Mobilidade, um caminho sem volta

Viajar é algo maravilhoso. Ainda mais quando se tem a chance de sair dos limites territoriais brasileiros. Não que o Brasil não seja interessante, mas os choques culturais são maiores. Uma das minhas diversões enquanto mato o tempo em aeroportos é observar as pessoas. Em especial, gosto de ver o que elas estão fazendo com os seus dispositivos móveis, como estão interagindo com eles e com o meio.

Não é preciso estar no aeroporto de Houston (George Bush) pra sacar que não tem mais sentido existir um player seja lá do que for. Esta é uma área para celulares. Mesmo telefones simples já saem movidos a cartões, com cabos e bluetooth. Radio e MP3 se tornaram algo indispensável para muitos consumidores. Já percebeu que o megabyte mais caro que existe (chamado de SMS no Brasil) é algo presente em todas as classes sociais também ? Não é necessário ter 300 SMS no seu plano (eu tenho), nem digitar como o taquígrafro do congresso (ainda chego lá): qualquer um manda um “te ligo depois”. Até meu pai. E o SMS é popular, onde um usuário alavanca o outro no uso. Nunca vi o José de perto mas já troquei mais SMSs com ele do que com vários amigos que vejo frequentemente. A minha irmã, que encontro uma vez por ano, é parceira íntima na tecelagem de fofocas familiares e parece estar sempre próxima.

Bom, mas as tribos de aeroportos são mais sofisticadas, em geral com notebooks, celulares e modems 3G. Vivem à espreita de uma tomada ou de uma WiFi aberto. Ainda mais nos EUA, onde andar de avião é algo corriqueiro. Para ilustrar, imagine a cena de um senhor comum, jeitão de texano, de chapelão típico, entrando no avião em Austin e dizendo a seguinte frase “Uou, I’m back in the bus! “. Ri sozinho desta frase. E note que ela traduz um pouco de como voar já faz parte da vida americana. Nos EUA é comum ter pontos específicos para carregamento com e mesas para notebook, como vi ano passado em Atlanta. A foto a seguir mostra algumas zonas de tomada em Houston, patrocinadas pela Samsung. Uma bela idéia de marketing, sem dúvida.

samsung - Share on Ovi

Esta outra foto mostra o espírito americano de vender: carregue qualquer coisa por alguns bucks (em Houston também). Loucura ? Não. Necessidade. As pessoas precisam disso. Precisam estar acessíveis, querem estar conectadas. Cada vez mais.

carregador - Share on Ovi

Outra foto. Olhe este senhor, no chão, notebook aberto e celular ligado. O motivo é o mesmo: tomada disponível.

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Os EUA são dominados por iPhones e Blackberries, não precisaria vir aqui para atestar isso. Muitos, em várias mãos, não somente com jovens ou com os mais bem aventurados financeiramente. Por exemplo, num vôo pra Boston me vi cercado por quatro iPhones (dos lados e na frente). Dois navegavam (ainda no solo), um escutava música e o outro mandava SMS. Fiquei protegido pelo E71 e o XM 5800, mas a terra do tio Sam não é o lugar da Nokia, como mostram as pesquisas de mercado. Ah, e ninguém desligou o aparelho, só o bobo aqui. Nem em offline o rapaz do lado o colocou. Errado, certamente, mas no fundo já passou da hora de os aviões oferecerem Internet e não terem restrições mais com interferência. Ou você acha que a tripulação tem realmente como controlar isso ? Infelizmente a frota é ainda muito antiga e este
processo ainda demora.

Voltando no assunto, eu fico com a impressão de que os donos americanos de blackberry mudariam pra iPhone, se a companhia dele deixasse ou lhe desse outro aparelho. Ok, talvez chegassem a titubear se fosse um Curve ou dariam um voto de confiança no teclado físico. Mas não é a toa todo o movimento da Apple pra suportar o Exchange. Muito menos é ingênua a recente abertura que a RIM fez da sua API de emails. É uma mercado enorme, de pessoas que gastam de verdade, e que precisa coletar desenvolvedores e consumidores. Os comerciais do iPhone na TV não vendem um telefone. Ficam mostrando aplicações que poderim ser instaladas no aparelho em áreas bem diversas, um foco indireto na Apple store. De novo, fortalece a rede de desenvolvedores e cria um mercado de consumo para as mais diversas aplicações. Sem falar que é assustador a quantidade de coisas inúteis com a frase “made for iPhone” que você encontra numa bestbuy. E a loja da Nokia ainda engatinhando, mesmo com o número gigante de desenvolvedores Symbian. E sem suporte a Python. Somente Flash, C++ e Java. Triste.

Vejo muita gente por aqui navegando nos seus iPhones, algo que se encaixa bem no perfil dele (sem flash ou java, claro). E também bastante reclamações com relação a qualidade do sinal e do 3G. Consegui ver alguns Google phones (G1) na mão das pessoas e em exposição em todas as lojas da T-Mobile ou revendas. Infelizmente não consegui usar nenhum.

Outro hábito de consumo irreversível são as telas sensível ao toque. Faça o teste. Observe as pessoas nas ruas, veja como elas manipulam os seus dispositivos. É uma experiência muito agradável, propícia para operações que não exigem muitos toques. Vi vários aparelhos sendo manipulados assim, como iPhones, G1, HTCs, LGs e Samsungs. Sem falar nos Nintendos DS e iPods Touch que me perseguiam, também touch screen mas sem GSM. Não existe mais espaço para grandes lançamentos sem estas telas.

Pra finalizar, volto para o Brasil com a impressão de ser o dono do único XM 5800 que passou por aqui. E deixo uma bela foto patrocinada pelo XM 5800.

nuvens - Share on Ovi

PS: digitei esta mensagem no E71, dentro do avião, e ninguém deu a
mínima pra ver se eu estava em modo de vôo ou não. Ah,o chapelão era mentira. Mas o resto não.

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  • Sites WAP

    Ótimo Post, José Antônio!
    Eu estava iniciando uma postagem no blog do Universo WAP mas fui dar uma navegada entre os Blogs parceiros e me deparei com o seu Post sobre algo similar ao tema que iria postar (tomei inclusive, a liberdade de fazer uma pequena menção de um trecho no meu post).

    Realmente, a mobilidade é algo eminente e necessária.

    Abraços

  • José Antonio Oliveira

    O post realmente está ótimo, mas quem escreveu foi o Marcelo. 🙂

  • Sites WAP

    Ah sim.
    Já corrigi a menção do nome no Post do Universo WAP

  • Felipe Cepriano

    Ótimo post!

    Só discordo quando você diz que não há sentido em players dedicados. Enquanto os celulares não conseguirem pelo menos uma boa duração da bateria, eles continuarão firmes e fortes.
    Meu iPod consegue ficar uns quatro dias tocando 6 ou 7 horas diárias sem descarregar, no máximo ficando com a bateria no nível mínimo. Faça isso com um celular….

    Sem contar que a capacidade dos celulares não chega nem perto dos players dedicados (meu iPod tem 80GB, dos quais já tenho 43 ocupados). Mas pra muita gente isso não é problema, só andam com as músicas mais ouvidas.

  • Rodrigo

    Um belo post, assim vemos uma pequena distancia do Brasil com relação a mobilidade, é um verdadeiro choque cultural

  • Kiko

    Parabéns pelo texto, Marcelo. Abraço.

  • Marcelo Barros de Almeida

    Oi Felipe,

    Um ipod ainda tem mesmo o seu valor, concordo, adoros estes aparelhos.

    Mas tambem acho que o futuro está a favor dos celulares. Veja o N97, com 32GB e slot pra cartao.

    Eh uma questao de tempo, na minha visao. Alias, o iphone vem tentando realizar esta integracao.

  • Anonymous

    Bacana o post.
    Mas fiquei curioso pra saber quanto tempo voce dedicou para eduta-lo no E71?
    Como voce publicou no blog? Só depois que desceu no aeroporto?

    Abraços

  • David Diniz

    vendo esse post seu é sem dúvidas que o brazil(com b minúsculo) é literalmente atrasado no ramo de telefonia celular e mobilidade!
    Veja o quanto é difícil achar uma tomada no aeroporto internacional de São paulo,Rede Wi-fi “grátis”? isso non ecxiste!
    Sem contar os preços absurdos pelos serviços de 3G(que são outra porcaria) e as operadoras são tudo farinha do mesmo saco: UM LIXO!