balkan entrevistando Ronald Wayne

Além das palestras, assistimos uma entrevista ao vivo entre o Aral Balkan e Ronald Wayne, o terceiro fundador da Apple (juntamente com Steve Jobs e Steve Wozniak). Ronald Wayne contou um pouco dos primeiros anos da Apple e o porquê dele ter saído tão cedo da empresa, vendendo suas quotas da empresa por US$ 2.300,00, que hoje valeriam mais ou menos 35 bilhões de dólares. Segundo ele disse, como ele era o mais velho dos três e já tinha passado por uma falência anteriormente, ele temia passar novamente pelo mesmo problema e ter os bens que já tinha conseguido tomados por credores. Com os dados que ele tinha na época, ele acha que foi uma decisão acertada a dele e que não se arrepende de ter feito isso. No final da entrevista ele ganhou um iPad 2, já que haviam dito que ele nunca tinha tido um computador da Apple. 😀

No primeiro dia tivemos ainda mais três palestras que foram mais ou menos. Não foram tão boas como a do Matt Gemmell nem foram tão ruins como a do Jeremy Keith. Foram as palestras da Relly Annet-Baker, Anna Debenham e Cennydd Bowles. Na minha opinião eu pulava essas três palestras e daria mais tempo para Matt Gemmell, Sarah Parmenter, Seb Lee-Delisle e Joachim Bondo.

Durante os intervalos, tivemos alguns “tech beats” de 5 minutos numa sala menor. Todos eles foram muito interessantes, mas muitíssimo curtos. Gostaria que tivéssemos pelo menos mais uns 15 minutos nos tech beats de design de ícones, fontes, interface “cover flow” e desenvolvimento para os mercados africanos. Achei os quatro tech beats muito interessantes, mas com 5 minutos fica difícil até deles exporem ideias mais complicadas.

No final do dia houve uma festa no museu que nem eu nem o Fernando participamos, por falta de forças. Depois de passar 3h no aeroporto, mais 11h30 sentado num avião, ao lado do banheiro, com todo o movimento possível, mais 1h30 esperando o ônibus para Brighton e mais 2h30 de Londres para Brighton de ônibus, estávamos mortos na segunda-feira. Não soube se a festa foi boa nem se foi ruim. Deve ter sido boa, já que não havia ninguém estava reclamando no dia seguinte. Pois bem, vamos ao dia seguinte.

Workshops

Na terça-feira e na quarta-feira aconteceram vários workshops em locais diferentes. Eu participei na terça-feira do Workshop de HTML5 e na quarta-feira, do workshop de Core Data avançado.

O Fernando participou nos dois dias do Workshop de OpenGL ES com o simpático Jeff Lamarche (http://iphonedevelopment.blogspot.com/).

Vou resumir o texto desse post aos dois workshops dos quais eu participei.

HTML 5

Apresentado por Remy Sharp, um dos desenvolvedores do PhoneGap e entusiasta da plataforma Web, esse workshop me fez dar outra chance ao desenvolvimento de aplicativos baseados em HTML5+Javascript+CSS. Mais do que as abobrinhas exaltadas que o Jeremy Keith o falou, a fala calma e controlada de Remy Sharp me fez redescobrir o potencial que o HTML 5 tem para o desenvolvimento de aplicativos e sites móveis.

O dia foi totalmente de “mão na massa” e ele deu muitíssimas dicas de frameworks e ferramentas para desenvolvimento em HTML5 para dispositivos móveis.

Vários aplicativos nossos foram feitos totalmente em HTML5 (como era o caso do Sudoku 1000) e tiveram seu espaço, mas, devido a limitações naturais da plataforma web, passamos a investir 100% do nosso desenvolvimento a aplicativos nativos e até convertemos os Web em nativos (como foi o caso do Extreme Sudoku).

Esse workshop serviu para abrir um pouco o horizonte e ver que não existe uma fronteira bem delimitada entre os aplicativos Web e os nativos e que uma intercessão dos dois pode ser muito interessante.

Anotei dezenas de dicas para o desenvolvimento de páginas “mobile-friendly” (se alguém conseguir uma tradução melhor do que “amigável aos dispositivos móveis, me avise) e de frameworks para desenvolvimento de aplicativos Web. Qualquer dia posto aqui uma lista condensada desses frameworks.

Core Data

Na quarta-feira participei do Workshop de CoreData com Marcus Zarra, autor do famoso blog “Cocoa is my Girlfriend” (http://www.cimgf.com/).

CoreData é uma parte da API da Apple que trata não só da persistência dos dados, como do modelo desses dados na memória. No popular, no MVC, o CoreData entra com o M. 😉

Eu não pude assistir ao primeiro dia de CoreData, já que estava participando do Workshop de HTML5, mas no segundo dia tivemos exemplos de usos mais extremos do CoreData.

Esse workshop foi menos “mão na massa” quanto o do dia anterior, mas expôs detalhes interessantíssimos dessa API e de casos reais de uso da ferramenta.

Depois do evento. E agora?

Ao contrário do que eu estava imaginando, o Update2011 não foi um evento focado no desenvolvedor. A conferência foi totalmente voltada para o usuário e em como deixar a experiência dele melhor.

Apesar de ter sido um evento muito caro para o que ofereceu, acho que, no fim das contas, valeu a pena. Conhecemos muita gente nova, ideias novas e ferramentas novas. Além disso, o evento estava extremamente bem organizado (ok, o wifi engasgou, mas isso não me afetou porque eu estava com o 3G da Vodafone funcionando).

Resumo da ópera, voltamos cheios de ideias na cabeça e com um monte de lugares para procurar as soluções para implementar essas ideias. 🙂

Comments on this entry are closed.

  • Lenilson Silva

    Espero que faça bons jogos!

  • Ciro Espítama

    Acho que todos os eventos profissionais deveriam ser focados naquele que ao fim e ao cabo é o consumidor final. Sou médico e vejo os congressos, cursos e conferências focados no profissional, quando ele é apenas um servidor ao paciente, a quem realmente interessa as novidades apresentadas. Acho que vc tirará muito mais lições dessa conferência do que inicialmente ele representa. Bom retorno.

  • Estou aguardando um aplicativo que controle a mente das crianças? E o sono também, é possível? Pensam em criar?