Gerador de Números Aleatórios Humanos

A exploração de fenômenos aleatórios ou” aleatorizadores” ocorre desde a Antiguidade. Achados arqueológicos na região da antiga Mesopotâmia revelaram os dados (de 6 faces, como o que você usa para jogar WAR) mais antigos conhecidos, feitos de barro cozido cerca de 2750 a.C. Ilustrações de jogos como par ou ímpar de cerca de 2000 a.C. também foram encontrados no Egito, em túmulos atribuídos a Beni Hassan.

Além da utilidade para jogos, algumas civilizações como os gregos (vide a Ilíada) também utilizavam os aleatorizadores como uma forma de revelação da vontade divina. É interessante notar que mesmo em nossa cultura, ainda temos uma herança desta concepção, presente nos búzios ou tarô. Mesmo quando algum felizardo ganha o prêmio máximo na loteria, as pessoas pensam “era para ser assim” ou “é porque Deus quis”.

Podemos não perceber, mas cada um de nós convive diariamente com o fenômeno da aleatoriedade. Seja porque o universo possui uma aleatoriedade intrínseca (como afirma a mecânica quântica) ou porque nós humanos não temos acesso a toda informação disponível (e portanto não podemos fazer previsões perfeitas sobre tudo). É bem sabido que computadores não são capazes de gerar números aleatórios. Na realidade, eles geram números pseudo-aleatórios, baseados em regras, ou seja, fórmulas matemáticas. Sabendo a regra, a previsão de todos os números a serem gerados é realizada sem erros. Esta é uma das principais fontes de vulnerabilidade da criptografia (quem quiser ler algo legal que pode levá-lo ao Geek Level 8 compre o livro Silence on the Wire)

Para muitos, os melhores aleatorizadores são baseados em medições de decaimento radioativo ou outros fenômenos físicos.

No entanto, uma pergunta interessante é levantada: e os seres humanos? São aleatórios? De fato, sempre há um fator de imprevisibilidade em qualquer ser humano. Logo, a pergunta mais lógica seria: “Quão aleatórios/previsíveis são os seres humanos?”. Diversos estudos de psicologia cognitiva e até mesmo medicina, mostraram que a geração de sequências aleatórias por seres humanos envolvem funções executivas como memória e atenção. Estudos de neuroimagem funcional chegaram a mostrar o envolvimento dos lobos frontais na execução desta tarefa e outros estudos clínicos mostraram uma menor aleatoriedade (no sentido de maior previsibilidade) das sequência de números geradas por indivíduos com doença de Huntington, Parkinson, Alzheimer ou autismo. Mesmo indivíduos com comprometimento de funções executivas, como um alcoolizado, geram sequências de números mais previsíveis.

Atualmente, há um jogo online, que tem como objetivo quantificar quão aleatórios são os seres humanos, e quais são os principais fatores que influenciam nesta imprevisibilidade.

Contribua com este estudo, participe em:

http://randomicogame.appspot.com

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